segunda-feira, 4 de junho de 2012
Nada de novo no front...
Inicio de semana tranquilo, com o mercado ainda tentando digerir os dados nada agradáveis da economia americana, chinesa e a conhecida dança europeia ou seria um daqueles filmes suecos lentos e escuros. No sabado o primeiro ministro espanhol, declarou ser favorável a maior integração fiscal, inclusive com transferencia, significativa de soberania para um ente europeu que ficaria responsável pelos diferentes aspectos da gestão fiscal. A declaração é parte da tática espanhola pra convencer os alemães a aceitarem o proposta de socorro direto aos bancos, que resolveria o problema que eles enfrentam sem a imposição de medidas corretivas ou supervisão ao país/ nacionalidades dos bancos. Não entende o objeção alemã, afinal a espanhol concordou com praticamente tudo que lhe foi exigido e é difcil imaginar o que poderia ser acrescido a longa e dura lista de tarefas a serem cumpridas. Afinal a Espanha tem sido um aluno modelo e merece alguma recompensa. É claro que esta medida não poderia ser valida somente para os bancos espanhois, o que poderia ser um incentivo ao comportamento imprudente de bancos em outros países. É um fato, porém, é possível pensar medidas para minimizar este risco e comparando o com os ganhos em rapidez na solução do problema bancário da zona do euro, me parece que é uma boa escolha.
Para evitar a contaminação, Portugal escolheu o caminho da prudência com a recapitalização de 3 bancos, em um total de 6.6. bilhões de euros. É uma media correta e que vem em bom hora.
domingo, 3 de junho de 2012
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Déjà vu...
Como mencionado, ontem, os sinais no Império apontam para a repetição do filme visto nos últimos anos. Os números do mercado de trabalho, publicados nesta sexta feira, reforçam a nossa avaliação. Apenas 69.000 postos de trabalhado criados em maio - a expectativa era de 150.000 - e os números, revisados pra baixo, de março e abril:143.000 contra 154.00, 77.000 contra 115.000 respectivamente, confirmam a perda de dinamismo da economia americana. O desemprego, também aumentou, de 8,1% para 8.2%, em razão do aumento no número de pessoas no mercado de trabalho, ou seja, aqueles que haviam desistido de procurar emprego retornaram ao mercado de trabalho e se isto se mantiver nos próximos meses,a taxa de desemprego deverá aumentar. Esta performance sofrível do mercado de trabalho recoloca na agenda a possibilidade de mais uma rodada de QE, já que medidas na área fiscal, dado o clima político, estão descartadas. Tenho dúvidas quanto a eficácia de mais uma rodada de afrouxamento monetário, a melhor opção, realmente, seria aumentar os gastos públicos. Com os yeilds dos títulos soberanos americanos em níveis absurdamente baixos, torna-se sem sentido preocupar-se com o aumento da divida pública.
Infelizmente, o Imperio não foi o único portador de más noticias. Há indicação que o desaquecimento da economia chinesa poderá ir alem de um "soft landing", caso o seu governo, continue fazendo de conta que nada de estranho está acontecendo. É mais uma fonte de preocupação para a economia mundial, principalmente para países como Australia e Brazil.
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Um cenário nada roseo....
Dia tranquilo na zona do euro, com os juros dos títulos italianos e espanhois de 10 anos estabilizados em 5.89% e 6.53%, respectivamente. A proposta espanhola de usar os fundos do ESM para recapitalizar os bancos em dificuldades, recebeu o apoio do Draghi, BCE, e do Visco do Board do BCE e Presidente do Bacen italiano. Merkel continua se opondo a tese, mas me parece que sua posição poderá tornar-se instustentável, caso a Espanha obtenha o apoio de pesos pesados externos - FMI e governo americano - e dos parceiros da zona da euro, França, por ex. Draghi, também, manifestou ser favorável retirar do controle nacional a supervisão dos bancos, haja vista, a experiência ter demonstrado a dificuldade, imensa, dos países em conhecer a real situação dos seus bancos, levando a sequência de declarações de um cenario roseo, seguida de reconhecimento que o buraco era muito maior do que imaginava. O resultado tem sido ansiedade crescente, com impacto negativo sobre a credibilidade do sistema bancário de países em dificuldades. A proposta é boa e, se excluirmos a provável oposição britânica, não deverá encontrar forte oposição.
Enquanto isto, no Império, as noticias não são nada boas, ainda que longe de apocalípticas, e confirmam o estado anêmico da sua economia. O PIB, anualizado, do primeiro trimestre foi revisado pra baixo: 1.9% contra 2.2%, aumento nos pedidos de seguro desemprego e resultado abaixo do esperado na criação de empregos no setor privado. Vai se desenhando um cenário bem conhecido nos últimos anos: as perspectivas positivas do inicio do ano são revertidas e a economia retorna ao seu comportamento cambaleante. Este ano, tudo indica, não será diferente o que poderá colocar em risco a reeleição do Obama.
Já no grande bananão, mas uma rodada de corte nos juros que deverá ser mantida nas próximas reuniões, levando a taxa para o histório 7,5%. A aposta do Bacen, por enquanto está dando certo, mas o cenário internacional esta longe do cenário catastrofico por eles desenhado em agosto de 2011.
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Espanha a beira de um ataque de nervos...
Mais um lance no jogo Espanha versus parceiros da zona do euro(leia-se Alemanha): estender para 2014 o prazo para a Espanha reduzir o seu defícit orçamentário para 3%, desde que demonstre controlar a gestão fiscal das regiões autonomas e apresente um orçamento credível. A primeira demanda é música agradável para o ouvido dos conservadores espanhois que, agora podem tomar as medidas por eles sonhadas contra as regiões autonomas. Enquanto isto o mercado continua comportando-se como vampiro sedente de sangue cobrando retornos maiores sobre os titulos de 10 italianos e espanhois. Em leilão, com baixa procura, nesta quarta-feira, a Italia conseguiu colocar 2.34bilhões de titulos de 10 anos pagando o maior juro desde janeiro do corrente ano, 6.03%, e 3.4bilhões de titulos de 5 anos, com yields de 5.66%, contra 4.86% do último leilão. O spread do titulo italiano em relação ao benchmark alemão está em 465 pontos base, enquanto que o benchmark espanhol chegou a 6.7% e a diferença em relação ao alemão encontra-se em 532 pontos bases. Ambos, valores recordes e perigosos e que, por isto mesmo, exigem uma resposta rapida da comissão europeia e, principalmente, da Alemanha. A necessidade de aporte da ESM pra socorrer os bancos espanhois está se tornando inevitável, assim como a extensão da proteção aos depositos bancários de toda a zona do euro. Posso estar errado, mas me parece ser apenas uma questão de tempo. A medida ajudaria a reduzir o clima de ansiedade existente no mercado e seria uma contrapartida, razoavel, as medidas de austeridades e reformas implementadas por vários países.
O relatorio públicado nesta quarta-feira pela Comissão Europeia apresenta uma cenário surpreendentemente benigno da economia italiana, principalmente na questão fiscal. É um grande surpresa, inclusive para este bloguista, um eterno otimista, que ainda se recorda do cenário catastrofico desenhado por esta mesma comissão pra a economia italiana. Parece que o super Mario, realmente, está fazendo milagres e alem disto é um indicador do exagero criado pela midia anglo americano em relação a real situação econômica da zona do euro. Ela continua sendo delicada, mas a historia europeia nos ensina que os avanços no processo de integração ocorreram sempre em momentos de grandes dificuldades em que ninguem apostava um centavo no seu futuro. Não deverá ser diferente no corrente cenário...
terça-feira, 29 de maio de 2012
O arriscado jogo espanhol...
A Espanha fez tudo o que foi solicitado pelos parceiros da zona do euro e ao colher o resultado nada agradável, recessão, desemprego, resolveu pedir algo em troca: a recapitalização dos seus bancos pelo European Stability Mechanism. Este parece ser o fundamento da sua decisão de anunciar, sem consultar o ECB, a proposta de capitalização do Bankia através de um criativo mecanismo de troca em que ele receberia titulos soberanos a serem usados junto ao ECB. Como esperado este último não gostou nada idéia e a recusou. Isto, naturalmente, já era esperado pelo governo espanhol e não deverá alterar a sua estratégia de confronto com Berlim o que leva a inevitável questão: qual a chance dela ter sucesso? Primeiro é bom lembrar que a Espanha não é Grecia, Irlanda ou Portugal, sua situação fiscal é bem melhor, e dado o tamanho da sua economia um bail out no estilo adotado nestes países não é possível, nem tão pouco necessário, já que o problema está restrito aos seus bancos. A capitalização através do ESM realmente parece ser a melhor opção e a pior, seguramente, seria o governo espanhol chamar para si a responsabilidade de garantir a sobrevivência dos bancos através da injeção de recursos públicos. O resultado seria perder um dos seus trunfos, a relação divida/pib, que abriria o caminho para um inevitável bail out não apenas dos bancos, mas,também, da Espanha. Como no caso do Bankia,a opção foi outra é de se imaginar ser uma estratégia usada para colocar contra a parede a Alemanha, usando o argumento que a Espanha é grande demais para quebrar, ainda mais depois de ter feito a lição de casa. Enquanto isto o mercado toca a música já conhecida no baile de mascaras italiano: manutenção do spread em relação ao título alemão um pouco acima dos 500 pontos base, mas estável, e redução no spread entre os juros dos titulos espanhois de curtos e longo prazo. Como a Espanha já rolou mais da metade do valor que tinha que captar no corrente ano, a situação esta sobre controle e é bem diferente do cenário do inicio de ano, o que lhe permite participar deste jogo arriscado, mas necessário, com a Alemanha.
segunda-feira, 28 de maio de 2012
Faniquitos na Espanha...
Mais um começo de semana agitado, desta vez devido a velha desconfiança do mercado em relação a solidez dos bancos espanhois em razão dos 180bi de euros em emprestimos imobiliários.A necessidade de socorrer o Bankia, 19bi de euro, é visto como prenuncio do que poderá ocorrer com os outros bancos e para piorar o cenário o governo espanhol escolheu um meio pouco ortodoxo para financia-lo: swap de titulos da divida pública em troca de participação acionária, 90%, que implica em confessar estar temeroso de recorrer ao mecanismo normal para levantar os recursos para salvar o Banquia. Não é o tipo de confissão recomendável, quando sua economia esta passando por um momento delicado. Detalhe, ignorado pelo genio espanhol.
O resultado: queda nas ações do Santander, 3.2%; Bankia, 13% e Banco Popular 7,5%. O benchmark, titulo de 10 anos, em 6.5% e o spread de 500 pontos base em relação ao equivalente alemão. É mais tranco, naturalmente, mas não altera substancialmente a posição espanhola que continua na marca do penalti. Alias, nunca deixou esta posição.
Enquanto isto na Grecia o partido da Nova Democraia, lidera as pesquisas para a eleição de 17 de junho, que somente não é uma excelente noticia, porque o numero de indecisos ainda é muito alto.
domingo, 27 de maio de 2012
sexta-feira, 25 de maio de 2012
A última de Berlim...
Em mais uma demonstração de falta de tato, a Alemanha, segundo a Spiegel, deverá apresentar uma proposta de "European Special Economic Zones", para solucionar os problemas dos países em dificuldades na zona do euro. Ela inclui incentivos fiscais; reforma do mercado de trabalho na linha da adotada pela Alemanha, com maior facilidade de demissão e menor contribuição social; fundo pra gerir o processo de privatização das empresas estatais; sugestão de adoção do sistema educacional alemão. O recado é bem claro: para receber nosso dinheiro, voce deverá, antes, adotar o nosso modelo de economia. É fato que o ele mostrou uma capacidade incrivel de resistência as turbulências econômicas e é um bom ponto de partida, mas é preciso lembrar que ele é o resultado da própria evolução/reforma do modelo alemão que surgiu no pós guerra e seria um equivoco imaginar ser possível exporta-lo, sem as devidas, adaptações para o resto da zona do euro. É merito dos alemães terem reconhecido e implementado as mudanças em seu modelo. Os italianos deveriam ter o feito o mesmo com o seu, porém, optaram por acreditar no conto de fadas vendido pela figura nefasta que dominou a política italiana por um período demasiado logo ate mesmo para os padrões deles. É reformar é preciso, também, na Espanha; já na Grecia a situação é um pouco mais delicada e a palavra mais apropriada é a refundação do seu Estado.
A proposta alemã, ainda não oficial, tem tudo para entrar para lista de outras tantas natimorta e, por isto mesmo, é a cereja do bolo de mais uma semana de faniquitos a espera do resultado das eleições gregas. Até lá, a pressão sobre o eleitorado grego deverá somente aumentar visando a obtenção do único resultado que interessa a Bruxelas: uma maioria favorável ao respeito as medidas de austeridade. Á idéia, ventilada ate por analistas respeitáveis, sobre a inevitabilidade da saída da Grecia é parte desta estratégia.
quinta-feira, 24 de maio de 2012
Nos que sonhamos o impossível...
Em reunião esta noite, um dos participantes observou que no ambiente cultural nos anos finais da segunda metade dos anos 70, na USP, se fazia presente dois temas: a defesa da justiça e da democracia. No caso desta última não se resumia, apenas, ao seu restabelecimento, mas, também, e principalmente, na defesa de uma idéia de democracia em processo, permanente, de aprofundamento. Segundo ele, nada disto se faz presente no ambiente cultural atual. Muito pelo contrário. Hoje há quem defenda, abertamente e sem nenhum pudor, a desigualdade social e o aprofundamento da democracia sequer é mencionado. Concluiu, sua intervenção, lamentando, que passados mais de trinta nos, os problemas que a todos mobilizava, naquele período, não foram solucionados. Em rapido bate papo, depois da reunião, argumentei que os numeros não justificavam o seu pessimismo: o país está muito melhor e as mudanças são visiveis, por ex, na periferia sul da cidade de sp. Como ainda se mostrava cético, lembrei do aumento da oferta de bens culturais iniciado na administração da Marta e ampliado nas que a ela se seguiram. Em esforço final, para convence-lo, recordei das diferenças gritantes dos bairros dos endinheirados na Europa e Estados Unidos. Concordou, somente com a minha descrição deste último.
Não entendo esta forma de pessimismo, ainda que compreenda a falta de paciência com o lendo progresso na redução das desigualdades sociais, principalmente, pelo fato do país passar por um de seus melhores momentos econômicos.O fato é, que mesmo reconhecendo que o processo poderia ser um pouco mais rápido, as expectativas daquele período não eram realistas,. Não existem receitas magicas e um mundo socialmente menos injusto ainda parece ser o melhor objetivo. Em outras palavras, ele diria, voce está afirmando que a desigualdade pode ser reduzida, mas não eliminada. Para esta questão, não tenho resposta. Alguem tem?
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Mais faniquitos
Mais um dia de faniquito que deverá se repetir, com alguma frequencia, ate conhecermos o resultado das eleições gregas. Ate lá, promessas serão feitas, planos esboçados, encontros informais poderão acontecer, sem que se produza nenhuma resultado ou se tome qualquer decisão. Tudo depende da escolha, soberana, do eleitor grego, que, naturalmente, deverá sofrer todo tipo de pressão, velada ou não, para votar de acordo com o que se espera em Berlim. É a velha e conhecida dinamica europeia levada a sua potencia máxima, que para os não iniciados, é sempre causa pessimismo, mas que, via de regra, acaba, em seu próprio tempo, em final feliz. É o caso, atualmente, da questão do pacto pelo crescimento que nada mais é que grandes investimentos em projetos de infra-estrutura que tudo indica serão financiados pelo Banco Europeu de Investimento o que, por sua vez, implica em aumentar o seu capital. Os dois eventos: decidir quais projetos e quanto de capital adicional será necessário, devem demorar o tempo suficiente para forçar os países em dificuldades a implementarem as reformas acordadas.
Um fato já parece ser consensual: em que pese a existência de um Plano B, ele nunca será usado, já que a saída da Grecia da zona do euro é uma hipotese com consequencias tão desastrosas que jamais acontecerá.
terça-feira, 22 de maio de 2012
Stop and go...
Diante da perspectiva cada vez mais provável de crescimento abaixo dos 3%, a atual administração resolveu retomar medidas colocadas em pratica, com sucesso, no passado recente: redução do IOF das operações de crédito ao consumidor de 2,5% para 1,5%; redução dos juros para comprar de maquinas, equipamentos, obras; redução no compulsorio dos banco; redução do IPI sobre os carros nacionais e importados. É o renascimento, versão Dilma, do stop and go. Não se pode, naturalmente, criticar o governo por estar se mexendo, parado que não poderia ficar, resta saber se a colheita será tão generosa quanto se espera. A probabilidade disto ocorrer não é grande, haja vista, a situação de endividamento das familias e o tempo transcorrido entre as medidas atuais e as do passado recente ser muito pequeno, para justificar a troca de bens pelo número, diminuto, de familias com capacidade de endividamento. É verdade que a redução das prestações é um forte incentivo, porem, não o suficientemente forte para gerar um volume de demanda como àquela período do Lula.As familias brasileiras, ao contrário das americanas, felizmente, ainda não estão dispostas a assumir um endividamento alem do razoável e este comportamento deve ser elogiado e não criticado. Afinal forte endividamento criado, artificialmente, por crédito barato nunca acaba bem.
Confesso, não considerar justificável a redução do IPI dos carros, me parece que a redução do IOF seria suficiente. A razão parece ser basicamente política; um agrado ao eleitorado do mais importante político do grande ABC e, por acaso, candidato a governador de SP. O mundo é governado pela política e várias medidas que não se justificariam pela criterio estritamente econômico, não raro, devem ser implementadas. Não é o caso, contudo, da redução do IPI.
Confesso, não considerar justificável a redução do IPI dos carros, me parece que a redução do IOF seria suficiente. A razão parece ser basicamente política; um agrado ao eleitorado do mais importante político do grande ABC e, por acaso, candidato a governador de SP. O mundo é governado pela política e várias medidas que não se justificariam pela criterio estritamente econômico, não raro, devem ser implementadas. Não é o caso, contudo, da redução do IPI.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Chesnais
No fim semana, enquanto tentava sobreviver a uma maldita dor na coluna, li o o que é, provavelmente, o mais recente texto do economista marxista François Chesnais, sobre "as raizes da crise econômica mundial", que será apresentado, por um colega de trabalho, em seminário a ser realizado no dia 29/05/12 - 3ª-feira - 11:15h – Sala 132 - 1º andar do prédio novo (RBM)PUC/SP - Rua Ministro de Godoy, 969
Chesnais apresenta dados interessantes sobre a economia mundial, mas a sua análise, infelizmente, é muita pobre com os chavões tradicionais no campo marxistas sobre superacumulação de produção e superprodução de mercadorias, riqueza abstrata, sede insaciável de mais valia do capital, aumento da pobreza e pauperização dos assalariados. A impressão, ao final da leitura, é que o texto poderia ter sido escrito no inicio do seculo passado. O carater determinista da produção teorica marxista é impressionante, assim como sua aversão moralista ao setor financeiro. É o tipo de análise teorica que sempre agrada, já que não exige grande esforço intelectual, e parece explicar, aparentemente, tudo o que acontece no mundo, sem demandar a discussão e apresentação de propostas pra correção do problema. Afinal, argumentaria um marxista, o sistema não permite correção e a única solução é sua superação pela via recolucionária. Enquanto isto não acontece, nada pode ser feito para minimizar e/ou administrar a crise. Somente nos resta esperar pela parteira...
O fato da taxa de lucro em valores ser diferente daquela que embasa as deciões dos empresários não parece preocupa-lo, mas deveria, já que invalida boa parte da análise por ele apresentada. Alias, no campo da teoria econômica marxista, quase nada sobreviveu ao embate teorico com os neo-ricardianos nos anos 70 do seculo passardo, o que torna o marxismo ainda mais irrelevante e justifica o fato de continuar a ser ignorado pela grande maioria da comunidade dos economistas, como argumenta Brewer em artigo na HOPE(1995).
sexta-feira, 18 de maio de 2012
Há luz no fim do tunel...
Mais uma semana de alta ansiedade devido a instabilidade política grega e temores em relação a saúde de alguns bancos espanhois de medio porte e risco de contaminação sobre bancos maiores e solidos e impacto sobre a complicada situação fiscal espanhola. A Espanha continua na marca do penalti, mas sem alteração significativa em relação a semana passada e por isto não é excesso de otimismo considera-la estável. Os juros do leilão desta semana subiram, porem ainda se encontra em patamar administravel, o mesmo sendo o caso do titulo de 10 anos. A demanda foi boa e como ela já captou mais da metade dos recursos necessários para a rolagem do presente ano, tem um ainda certo grau de liberdade na escolha em relação aos próximos leilões.
Segundo a Reuters, a primeira pesquisa eleitoral após a convocação da eleição de Junho, coloca o partido Nova Democracia, na liderança, com 26/1% e o SYRIZA com 23.7%. Traduzido em numero de representante eleitos, 123, e somando aos do PASOK(socialista), 41 cadeiras, seria o suficiente para garantir uma maioria de 14 cadeiras, em uma parlamento com 300 deputados. No sistema eleitoral grego o primeiro colocado ganho um bonus de 50 cadeiras, por isto é fundamental deslocar o SYRIZA do primeiro posto. É apenas a primeira e por isto é prematua tirar qualquer conclusão sobre a tendencia do eleitorado, mas pelo menos sinaliza que, com algum esforço, será possível convencer o povo grego que a eleição de junho é antes de mais nada um referendo sobre a participação na comunidade europeia.
quinta-feira, 17 de maio de 2012
O mordomo não é o culpado...
O leilão de títulos de curto prazo espanhol realizado nesta quinta-feira foi um sucesso, apesar da elevação dos yields. O yield do titulo com maturidade em janeiro de 2015 ficou em 4.375%, contra 2.89 do leilão de abril; já o de julho 2015, apresentou pequena variação ao último leilão no inicio de maio, 4.876% contra 4.037%.O yield do titulo com vencimento em abril ficou 5.106%, contra 3.374 de Março. A procura foi muito boa: o "bid-to-cover ratio", que expressa a demanda pelos títulos, foi 3 vezes o valor ofertado para os titulos com vencimento em julho de 2015, 4.4 para aqueles com maturidade em janeiro de 2015 e 2.4 para os titulos de abril 2016. Dado o ambiente criado pela situação grega e os rumores sobre fuga de correntistas do Bankia, o resultado ficou muito acima do esperado, demonstrando que ainda não há contágio, como atesta, também, o valor do titulo de 10 anos, estável em 6.3%. Bem acima do desejado,mas, pelo menos volátil que ontem, quando chegou a 6.5%.
O cenário continua delicado, mas longe do apocalipse, sugerido pela midia britanica e seguidores no grande bananão e, por isto mesmo, não é o responsável pela situação desastrosa da economia inglesa - segunda recessão e forte pressão inflacionária - tão pouco pelas incertezas em relação a brasileira. O culpado pelos números da primeira é a limitada visão de política econômica dos conservadores, já a segunda é o conhecido voluntarismo dos desenvolvimentistas.
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Esperando por Junho...
...A pressão dos lideres da comunidade europeia sobre a elite política grega ganhou um dimensão ainda maior e mais forte com o pronunciamento do Barroso, um dos maiores defensores da causa grega em Bruxelas: ficar ou sair da comunidade europeia é a opção colocado ao eleitorado grego nas eleições de junho. A opção refutar a austeridade e a zona do euro, mas permanecer na comunidade européia esta definitivamente descartada. A eleição é um referendo sobre a comunidade europeia e não sobre as medidas de austeridade. No caso do eleitorado escolher o partido/coalizão contrária a austeridade e se ele manter-se fiel ao seu eleitorado e mantiver a oposição as medidas de austeridade, o impensavel será uma realidade: o convite para a Grecia deixar a comunidade... A probabilidade disto ocorrer é pequena, haja vista, que a maioria do eleitorado grego - algo como 3 em 4 eleitores -não tem a menor intenção de abandonar a comunidade europeia. Se a estratégia vai dar certo só o tempo dirá, mas a minha aposta é que o eleitorado e ou a coalizão/partido contras as auteridades vão acabar cedendo.
Enquanto isto, continua os faniquitos, com o benchmark alemão atingindo 6.5%, fechando em 6.3% e o italiano em 5.83%, e o spread do primeiro em relação ao espanhol na casa dos 500 pontos base. Já o francês continua estável. O grande teste para a Espanha será o leilão de titulos de curta prazo nesta quinta-feira.
A volatilidade deverá manter-se até as eleições de junho, mas poderá ser menor caso as pesquisas eleitorais indiquem mudanças no resultado das eleições gregas...
terça-feira, 15 de maio de 2012
Os cães ladram, mas a caravava europeia não para...
Como esperado,fracassaram as várias tentativas de formação de novo governo na Grecia e a solução democratica é retornar as urmas em Junho e torcer para o retorno do bom senso aos eleitores gregos. Insistir em votar em partidos contra o acordo assinado com os parceiros da comunidade europeia esperando com isto garantir a manutenção do bem bom sem nada pagar é uma grande tolice: mesmo a contragosto o próximo governo será obrigado a escolher ficar na comunidade europeia e aceitar as medidas de austeridade ou dela ser expulso. Não é dificil antecipar qual será a escolha.
Enquanto isto a velha Alemanha mostra a sua força, com crescimento do PIB, 0.5%, no primeiro trimestre, devido, ao bom desempenho das exportações liquidas. É um resultado inesperado, que afasta a zona do euro da recessão e reforça sua defesa de medidas de reformas e austeridade na zona do euro. A performance da França não foi das melhores, com zero de crescimento, já a Italia apresentou queda de 0.8, a terceira seguida. A boa situação da economia alemã tem impactado positivamente sobre a de seus parceiros, como atesta o aumento das exportações italianas para a Alemanha,11%, e a espanhola, em valor um pouco menor, mas ainda assim significativo, 4%. Esta reconfiguração esta apenas no inicio e deverá ganhar maior força se de fato as autoridades alemães aceitarem aumento nos salários e um pouco mais de inflação. Com isto ela estaria cumprindo a sua parte no caminho rumo ao equilibrio interno à zona do euro, sem impor um custo demasiado alto aos demais parceiros. Resta torcer para ser este o caso, já que demonstraria que a solidariedade, fundamental para o sucesso do projeto europeu, ainda não morreu...
Como mencionado em outro post, o caminho da retomada do equilibrio interno na zona do euro é um caminho longo e sujeito a chuvas e trovoadas..., mas esta condenado a sobreviver em razão da triste historia europeia do seculo passado.
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Um presente de grego...
Mais um inicio de semana agitado, com boatos e alta ansiedade a respeito do futuro da Grecia na zona do euro. O que antes era discutido entre quatro paredes e em voz baixa, agora ganha o espaço público e é turbinado por várias figuras menores, entre as quais, Osborne, do Reino Unido, que culpa a zona de euro, principalmente a Grecia, pela pessima performance econômica da perfida albion. Não, a culpa não é da austeridade, argumentou. Oh Deus! Tem que ser cara de pau e sem nenhuma hombridade para não assumir o resultado, negativo, das medidas que ele colocou em prática. Mas, vivemos em um mundo de homens pequenos, vazios e pateticos. Atores a procura de um texto a altura da mediocridade que ostentam sem nenhum constrangimento.
Como explicar mais este faniquito do mercado? A Grecia vai realmente sair da zona do euro? A resposta para a segunda questão é não. Abandonar a zona do euro, implica em abandonar a comunidade europeia, pelo menos é isto que consta do acordo que ela assinou. Nele não há espaço para plano B, mas, diria alguem contrário ao projeto europeu, é sempre possível, colocar o acordo legal de lado e sair pela porta dos fundos. Pouco provavel, já que o ganho para a Grecia seria pequeno e o precedente criado teria um impacto absurdo sobre o futuro do projeto da zona do euro. Se um país em dificuldade opta por sair sem pagar nenhum pedagio, abre a possibilidade para que o outros, em situação parecida, no futuro, escolha a mesma rota e isto seria o fim do projeto da zona do euro. Em outras palavras, o problema não é, apenas, a saida da Grecia em si, que teria um impacto, econômico, maior sobre ela, que sobre a zona do euro, mas o sinal que passaria sobre o propria solidez do projeto do euro. O risco de contágio serio muito grande e dificil de ser contido. Por isto me parece que ao falar abertamente da possibilidade de saida da zona do euro, os lideres europeus, estão fazendo pressão sobre a esquerda grega que insiste em renegar o pacote negociado, mas não se mostra disposta a abondonar a comunidade europeia, pela simples razão que a população grega, também, não se mostra disposta a perder o bem bom recebido nos últimos anos e quer continuar na comunidade, mas sem completar o ajuste, necessário, que em parte ela já cumpriu.É verdade que há ainda um longo caminho a ser trilhado porém, dentro ou fora da zona do euro, as reformas são necessárias e por isto seria uma tolice tamanha dar adeus aos primos ricos...
domingo, 13 de maio de 2012
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Não foi, ainda, uma tragedia gregra..
Na zona do euro foi uma semana de grande ansiedade e decisões importantes, cujo resultado, por enquanto esta longe de ter sido uma tragedia. O resultado da eleição grega amplia, sem dúvida, não é o bem vindo e mantem a instabilidade polítca que impacta negativamente sobre as negociações com a troica. E um cenário, no entanto, que não pode ser considerado uma grande surpresa, o mesmo, alias, aplica-se ao resultado da eleição presidencial francesa. Como mencionado em outro post, o essencial não deverá se alterar, mas ajustes, marginais, estão na agenda, como maior flexibilidade da meta fiscal, seja no valor, como no tempo necessário para alcança-la.
O grande evento da semana foi aquisição/injeção de 4.5 bilhões de euro do tesouro espanhol Bankia e o anuncio, nesta sexta feira de medidas visando solucionar a delicada situação dos bancos espanhois: provisão adicional de 30 bilhões de euros para cobrir a exposição no mercado imobiliário e, ate o final do ano, separação entre emprestimos para o setor imobiliário de outros emprestimos. Bancos com dificuldades em relação a primeira medida, poderão solicitar emprestimos junto as autoridades espanholas que foram agraciadas com 15 bilhões de euros para esta finalidade. A reação do mercado não foi a esperada: benchmark(titulos de 10 anos) fechou acima dos 6%, com queda as ações do principais bancos da espanha. O calcanhar de aquiles da proposta é os 15 bilhões, muito aquem do valor considerado adequado pelo mercado, mas a idéia é muito boa e poderá, finalmente, resolver o problema da fragilidade dos bancos espanhois. Acredito que na próxima semana o mercado deverá reavaliar e concluir que é uma boa proposta, ou pelo menos um bom ponto de partida.
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Ainda não leu o Teoria Geral?
Segundo o jornal Valor o IPCA "surpreendeu negativamente economistas",heterodoxos, presumo, já que os demais, haviamos, alertado ser necessário esperar o número de abril para ter um retrato adequado da inflação. Portanto, este pobre blogueiro, modestia aparte, não está nenhum pouco surpreso, e sua opinião, a respeito de abril, está registrada em vários posts. Tão pouco é surpresa a excelente performance da massa salarial real, da ocupação e do rendimento real no primeiro trimestre, indicativos de um mercado de trabalho em pleno emprego e cuja pressão sobre a demanda não é maior em razão do endividamento das familias. O comportamento deste último é fundamental para entendermos o desempenho da economia e da inflação no segundo semestre. A minha aposta continua sento num segundo semestre com uma demanda mais forte que, somado a manutenção da política cambial, deverá refletir em mais pressão sobre a inflação.
Parece que a Presidenta não gostou nada do último informativo semanal da Febraban. Uma passagem, em particular, parece te-la incomodado: "alguem já disse que você pode levar uma cavalo até a beira do rio, mas não conseguirá obrigá-lo a beber".Não sei se alguem já lhe informou que ele é considerado o mais antigo(primeiro registro é de 1175) proverbio, ainda em uso, no mundo de lingua inglesa, "You Can Lead A Horse To Water But You Cant Make It Drink". Ele expressa, com apropriada ironia, a visão do Keynes a respeito da política monetária. Fato este conhecido por quem já leu o Teoria Geral do Keynes , como é o caso, de todos os alunos da disciplina de Macroeconomia I, do curso de graduação em economia da Católica de SP. É nestas horas que se percebe a importancia da formação baseada no estudo dos textos originais do autores e não, apenas, em livro texto, como é regra na maioria dos cursos de graduação em economia.
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Sobre Poodle, Banco Central e Estadão
"A domesticação do Banco Central (BC) poderá custar caro ao Brasil, como custou, em outros tempos, a sua subordinação ao ministro da Fazenda ou a quem comandasse a política econômica. Longe de ser um luxo, a autonomia operacional da autoridade monetária é uma garantia de segurança contra desmandos do governo, um contrapeso para a irresponsabilidade fiscal e uma proteção contra a política eleitoreira e os interesses partidários de curto prazo. As lições de um passado não muito remoto mantêm clara a lembrança de todos esses males. Ninguém, no Palácio do Planalto, deveria desconhecê-las. No entanto, já não pode haver dúvida sobre a influência da presidente Dilma Rousseff na política oficial de juros, principal instrumento da administração monetária. A mansidão do presidente do BC diante da ingerência palaciana encoraja as pressões de ministros, empresários, sindicalistas e políticos e desmoraliza a instituição"(Editorial do Estadão de 09.05.2012).
O paragrafo acima é o primeiro de um editorial virulento do velho jornal Estadão acusando o Banco Central de ter sido domesticado pela atual administração. Infelizmente, devo reconhecer que ele tem razão. A aposta atual de política monetária do Banco Central é resultado de uma decisão política da atual administração, que ele aceitou com extrema docilidade e obediência. Com isto o Bacen deixa de ser o Poodle do mercado e passa a ser o Poodle da Dilma. Não deixa de ser avanço, afinal ela foi - é sempre bom lembrar - democraticamente eleita. A autonomia operacional está longe de ser um tema consensual e entre os opositores, no passado, encontramos figuras como Simonsen e a Dama de Ferro, não exatamente conhecidos pelo esquerdismo político. Sou favorável a autonomia operacional, por reconhecer que o horizonte do político não é o mesmo da política econômica. Reconheço, no entanto, que se, por um lado resolve um problema, cria, potencialmente, um outro: o risco do Banco Central ser capturado pelo mercado e por isto me parece que deveríamos olhar com carinho para o longo e bem sucedido histórico do Itamaraty, como modelo a ser adotado - com as alterações pertinentes - pelo Bacen, que deve estar a serviço do interesse nacional e não deste ou daquele agrupamento político.
O Banco Central errou feio ao responder ao Estadão.Ao faze-lo confirmou as acusações e, pior ainda, seu Presidente, demonstrou, mais uma vez, não estar a altura do cargo que ocupa. A liturgia do cargo exige um padrão de comportamento que ele parece ser incapaz de aceitar e desempenhar.
terça-feira, 8 de maio de 2012
Melhor do que o desejado pela midia anglo-americana
Enquanto os politicos grecos com seu radicalismo infantil, botam lenha da fogueira da instabilidade política e econômica de um dos lugares mais bonitos deste planeta, a midia aos poucos vai reconhecendo que nada de essencial deverá ser alterado com a eleição do Hollande. Afinal, governos de orientação politica diferentes na Alemanha e na França, no passado, foram ótimos parceiros e fundamentais no bom andamento do projeto de integração europeia. Não há motivo algum para esperar algum diferente da dupla Merkel e Hollande. O interesse nacional e a memoria da carnificina do século passado, são fortes incentivos para a manutenção da histórica parceria destes dois paises. Fato este conhecido pela midia britanica, que parece, como sua elite política, torcer para que não tenha vida longa. Desejo que dificilmente será realizado.
Boa parte da Europa patina, mas a velha Alemanha, continua dando sinais que, por enquanto, continua vivendo em outro mundo, como atesta a boa performance da produção industrial em março: crescimento de 2.8%. Risco de recessão diminui bastante, ainda que, não possa ser descartado. Naturalmente este resultado poderá ajudar a desanuviar um pouco o ambiente na zona do euro, mas não tanto quanto seria necessário. Medidas favoraveis ao crescimento continuam sendo urgentes, sem contudo, negar a austeridade. Lembrando que a oposição entre as duas é falsa e fruto das tolices dos dois lados que disputam a hegemonia da agenda da politica econômica na zona do euro.
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Apenas um breve faniquito
O mercado, por enquanto, reagiu muito bem ao resultado da eleição de um socialista para Presidente da França. Na abertura, houve um certo faniquito, rapidamente superado, com os spreads entre o titulo de 10 anos alemão, inalterado no caso italiano e pequeno aumento em relação ao espanhol. A vitoria do Hollande era esperada e ele, apesar de pouco conhecido, é mais um produto da ENA, a escola de formação de quadros da elite francesa. A relação com a Alemanha, não deverá mudar significativamente e os dois continuam dando as cartas na União Europeia. É bom lembrar que a posição do eleito em relação a atuação do BCE não é diferente da visão do ex-presidente o que implica afirmar que alguma forma de acomodação deverá ser negociada, sem alterar a essência do compacto fiscal. Um prazo e valor maior é menos relevante que um compromisso, crível, que o desequilibrio fiscal será enfrentado e resolvido. O mercado está mais preocupado com este compromisso, que com os prazos, pelo menos em relação a alguns países. A relação com a Merkel deverá, inclusive, melhorar, já que ele, ao contrário do seu predecessor, é um homem normal, dentro do figurino que o povo frances espera de seu presidente.
Preocupante o resultado da eleição na Grecia que, provavelmente, levará a novas eleições em um curto espaço de tempo, aumentando ainda mais as incertezas em relação ao seu futuro. Outra fonte de preocupação é a decisão da Espanha de sair em socorro do seu terceio maior banco. A frágil situação do seu sistema bancário era bem conhecida, mas não se imaginava que seria necessario colocar recursos públicos para evitar um cenário ainda pior. Resta esperar para saber o impacto sobre a já complicada situação do estado espanhol, assim como a reação do mercado.
domingo, 6 de maio de 2012
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Noticias do Imperio...
Os números do mercado de trabalho americano confirmam, mais uma vez, a avaliação deste pobre blogueiro a respeito da anêmica recuperação da economia americana. Foram criados 115.000 novos postos de trabalhos, quando o esperado era cerca de 160.000, como o número será revisado, e tomando como parametro a revisão dos números de fevereiro e março - que adicionou mais 53.000 mil postos de trabalho - não é improvável que ele fique próximo do valor esperado pelo mercado. Contudo, isto não não altera o aspecto mais importante do mercado de trabalho no Imperio: o mumero de adultos na força de trabalho continua em queda, tendo alcançado o valor de 1981, 63.6%, o que torna pouco relevante a queda no desemprego, 8.1% contra 8.2% do mês passado. Em outras palavras, aumentou o numero de americanos sem esperança de encontrar emprego o que implica afirmar que não se trata, apenas, de desemprego criado pelo ciclo de negócios, mas algo mais grave, desemprego estrutural. Como não se sente encorajado a procurar emprego, tende a ficar um período mais longo fora do mercado de trabalho o que, por sua vez, torna o seu retorno ainda mais difícil, já que ficará desatualizado em relação ao conhecimento requerido pelo mercado de trabalho.
Infelizmente os números não são ruins o suficiente para, justificar, a adoção de um nova rodada de QE, em um ambiente político fortemente polarizado em razão da eleição presidencial. Isto reduz o grau de liberdade do policy maker na área fiscal e na monetária. Bernanke deverá esperar por novos dados para tomar qualquer decisão,mas, minha aposta é em nova rodada de afrouxamento monetário(QE).
No grande bananão, a reação da velha e da nova direita à mudança na remuneração da poupança foi, como esperado, negativa, merecendo destaque a manchete do Jornal da Ditranda, cuja especialidade parece ser transformar noticia boa em tragedia nacional.E pensar que o diretor de redação, quando jovem, já foi um homem de esquerda e esperança de uma imprensa renovada a serviço do Brasil.
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Tudo pelo crescimento...
Parece que finalmente a atual administração resolveu encarar o vespeiro político chamado remuneração da poupança. Qualquer menção à mudanças, mesmo que necessárias, é doloroso e perigoso, politicamente falando,em razão da memória do famigerado plano collor. As propostas que circulam pela midia parecem bem interessantes e garantem uma remuneração adequada da poupança, sem manter a política de juros na camisa de força do modelo atual. Sem a alteração no sistema atual, seria dificil manter a politica da atual administração de corte agressivo da taxa de juros, já que com as taxas cobradas pelos bancos, mais o IR, outras formas de investimentos perderiam para a poupança e ,no limite, colocaria em risco a própria rolagem da divida pública. A opção brigar pela redução das taxas dos bancos, ainda que correta, parece ter sido descartada, já que o resultado seria bastante incerto.
Com a decisão de mudar as regras da poupança, a atual administração deixa claro, se necessário ainda fosse, sua disposição de levar a taxa de juros para um nível que será histórico e, por isto mesmo, uma marca da gestão Dilma. Se somarmos a esta decisão, a política em relação ao câmbio, não resta sombra de duvida quanto ao objetivo da política econômica: crescimento com inflação, ou seja a velha e manjada opção dos desenvolvimentistas. Por enquanto a inflação não é um problema mas, como mencionado em outros posts, dificilmente este será o caso a partir do segundo semestre e com certeza em 2013. Com a inflação colocada em segundo plano, a reversão da política monetária em 2013 passa ser pouco provável.
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Tolices na america espanhola
Parece que a insensatez é altamente contagiosa na america espanhola. Primeiro foi a decisão da Presidente da nossa charmosa colonia, agora é vez do simpatico Presidente da Bolivia usar da mesma tática para agradar sua base social e eleitoral, que não anda nada feliz com o seu governo. Estatizar sempre agrada ao nacionalista de plantão, melhor ainda quando a empresa é da mesma nacionalidade da antiga metropole do período colonial. Vingança, tardia, mas vingança. Passada a euforia, uma questão se coloca: o que fazer com a empresa? afinal a Bolivia não tem condições de fazer os investimentos necessários e teria sido muito melhor ter forçado o antigo proprietário a faze-lo. Alem disto, há ainda a questão da percepção externa a respeito da segurança dos investimentos estrangeiros na Bolivia. Porque investir em um país em que há, aparentemente, um novo surto de expropriação do investimento externo? Ele é, sabidamente, fundamental para garantir melhores condições de vida ao sofrido povo boliviano. Imaginava que depois das tolices no inicio de seu governo e da adoção de uma política econômica que está longe, muito longe de ser populista, ele teria dado adeus aos devaneios do passado, a visão do estado como criador de riqueza e reconhecido que esta última é função do setor privado. Cabe ao estado garantir uma justa distribuição da riqueza criada pelo setor privado. Insistir no caminho estatista é um erro que será pago, como sempre, pelos mais pobres.
terça-feira, 1 de maio de 2012
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Austeridade não é o remedio para todos os males..
Mais um belo presente da S&P para a Espanha : rebaixou a nota de 11 bancos espanhois. A medida já era esperada e , portanto, já havia sido antecipada pelo mercado. Ela, no entanto, vem reforçar o diagnóstico sobre a fragilidade de seus bancos e a necessidade, urgente, de recapitalização. O FMI já havia alertado para o problema e sugerido meios para resolve-lo. A solução obvia é o esquema do "Bad Bank" adotado pela Irlanda, com resultados, ainda, controversos, por piorar a situação fiscal do estado, tornando ainda mais dolorosa e demorada a retomada do crescimento econômico. Na atual situação da Espanha este modelo é totalmente inviável. Pensando nisto, a atual administração sugere uma variante deste modelo em que participariam somente os bancos com provisões adequadas para empréstimos duvidosos. Com isto seria possível separar o joio do trigo e aumentar a oferta de crédito, crucial para a retomada do crescimento econômico. A idéia é interessante, mas é difícil avalia-la sem conhecer maiores detalhes. No entanto é fato que ela seria uma opção melhor que simplesmente pedir socorro a União Européia, já que a perda de credibilidade levaria, inevitavelmente, a um pacote completo de bailout, que não interessa a ninguem. A solução seria mais simples e fácil caso o BCE pudesse desempenhar a função clássica de um banco central. Infelizmente, sabemos não ser o caso, devido a firme oposição teutônica.
A Espanha, naturalmente, continua na marca do penalti, mas não acredito na inevitabilidade de um bail out ao estilo grego, pelo simples e bom motivo que a sua economia é bem melhor e a causa da crise ser bem diferente. Insistir exclusivamente no caminho da austeridade é, no entanto, criar uma situação de profecia auto-realizada.
domingo, 29 de abril de 2012
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Nada de novo front...
Não é pessimismo exagerado afirmar que a economia espanhola vai ficar muito pior, antes de apresentar sinais de melhora. O desemprego está em 24.4%, atingindo 52% da força de trabalho abaixo dos 25 anos. Entrando em mais uma recessão que deverá ser profunda devido a politica de austeridade, recebeu um presente adicional da S&P: rebaixamento para "triple B plus". Dificilmente este será a última queda. Neste cenário não é de estranhar o patamar do yield do benchmark nesta sexta feira, 5.97%. Preocupa, também, a situação dos seus bancos. É um conjunto de más noticias que mantem a Espanha na marca do penalti.
A situação terrivel da economia espanhola, impacta negativamente sobre a italiana, como atesta o resultado do leilão de divida pública nesta sexta feira. O yield do benchmark alcançou 5.84%, contra 5.24% do leilão de marco e 5.72% no mercado secundário. É bem menos preocupante que a espanhola, mas a contaminação poderá criar uma situação de profecia auto-realizada nos dois países. O risco na italia, por enquanto é baixo, já na Espanha é alto.
No Imperio o crescimento foi menor que o esperado pelos otimistas de plantão, mas não por este pobre blogueiro. A recuperação tem sido anemica com momentos que lembra a falsa recuperação de um moribundo.
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Poder da retorica e miseria da teoria...
Em interessante artigo no Valor desta quinta-feira, Oreiro, rebate o que ela chama de " velha cantilena[do pensamento ortodoxo] de que a injustiça social reinante em nosso país é resultado das políticas desenvolvimentistas em voga desde a era Vargas, que protegeram o setor industrial, atuando assim como catalizador de um processo injusto de redistribuição de renda da maioria da sociedade para alguns poucos setores privilegiados da economia brasileira". É fato reconhecido ate pelas velhinhas de Taubate que o padrão de desenvolvimento capitalista no Brasil, para usar uma expressão cara a conhecida escola de sociologia econômica do interior de sp,foi concentrador de rendas e reforçou um padrão secular de injustiça. A industrialização, sinonimo de desenvolvimento econômico, chegou a ser chamada, inclusive, também, de novo nome para a paz. A expectativa era imensa, mas o resultado, do ponto de vista da justiça social, ficou muito a desejar na grande maioria dos países. Ele é, obviamente, o resultado do tipo de industrialização/desenvolvimento econômico adotado e é necessario reconhecer este fato, pra construir o projeto de um desenvolvimento/industrialização que com inclusão social. E este é o grande detalhe ausente na agenda do auto-denominado novo desenvolvimentismo.
Também fato, reconhecido, por ele que a desvalorização do real produz uma redução do salário real. Retomando o argumento do Bresser Pereira, afirma ser , se for bem-sucedida, temporaria. E se não for bem sucedida? A historia econômica brasileira é um longo elenco de promessas, aos trabalhadores, que nunca foram honradas. Porque seria diferente desta vez? O empresário brasileiro sente saudades, para usar uma expressão do esforçado economista da ditadura, das tetas do Estado brasileiro, que sempre esteve a sua disposição, garantindo-lhe retornos de infame saudosa memória. Este padrão tem que ficar no passado e devemos criar um outro fundado na idéia de economia social de mercado, da combinação de uma pulsante e rica economia de mercado com justiça social. Todos sabemos que o mercado é o melhor meio já conhecido para criar riqueza, mas que esta longe de conseguir distribui-la respeitando o principio da justica social.
Para rebater o argumento do Oreiro não é preciso ser membro do pensamento ortodoxo, é suficiente conhecer o modelo kaldor-pasinetti.
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Austeridade e inadimplencia
Com a inadiplência em alta os bancos privados, aparentemente, teriam um forte argumento para contrapor-se a demanda da atual de administração em relação aos juros. Não me parece ser o caso, já que a lucratividade dos bancos ainda se encontra em nível pra lá de saudável e o caminho para resolver o problema da inadiplencia é a formatação de um novo modelo de avaliação de crédito adequado ao novo cliente no mercado, a festejada nova classe média. Há, também, espaço pra melhorar o indice de eficiência que, no mundo de compadres, não era prioridade numero um. Agora passa a ser. A solução, como em outras áreas da econômia, é ganhos de eficiência. O resto é papo pra boi dormir.
Na área internacional já aparecem os primeiros sinais de stress entre o candidato socialista a presidência francesa e o governo alemão. Merkel não gostou nada da das criticas a política de austeridade e, devo reconhecer, ela tem razão. Apenas em parte, naturalmente. Os países que devem, obrigatoriamente, implementar políticas de austeridade, são justamente aqueles que dela discordam e adorariam continuar com a política que os colocou no atual bico de sinuca. O socialista, no entanto, tem razão, quando argumenta não ser ela uma receita para todos os países. Alguns -Alemanha e Holanda, por ex. - tem espaço para seguir política em sentido contrário , já outros, como a França, devem colocar a casa em ordem.
terça-feira, 24 de abril de 2012
Chega de intermediarios, Coutinho no Bacen
Ótima entrevista com o presidente do BNDEs, Coutinho, um dos raros economistas do primeiro time da conhecida escola de sociologia econômica do interior. Confirma, aquilo, que já é quase certo: a taxa de juros deve continuar em queda. Reconhece não ser esta sua responsabilidade, mas se isto fosse realmente verdade, teria optado pelo silêncio, como escolheu a opção falar, é uma boa indicação de quem realmente da as cartas na area monetária na atual administração.
A desaceleração da economia mundial, principalmente dos países asiáticos, abre uma "janela de oportunidade" para o Brasil reduzir os juros, na opinião do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). "Não há razão para o Brasil não testar taxas de juros mais baixas, e é o que o Banco Central está fazendo", disse Luciano Coutinho, durante conferência promovida pela Câmara Brasileira-Americana de Comércio.
O presidente do BNDES explicou que a desaceleração global está produzindo moderação nos preços das commodities, principais itens da pauta de exportação brasileira, e ajudando a manter a inflação em níveis mais baixos. Essa conjuntura favorece a redução dos juros no Brasil, mas Coutinho esclareceu, em rápida entrevista após o evento, que cabe ao BC decidir se e quando os juros vão cair.
"Eu não disse que o juro vai cair abaixo de 9%. Disse que a conjuntura internacional, onde os preços de commodities estão mais moderados, a inflação mundial vai estar mais baixa, onde houve uma desaceleração global, é uma janela de oportunidade que o Banco Central está usando. Até onde ele [o juro] vai é uma tarefa do BC, sobre a qual não me cabe fazer comentário ou recomendação", esclareceu.
Em sua palestra, Coutinho disse não acreditar que a economia chinesa vá sofrer um "hard landing" (um pouso forçado). Sua hipótese é a de uma desaceleração suave, com a China crescendo 8,1% em 2012. Esse cenário, à medida que diminui a pressão por importação de commodities brasileiras, também representa uma oportunidade para o Brasil. "É uma oportunidade para termos uma moeda menos apreciada." A desaceleração da Ásia, explicou, é em alguma medida um "cenário bom" para o Brasil, uma vez que permitirá um maior equilíbrio da economia mundial.
Coutinho informou que, possivelmente motivada pela queda da taxa básica de juros (Selic), a demanda por papéis privados de longo prazo está crescendo, o que permitirá ao BNDES mais adiante diminuir sua participação na concessão de crédito de longo prazo, hoje predominante. Segundo ele, há "aperfeiçoamentos" a serem feitos para estimular as operações privadas de prazos maiores, uma agenda na qual vem trabalhando desde o governo Lula. "As condições estão melhorando. Nós enxergamos um potencial já em 2012 de ampliação do mercado de renda fixa privado de longo prazo", assinalou o presidente do BNDES, acrescentando que será necessário desenvolver um mercado secundário de títulos privados.
"O mercado secundário é um pouco ovo e galinha. É preciso que os bancos emissores façam mais 'trading' [negociação de papéis] de curto prazo. Nós mesmos [o BNDES] intensificamos as nossas operações de 'trading' porque, se todo o mundo negocia no curto prazo, a liquidez aumenta. Estamos em entendimento com vários agentes de mercado nos últimos meses para aumentar a liquidez", revelou.
Coutinho acha que os bancos privados têm reagido de forma "cooperativa" na redução dos spreads bancários, em processo forçado por bancos estatais por decisão do governo. Para o presidente do BNDES, há ainda no Brasil, por parte dos investidores, a mentalidade de que os papéis precisam ter rentabilidade alta, liquidez imediata e baixo risco.
"Isso tem a ver com uma cultura que se criou no Brasil, que, para evitar a dolarização, criou uma série de superatrativos para ativos em nossa moeda, uma espécie de quase-moeda de curto prazo. Acho que está na hora de começarmos a nos mover. Isso não se faz de uma forma a destruir confiança. Faz-se de um forma a criar outros ativos, à medida que os juros caem, mais atrativos porque combinam um tratamento tributário e regulatório mais favorável e oferece ao investidor uma alternativa melhor, e ele vai migrando", explicou.
Ele disse que, depois de um 2011 ruim, os investimentos estão voltando. Pesquisa do BNDES mostrou que, no primeiro trimestre, embora os desembolsos tenham recuado 1% em relação ao mesmo trimestre de 2011, as consultas das empresas cresceram 37%. A expectativa do governo é que a taxa de investimento, que vem crescendo, em média, 6% ao ano, avance pelo menos 8%, o dobro do crescimento anual médio esperado para o Produto Interno Bruto (PIB).
O presidente do BNDES, que participa hoje em Nova York de seminário organizado pelo Valor em parceria com o "Financial Times" sobre a Rio +20, explicou que uma boa parte dos investimentos que vêm sendo feitos no Brasil não tem risco de demanda. São investimentos em infraestrutura realizados pelo setor privado por meio de contratos de concessão e parcerias-público-privadas (PPPs). "É um modo mais eficiente de alavancar recursos e investimentos", comentou. "Os desembolsos do BNDES para projetos de infraestrutura crescem há dois anos a uma taxa de 25% ao ano. Em 2012 e 2013, crescerão acima de 25%."
Fonte: Valor
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Alta ansiedade
Mais uma segunda feira de alta ansiedade, causada, fundamentalmente, pelo resultado do primeiro turno da eleição presidencial na França e queda de governo na Holanda. Na França, alem da vitoria apertada do socialista, há um complicador adicional: o bom resultado obtido pela extrema direita. Se somarmos os votos da oposição, fica claro a rejeição da política que esta sendo usada para resolver o crise na zona do euro. Na Holanda, o problema é a recusa do partido mais a direita em apoiar medidas de austeridade que o primeiro ministro do país apoiou com grande ardor em outros paises. Em outras palavras, o governo da Holanda é mais um que é apeado do poder devido a política de austeridade e se o resultado frances for mantido no segundo turno, Sarkozy também tera sido mais uma vitima. A queda destes governos, pela vida democratica das urnas, é bem diferente do ocorrido na Grecia e na Italia, porém tem em comum, a falta de legitimidade das politicas que vem sendo adotadas e isto é muito perigoso porque abre espaço para os extremos do arco político, principalmente a direita. Já a extrema esquerda, por enquanto, é boa em organizar grandes comicios, mas ruim de voto.
Como resultado, aumentou o spread dos titulos de 10 anos em relação ao equivalente alemão: 79 pontos-base o holandes e 145 pontos-base o frances. Não será nenhum surpresa se o holandes perder um dos A.
domingo, 22 de abril de 2012
sexta-feira, 20 de abril de 2012
O ceu ainda não é de brigadeiro...
A semana que começou com alta ansiedade em relação ao leilão de divida espanhola na terça e na quinta, termina mais aliviada como o bom resultado deste último leilão e com a excelente noticia sobre o reforço no caixa do FMI: 430 bilhões, na forma de emprestimos, que não implica em alteração na distribuição de quotas. Vale destacar a participação dos paises emergentes nesta rodada de empréstimos, apesar da demanda deles por aumento no capital do FMI e consequente redistribuição no poder da organização para refletir o novo cenário econômico mundial. Em outras palavras, querem mais poder o que não é bem vindo seja do ponto de vista norte americano ou europeu, felizes que estão com o status quo. Se concordaram com o emprestimo, a ser efetivado, na grande maioria, no próximo encontro em junho é porque receberam em troca, pelo, menos a promessa que a questão será discutida durante este encontro.É bom lembrar que trata-se de um compromisso/promessa e em tese poderá resultar em valor menor que o anunciado. Ele vem em boa hora e aumenta sobremaneira a capacidade de reação no caso de piora da situação na zona do euro. Ele, no entanto, não exclui a necessidade de aumento de capital - e realocação no poder no FMI- pra enfrentar um cenário, pouco provável no momento, de resgate de Espanha e Italia. Outra noticia encourajadora vem da Alemanha: pelo sexto mês consecutivo o "ifo business climax" apresenta evolução positiva, ou seja melhora, consistente, no espirito animal do empresário.
Enquanto isto, no grande bananão, como esperado, nova queda na taxa de juros e dificilmente esta deverá ser a última. A atual administração esta determinada a traze-la para um nível que ela considera mais civilizado, independente, dos riscos de um repique inflacionário a partir do segundo semestre e, seguramente, no próximo ano. Na mesma tocada segue a sua política cambial que no melhor cenário apenas da uma sobrevida a setores da industria, mas que podera, em contrapartida, colocar mais lenha na fogueira da pressão inflacionária. Reafirma, com isto, a aposta no crescimento com alguma inflação no futuro que, como sabemos, é parte do mantra dos velhos desenvolvimentistas que pelo andar da carruagem foi incorporado ao receituario do auto-denominada novo desenvolvimentismo, que pelo jeito de novo tem muito pouco.
Enquanto isto, no grande bananão, como esperado, nova queda na taxa de juros e dificilmente esta deverá ser a última. A atual administração esta determinada a traze-la para um nível que ela considera mais civilizado, independente, dos riscos de um repique inflacionário a partir do segundo semestre e, seguramente, no próximo ano. Na mesma tocada segue a sua política cambial que no melhor cenário apenas da uma sobrevida a setores da industria, mas que podera, em contrapartida, colocar mais lenha na fogueira da pressão inflacionária. Reafirma, com isto, a aposta no crescimento com alguma inflação no futuro que, como sabemos, é parte do mantra dos velhos desenvolvimentistas que pelo andar da carruagem foi incorporado ao receituario do auto-denominada novo desenvolvimentismo, que pelo jeito de novo tem muito pouco.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Uma andorinha so não faz verão...
O volume leiloado foi pequeno, 1.43 bilhões de euros de titulos de 10 anos e 1.1 bilhões de titulos de 2 anos, mas a demanda foi muita boa e o yield, 5.74%, levemente superior ao de janeiro, 5.40%. No mercado sencundário o benchmark(titulo de 10 anos) subiu 7 pontos-base, 5.86%, enquanto o italiano encontra-se em 5.54%, 10 pontos-base do valor de ontem. Como mencionado em outro post era um leilão importante, um teste, segundo o FT, que a Espanha conseguiu passar. Dado o pequeno volume é prematuro afirmar que ela deixou a marca do penalti: ela continuou lá e os solavancos e ataques de nervos vieram pra ficar, já que há, de fato, razões para tal comportamento: bancos que precisam de capitalização urgente, a lamentável situação fiscal das regiões autonomas( inclusive as governadas pela direita), nenhuma perspectiva de crescimento para os próximos dois anos, entre outras.
Ainda não esta confirmado, mas parece que a venda da petroleira estatizada na Argentina, estavava sendo negociada com uma empresa chinesa, pelo valor de 15 bilhões. Se for verdade, fortalece o argumento argentino e abre a possibilidade de uma nova privatização, com um novo marco regulatorio que responda aos interesses da Argentina e do novo proprietário. Mante-la sobre controle público não parece ser a melhor opção, haja vista, a necessidade de novos investimentos que, sabidamente, o estado argentino não tem condições de realizar. O pragmatismo e o interesse nacional argentino recomenda uma nova privatização.
Ainda não esta confirmado, mas parece que a venda da petroleira estatizada na Argentina, estavava sendo negociada com uma empresa chinesa, pelo valor de 15 bilhões. Se for verdade, fortalece o argumento argentino e abre a possibilidade de uma nova privatização, com um novo marco regulatorio que responda aos interesses da Argentina e do novo proprietário. Mante-la sobre controle público não parece ser a melhor opção, haja vista, a necessidade de novos investimentos que, sabidamente, o estado argentino não tem condições de realizar. O pragmatismo e o interesse nacional argentino recomenda uma nova privatização.
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Se ficar o bicho pega, se correr o bicho come
O FMI, finamente, descobriu o ovo de Colombo: o processo de desalavancagem dos banco da zona do euro podera levar, nos próximos 18 meses, a forte reduçao nos seus balanços( 2 tn de euros) e contração na oferta de crédito. Este processo já esta ocorrendo, como mencionado em um post antigo, e é resultado da exigência de maior solidez dos balancos dos bancos. Como a capitalização tradicional esta dificil , o caminho que resta é a venda de ativos e redução de empréstimos. Uma outra alternativa, sugerida pelo Blanchard, é injetar recursos publicos diretamente nos bancos, ou seja torna-lo quase bancos públicos. Esta foi a politica adotada no Reino Unidos e em outros países no auge da crise econômica e que, sabidamente, enfrenta forta resistência por parte de segmentos importantes da população da zona do euro obrigada a apertar os cintos por culpa, em grade parte, do comportamento pouco virtuoso destes mesmos bancos. É a velha historia: privatização dos lucros, socialização dos prejuizos, porém, a alternativa, é ainda pior, pois agrava a crise econômica e em última instancia o bem estar da maioria da população.
É sem dúvida uma situação delicada e quem vem somar aos outros problemas da zona do euro, como é o caso, da equivocada politica de austeridade para todos os paises, como cura para todos os males. O correto, como argumentamos em vários posts, é um mix de austeridade e politica expansionista, de acordo com a analise caso a caso, ou seja dos fundamentos de cada país da zona do euro. Uma regra única não é, seguramente, a solução, mas o beijo da morte para alguns países...
É sem dúvida uma situação delicada e quem vem somar aos outros problemas da zona do euro, como é o caso, da equivocada politica de austeridade para todos os paises, como cura para todos os males. O correto, como argumentamos em vários posts, é um mix de austeridade e politica expansionista, de acordo com a analise caso a caso, ou seja dos fundamentos de cada país da zona do euro. Uma regra única não é, seguramente, a solução, mas o beijo da morte para alguns países...
terça-feira, 17 de abril de 2012
A nossa mais charmosa colonia...
Recentemente um respeitável economista de esquerda declarou seu apreço pela política econômica argentina. Confesso que à epoca fique perplexo, mas como o admiro e respeito, fiquei em silêncio. Fico pensando qual foi a sua reação a noticia da estatização da petroleira de propriedade espanhola. Provavelmente, deve aprovar. Este pobre bloqueiro, reacionário segundo a turma que se passa por economista pelas bandas do meu prato predileto, considera esta mais uma tolice do conjunto de esquerdismo infantil da nossa mais charmosa colonia. A decisão piora, naturalmente, a visão que o mercado internacional dela tem, mas a sua preocupação, principal, parece ser somente com o público interno. Um ato a mais no grande circo em que se transformou a Argentina e mais barato, convenhamos, que uma nova invasão das Malvinas. Cai como uma luva para encobrir os equivocos da sua política econômica, mas, como não é solução, apenas posterga o conhecimento da verdade.
Imagino que no seu intimo há forte desejo de também pegar pesado com a petroleira brasileira. Em parte isto já vem ocorrendo, mas com o cuidado de não melindrar o governo brasileiro. Ate quando, sabe se lá. Há, por acaso, algum metodo nesta loucura? Acredito que a resposta é não. Dai, tudo ser possível. Nossa colonia parece ter um desejo irresistivel de ficar sozinha, de viver em total solidão. Quem somos nos para dizer não?
Imagino que no seu intimo há forte desejo de também pegar pesado com a petroleira brasileira. Em parte isto já vem ocorrendo, mas com o cuidado de não melindrar o governo brasileiro. Ate quando, sabe se lá. Há, por acaso, algum metodo nesta loucura? Acredito que a resposta é não. Dai, tudo ser possível. Nossa colonia parece ter um desejo irresistivel de ficar sozinha, de viver em total solidão. Quem somos nos para dizer não?
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Espanha ainda na marca do penalti...
A semana começa como terminou na sexta-feira: mercado nervoso com expectativas pessimistas sobre o futuro da economia espanhola, traduzido em aumento de 9 pontoS-base no benchmark espanhol, fechando em 6.07%, com impacto sobre o italiano de mesma maturidade, que subiu 7 pontos-base e esta em 5.59%. Como mencionado, no post de sexta feira, amanha tem leilão de titulos espanhois de curto prazo e na quinta-feira de titulos de 10 e de 2 anos.
A situação fiscal da Espanha é perfeitamente administrável, apesar do comportamento pouco virtuoso das regiões autonomas sobre forte pressão pra dançar conforme a música de Berlim ou perder parte significativa da autonomia duramente conquistada. A direita espanhola velha de guerra, defensora de uma Estado centralizado e, se possível, sem regiões autonomas, saliva de prazer diante da possibilidade de finalmente realizar o seu sonho dourado. Ironicamente, possível, graças a incompetencia dos socialistas espanhois.
O calcanhar de aquiles espanhol são seus bancos que precisam urgentemente de nova capitalização via mercado o que não é nada fácil no momento atual. Recorrer ao BCE, por enquanto, ainda não é uma alternativa, mas poderá tornar-se inevitável muito antes do que se imagina. Aos poucos, tambem, o mercado começa a reconhecer que a austeridade vai deixar, no curto prazo, a situação ainda pior o que podera traduzir-se em conflitos politicos e sociais. Em outras palavras, austeridade = ausencia de crescimento = aumento no desemprego = queda de arrecadação, que ,somados, é um Deus nos acuda...
A situação fiscal da Espanha é perfeitamente administrável, apesar do comportamento pouco virtuoso das regiões autonomas sobre forte pressão pra dançar conforme a música de Berlim ou perder parte significativa da autonomia duramente conquistada. A direita espanhola velha de guerra, defensora de uma Estado centralizado e, se possível, sem regiões autonomas, saliva de prazer diante da possibilidade de finalmente realizar o seu sonho dourado. Ironicamente, possível, graças a incompetencia dos socialistas espanhois.
O calcanhar de aquiles espanhol são seus bancos que precisam urgentemente de nova capitalização via mercado o que não é nada fácil no momento atual. Recorrer ao BCE, por enquanto, ainda não é uma alternativa, mas poderá tornar-se inevitável muito antes do que se imagina. Aos poucos, tambem, o mercado começa a reconhecer que a austeridade vai deixar, no curto prazo, a situação ainda pior o que podera traduzir-se em conflitos politicos e sociais. Em outras palavras, austeridade = ausencia de crescimento = aumento no desemprego = queda de arrecadação, que ,somados, é um Deus nos acuda...
domingo, 15 de abril de 2012
sexta-feira, 13 de abril de 2012
A beira de um ataque de nervos...
Sexta-feira com as principais bolsas em territorio negativo e o benchmark espanhol(titulo de 10 anos) rompendo a barreira dos 6% e custo do seguro contra o default em niveis perigosamente elevados. A Espanha continua na marca do penalti e a beira de um ataque de nervos com o novo governo, de direita, usando a situação econômica para tentar reverter o grau de autonomia conquistado por regiões como Catalunia, País Basco e Andaluzia, entre outras. É verdade que a gestão fiscal destes entes autonomos tem ficado muito a desejar e a continuidade desta pratica coloca, naturalmente, em risco o pacote econômico da nova administração. O enquadramento fiscal destas regiões é, portanto, necessário, sem , no entanto, atingir em cheio a autonomia. Missão, sem duvida, muito dificil e que podera criar ainda mais tensão política que é tudo que a Espanha não precisa no momento. É sempre bom lembrar que o risco de contaminação é real, como podemos verificar no comportamento do benchmark italiano na semana passada. A situação é delicada e o próximo capitulo deste dramalhão é o leilão de titulos espanhois na terça feira da próxima semana. Melhor relaxar no fim de semana.
Enquanto isto a China continua em processo de "soft landing" sob a competente batuta da sua autoridade econômica. É sem dúvida uma ótima noticia, já que havia o temor de um movimento mais brusco que seria um risco pra infartada economia mundial. Já no grande bananão, continua a novela da taxa de juros, com os bancos, como de costume, defendendo com unhas e dentes sua posição e exigindo contrapartidas da União para reduzir os juros e ampliar o credito. O comportamento dos bancos é indefensável, haja vista a sua escandolosa lucratividade, e o resultado, se mantida a posição atual, é perda de fatia de mercado. O HSBC concordou em reduzir a sua taxa minima, sem alterar a máximo, o que é um bom sinal, porém não implica, necessariamente, em queda nas taxas praticadas.
Enquanto isto a China continua em processo de "soft landing" sob a competente batuta da sua autoridade econômica. É sem dúvida uma ótima noticia, já que havia o temor de um movimento mais brusco que seria um risco pra infartada economia mundial. Já no grande bananão, continua a novela da taxa de juros, com os bancos, como de costume, defendendo com unhas e dentes sua posição e exigindo contrapartidas da União para reduzir os juros e ampliar o credito. O comportamento dos bancos é indefensável, haja vista a sua escandolosa lucratividade, e o resultado, se mantida a posição atual, é perda de fatia de mercado. O HSBC concordou em reduzir a sua taxa minima, sem alterar a máximo, o que é um bom sinal, porém não implica, necessariamente, em queda nas taxas praticadas.
quinta-feira, 12 de abril de 2012
Mais piadas...
Um dia um homem entrou na biblioteca, foi a seção de referência e pediu por livros de economia. Para a surpresa da bibliotecária nenhum dos livros de economia estavam na seção de referência. "Não há problema. Eu posso ir a outra biblioteca. Sou um homem muito ocupado e tirei este fim de semana para estudar economia"
Curiosa com a figura, a bibliotecária não resistiu e perguntou ao sujeito: "Mas por que é tão urgente para o senhor estudar economia ?"
"É que eu sou economista. Estou dando aulas nesta universidade já fazem dez anos. Como eu tenho uma importante reunião da segunda-feira, imagino que a economia tenha mudado nos últimos dez anos."
****
Uma mulher estava caminhando pela vizinhança quando um menino dirigiu-se a ela: "Senhora, você gostaria de ter estes cachorrinhos ? Eles são recém-nascidos, mas daqui a pouco já podem se mudar"
"Oh, que bonitinhos! Que raça são eles ?"
"São economistas."
A mulher gostou dos cachorros e falou com seu marido. Uma semana depois o marido viu os cachorros.
"Senhor, gostaria de um cachorrinho ?"
"Minha mulher falou com você há uma semana atrás. Que raça são eles mesmo ?"
"São analistas de decisão"
"Imaginei que minha mulher tivesse dito que eram economistas."
"Claro, é que eles abriram os olhos durante esta semana."
*****
Dois guardas estavam perseguindo um bandido. Um deles então começou a calcular a estratégia mista ótima para a perseguição, enquanto outro protestou: "Você está bobeando! Ele está fugindo!", "Relax", respondeu o policial adepto a Teoria dos Jogos."Ele estará pensando no assunto também, não estará ?"
*****
Um economista experiente e um economista não tão experiente estavam andando, quando avistaram uma merda na calçada.
O economista experiente falou: "Se você comer esta merda eu te dou $ 20.000,00". O economista não experiente calculou o problema de otimização e concluiu que o ótimo seria comer a merda a fim de pegar o dinheiro.
Os dois continuaram andando pela rua até que quase pisaram em outra merda. O economista não tão experiente disse: "Agora se vo-cê comer esta merda eu te dou $ 20.000,00."
Após avaliar cuidadosamente, o economista experiente comeu a merda e pegou o dinheiro.
Continuaram caminhando, enquanto o economista não tão experiente divagava: "Veja, nós dois temos a mesma quantidade de dinheiro que tínhamos antes, mas ambos comemos merda. Eu não nos vejo em uma posição ótima."
O economista experiente disse. "Bem, é verdade, mas você está subestimando o fato de que nós dois estivemos envolvidos num comércio de $ 40.000,00!"
Curiosa com a figura, a bibliotecária não resistiu e perguntou ao sujeito: "Mas por que é tão urgente para o senhor estudar economia ?"
"É que eu sou economista. Estou dando aulas nesta universidade já fazem dez anos. Como eu tenho uma importante reunião da segunda-feira, imagino que a economia tenha mudado nos últimos dez anos."
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Uma mulher estava caminhando pela vizinhança quando um menino dirigiu-se a ela: "Senhora, você gostaria de ter estes cachorrinhos ? Eles são recém-nascidos, mas daqui a pouco já podem se mudar"
"Oh, que bonitinhos! Que raça são eles ?"
"São economistas."
A mulher gostou dos cachorros e falou com seu marido. Uma semana depois o marido viu os cachorros.
"Senhor, gostaria de um cachorrinho ?"
"Minha mulher falou com você há uma semana atrás. Que raça são eles mesmo ?"
"São analistas de decisão"
"Imaginei que minha mulher tivesse dito que eram economistas."
"Claro, é que eles abriram os olhos durante esta semana."
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Dois guardas estavam perseguindo um bandido. Um deles então começou a calcular a estratégia mista ótima para a perseguição, enquanto outro protestou: "Você está bobeando! Ele está fugindo!", "Relax", respondeu o policial adepto a Teoria dos Jogos."Ele estará pensando no assunto também, não estará ?"
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Um economista experiente e um economista não tão experiente estavam andando, quando avistaram uma merda na calçada.
O economista experiente falou: "Se você comer esta merda eu te dou $ 20.000,00". O economista não experiente calculou o problema de otimização e concluiu que o ótimo seria comer a merda a fim de pegar o dinheiro.
Os dois continuaram andando pela rua até que quase pisaram em outra merda. O economista não tão experiente disse: "Agora se vo-cê comer esta merda eu te dou $ 20.000,00."
Após avaliar cuidadosamente, o economista experiente comeu a merda e pegou o dinheiro.
Continuaram caminhando, enquanto o economista não tão experiente divagava: "Veja, nós dois temos a mesma quantidade de dinheiro que tínhamos antes, mas ambos comemos merda. Eu não nos vejo em uma posição ótima."
O economista experiente disse. "Bem, é verdade, mas você está subestimando o fato de que nós dois estivemos envolvidos num comércio de $ 40.000,00!"
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Martin Wolf e o Bundesbank
Wolf é um dos melhores analistas econômicos da midia anglo-americana e por isto sempre vale a pena ler o que ele escreve, mesmo sabendo que sua analise da crise da zona do euro mostrou-se exageradamente pessimista e, em vários aspectos, equivocada. Ele acerta, no entanto, na avaliação do Bundesbank, cujo comportamento tem sido lamentavelmente pouco inspirador e mais destrutivo que construtivo, confirmando, que filosofia é realmente o forte da Alemanha.
How far has the eurozone come towards resolving its crisis? The optimistic answer would be that it has rescued itself from a heart attack, but must still manage a difficult convalescence, with a good chance of further attacks. It must also adopt a regime able to protect itself against future crises. This task, too, is incomplete. But the eurozone has secured time. The big question is how well it now uses it.
Arguably, the crucial step is to agree on the nature of the illness. On this, progress is now being achieved, at least among economists. It is widely accepted that the balance of payments is fundamental to any understanding of the present crisis. Indeed, the balance of payments may matter more in the eurozone than among economies not bound together in a currency union. Hans-Werner Sinn of CESifo, in Munich, has done much to explain, in his words, that “the European Monetary Union is experiencing a serious internal balance of payments crisis that is similar, in important ways, to the crisis of the Bretton Woods System, in the years prior to its demise.” A special issue of the CESifo Forum, published in January 2012, is dedicated to this theme. In March, Bruegel, a Brussels-based think-tank, published a seminal paper on “Sudden Stops in the Euro Area”. Then, in late March, Jens Weidmann, president of the Bundesbank, explored the issue in a speech in London on “rebalancing Europe”.
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In the years of euphoria prior to the financial crisis, private capital flowed freely, not least into countries in southern Europe. Greece, Portugal and Spain ran current account deficits of 10 per cent of gross domestic product, or more. These financed huge excesses of spending over income in private sectors, public sectors, or both. These economic booms also generated large losses in external competitiveness.
Then came the “sudden stops” in private inflows. As the Bruegel paper notes, such stops occurred during the global crisis of 2008 (affecting Greece and Ireland), in the spring of 2010 (affecting Greece, Ireland and Portugal) and, finally, in the second half of 2011 (affecting Italy, Portugal and Spain). In some cases, what happened went beyond a mere stop in inflows. Ireland, for example experienced large capital flight. Of course, when capital ceased to flow to the private sector, activity collapsed and the fiscal position worsened dramatically.
The eurozone was unprepared for such an interruption in cross-border finance: it was believed impossible. Once the stops had happened, the eurozone had two options: force external adjustment on countries shut out of the markets or finance them via official sources. The second was the chosen option, with the European Central Bank the dominant source of finance, in its role as lender of last resort to banks. The ECB has become the “European Monetary Fund” (see charts).
So what is to be done? Mr Weidman describes what he calls a “typical German position”. This is that “the deficit countries must adjust. They must address their structural problems. They must reduce domestic demand. They must become more competitive and they must increase their exports.”
What, in this, is the role of the surplus countries? On this, Mr Weidmann is clear: “it is sometimes suggested that rebalancing should be undertaken by ‘meeting in the middle’, that is by making surplus countries such as Germany less competitive. This suggestion implies that the adjustment as such would be shared between deficit and surplus countries. But the question we have to ask ourselves is: ‘where would this take us? ... [H]ow can Europe succeed ... if we ... give up our hard-won competitiveness? To succeed, Europe as a whole has to become more dynamic, more inventive and more productive.”
Alas, these remarks confuse productivity with competitiveness. Yet these are distinct: the US, for example, is more productive, but less competitive, than China. External competitiveness is relative. Moreover, at the global level, the adjustment must also be shared. Mr Weidmann knows this. As he says, “of course, surplus countries will eventually be affected as deficit countries adjust”. The question is by what mechanism.
The external competitiveness of the eurozone depends on the exchange rate. Yet that is not a policy variable. Members can only seek to improve their competitiveness vis a vis one another. That is exactly what Germany did in the 2000s. Now this must be reversed. Goldman Sachs has provided two excellent pieces of research on what this might imply (“Achieving fiscal and external balance”, March 15 and 22). It concludes that, to achieve a sustainable external position, Portugal needs a real depreciation of its exchange rate of 35 per cent, Greece one of 30 per cent, Spain one of 20 per cent and Italy one of 10-15 per cent, while Ireland is now competitive. Such adjustments imply offsetting appreciation in core countries. Moreover, with average inflation of 2 per cent in the eurozone and, say, zero inflation in currently uncompetitive countries, adjustment would take Portugal and Greece 15 years, Spain 10 years and Italy 5-10 years. Moreover, that would also imply 4 per cent annual inflation in the rest of the eurozone.
Might such an internal adjustment even occur naturally? Yes, it might. At present, the ECB is pursuing an expansionary policy. At the same time, German banks surely want to lend more at home. A huge lending boom in Germany would be a big help. But suppose that did not happen. Then today’s austerity-blighted eurozone would end up with a prolonged period of weak demand. It might, as a result, generate a large shift in its net exports. For the rest of the world, that would be a beggar-my-neighbour policy, impossible to tolerate in hard times. For the eurozone to pursue such a policy, while asking outsiders to increase their finance of its members in difficulty, via additional resources for the International Monetary Fund, would add insult to injury. The outsiders should just say no. They should insist, instead, that additional support must be predicated on two-sided adjustment inside the zone.
The good news is that agreement is emerging on the role in the crisis of the payments imbalances. The bad news is that the eurozone does not yet agree that competitiveness is necessarily relative. As soon as it does, the route to convalescence will at least be clear, however hard.
Fonte: FT
terça-feira, 10 de abril de 2012
Patinho feio não mora mais aqui...
O impacto das noticias da semana passada tem sido forte, com queda das bolsas e afora e leve elevação dos juros dos titulos de 10 anos da Espanha, 5,97% e Italia, 5.66%. O primeiro chegou, inclusive, a romper a barreira dos 6%. As razões do retorno no stress da zona são bem conhecidas: perspectiva de crescimento anemico que deverá ser ainda pior como resutlado de políticas de austeridade, principalmente, na região do mediterraneo. E sem crescimento, risco de piora fiscal e necessidade de capitalização dos bancos torna-se muito difícil a tarefa de tirar a Espanha da marca do penalti. Ela ainda é a bola da vez, sem dúvida, porém, a disputa, com a Itailia, pela nada honrosa posição continua acirrada. Lembrando que a última tem pela frente uma complicada eleição e a lua de mel com os partidos da base do mussolini de hospicio esta com os dias contados. O namoro com a oposição a figura menor da historia política italiana era previsivel, mas não deixa de ser um ingrediente a mais na divertida novela que é a vida política e econômica de um país que pede para não ser levado a serio.
Enquanto isto, no Imperio, a Presidenta, cumpre seu papel e reclama da política americana para o dolar e pede mudanças que, sabidamente, não vai acontecer, pelo simples e bom motivo que tal política não existe. Ela é o resultado da tentativa de evitar um mergulho para pior da economia americana o que, obviamente, não é do interesse nacional americano e muito menos do resto do mundo, Brasil, inclusive. Melhor alocar toda a energia na solução dos problemas internos e aposentar, de vez, o complexo de patinho feio. Afinal, já somos um cisne e deveriamos comportar como tal...
Enquanto isto, no Imperio, a Presidenta, cumpre seu papel e reclama da política americana para o dolar e pede mudanças que, sabidamente, não vai acontecer, pelo simples e bom motivo que tal política não existe. Ela é o resultado da tentativa de evitar um mergulho para pior da economia americana o que, obviamente, não é do interesse nacional americano e muito menos do resto do mundo, Brasil, inclusive. Melhor alocar toda a energia na solução dos problemas internos e aposentar, de vez, o complexo de patinho feio. Afinal, já somos um cisne e deveriamos comportar como tal...
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Semana passada no Imperio...
Semana passada fechou com grande emoção gerada pelos numeros do mercado de trabalho americano. O numero de vagas ficou bem aquem do esperado e o leve recuo no desemprego éxplicado pelo aumento no numero daqueles que desistiram de procurar o emprego. Na revisão do valor do primeiro, é possível que ele aumente, como, alias, já ocorreu em outros meses. Já o resultado do desemprego é preocupante, por indicar mudança de humor que poderá vir a contaminar o consumo das familias. Não é um resultado de todo surpreendente, já havia argumentado em outros posts que a situação do mercado de trabalho era anemica e que a recuperação estava longe de ser uma Brastemp. Os resultados positivos dos últimos meses podem ser explicados pelo inverno ameno que permitiu a manutenção de atividades, normalmente, interrompidas neste período. Impacto parecido já havia ocorrido na Alemanha.
Na zona do euro Espanha voltou a provocar susts com elevação dos juros cobrados pelos seus titulos, movimento este, que acabou levando a movimento no mesmo sentido dos titulos italianos. Aqui, também, não há nenhuma surpresa, já que solavancos deste tipo já eram esperados e pode ser explicado como mais uma forma de pressão sobre a nova administração espanhola, em razão do resultado eleitoral fortemente desfavorável na Andaluzia.
Resta saber qual será o impacto ao longo deste semana.
Na zona do euro Espanha voltou a provocar susts com elevação dos juros cobrados pelos seus titulos, movimento este, que acabou levando a movimento no mesmo sentido dos titulos italianos. Aqui, também, não há nenhuma surpresa, já que solavancos deste tipo já eram esperados e pode ser explicado como mais uma forma de pressão sobre a nova administração espanhola, em razão do resultado eleitoral fortemente desfavorável na Andaluzia.
Resta saber qual será o impacto ao longo deste semana.
domingo, 8 de abril de 2012
sexta-feira, 6 de abril de 2012
SANTA MISSA NA CEIA DO SENHOR - HOMILIA DO PAPA BENTO XVI
Basílica de São João de Latrão
Quinta-feira Santa, 5 de Abril de 2012
Amados irmãos e irmãs!
A Quinta-feira Santa não é apenas o dia da instituição da Santíssima Eucaristia, cujo esplendor se estende sem dúvida sobre tudo o mais, tudo atraindo, por assim dizer, para dentro dela. Faz parte da Quinta-feira Santa também a noite escura do Monte das Oliveiras, nela Se embrenhando Jesus com os seus discípulos; faz parte dela a solidão e o abandono vivido por Jesus, que, rezando, vai ao encontro da escuridão da morte; faz parte dela a traição de Judas e a prisão de Jesus, bem como a negação de Pedro; e ainda a acusação diante do Sinédrio e a entrega aos pagãos, a Pilatos. Nesta hora, procuremos compreender mais profundamente alguma coisa destes acontecimentos, porque neles se realiza o mistério da nossa Redenção.
Jesus embrenha-se na noite. A noite significa falta de comunicação, uma situação em que não nos vemos um ao outro. É um símbolo da não compreensão, do obscurecimento da verdade. É o espaço onde o mal, que em presença da luz tem de se esconder, pode desenvolver-se. O próprio Jesus – que é a luz e a verdade, a comunicação, a pureza e a bondade – entra na noite. Esta, em última análise, é símbolo da morte, da perda definitiva de comunhão e de vida. Jesus entra na noite para a superar, inaugurando o novo dia de Deus na história da humanidade.
Pelo caminho, Jesus cantou com os seus apóstolos os Salmos da libertação e redenção de Israel, que evocavam a primeira Páscoa no Egito, a noite da libertação. Chegado ao destino Ele, como faz habitualmente, vai rezar sozinho e, como Filho, falar com o Pai. Mas, diversamente do que é costume, quer ter perto de Si três discípulos: Pedro, Tiago e João; são os mesmos três que viveram a experiência da sua Transfiguração – viram transparecer, luminosa, a glória de Deus através da sua figura humana – , tendo-O visto no centro da Lei e dos Profetas, entre Moisés e Elias. Ouviram-No falar, com ambos, acerca do seu «êxodo» em Jerusalém. O êxodo de Jesus em Jerusalém: que palavra misteriosa! No êxodo de Israel do Egipto, dera-se o acontecimento da fuga e da libertação do povo de Deus. Que aspecto deveria ter o êxodo de Jesus, para que nele se cumprisse, de modo definitivo, o sentido daquele drama histórico? Agora os discípulos tornavam-se testemunhas do primeiro trecho de tal êxodo – a humilhação extrema –, mas que era o passo essencial da saída para a liberdade e a vida nova, que o êxodo tem em vista. Os discípulos, cuja proximidade Jesus pretendeu naquela hora de ânsia extrema como elemento de apoio humano, depressa se adormentaram. Todavia ainda ouviram alguns fragmentos das palavras ditas em oração por Jesus e observaram o seu comportamento. Estas duas coisas gravam-se profundamente no espírito deles, que depois as transmitiram aos cristãos para sempre. Jesus chama a Deus «Abbá»; isto significa – como eles adiantam – «Pai». Não é, porém, a forma usual para dizer «pai», mas uma palavra própria da linguagem das crianças, ou seja, uma palavra meiga que ninguém ousaria aplicar a Deus. É a linguagem d’Aquele que é verdadeiramente «criança», Filho do Pai, d’Aquele que vive em comunhão com Deus, na unidade mais profunda com Ele.
Se nos perguntássemos qual era o elemento mais característico da figura de Jesus nos Evangelhos, temos de dizer: a sua relação com Deus. Ele está sempre em comunhão com Deus; estar com o Pai é o núcleo da sua personalidade. Através de Cristo, conhecemos verdadeiramente Deus. «A Deus jamais alguém O viu»: diz São João. Aquele que «está no seio do Pai (…) O deu a conhecer» (1, 18). Agora conhecemos Deus, como Ele é verdadeiramente: Ele é Pai; e Pai com uma bondade absoluta, à qual nos podemos confiar. O evangelista Marcos, que conservou as recordações de São Pedro, narra que Jesus, depois da invocação «Abbá», acrescentou: Tudo Te é possível; Tu podes tudo (cf. 14, 36). Aquele que é a Bondade, ao mesmo tempo é poder, é omnipotente. O poder é bondade e a bondade é poder. Esta confiança podemos aprendê-la a partir da oração de Jesus no Monte das Oliveiras.
Antes de reflectir sobre o conteúdo da súplica de Jesus, devemos ainda fixar a nossa atenção sobre o que os evangelistas nos referem a propósito do comportamento d’Ele durante a sua oração. Mateus e Marcos dizem-nos que «caiu com a face por terra» (Mt 26, 39; cf. Mc 14, 35), assumindo por conseguinte a posição de submissão total, como se manteve na liturgia romana de Sexta-feira Santa. Lucas, por sua vez, diz-nos que Jesus rezava de joelhos. Nos Actos dos Apóstolos, fala da oração de joelhos feita pelos santos: Estêvão durante a sua lapidação, Pedro no contexto da ressurreição de um morto, Paulo a caminho do martírio. Assim Lucas redigiu uma pequena história da oração feita de joelhos na Igreja nascente. Ajoelhando-se, os cristãos entram na oração de Jesus no Monte das Oliveiras. Ameaçados pelo poder do mal, eles ajoelham: permanecem de pé frente ao mundo, mas, enquanto filhos, estão de joelhos diante do Pai. Diante da glória de Deus, nós, cristãos, ajoelhamo-nos reconhecendo a sua divindade; mas, com este gesto, exprimimos também a nossa confiança de que Ele vence.
Jesus luta com o Pai: melhor, luta consigo mesmo; e luta por nós. Sente angústia frente ao poder da morte. Este sentimento é, antes de mais nada, a turvação que prova o homem, e mesmo toda a criatura viva, em presença da morte. Mas, em Jesus, trata-se de algo mais. Ele estende o olhar pelas noites do mal; e vê a maré torpe de toda a mentira e infâmia que vem ao seu encontro naquele cálice que deve beber. É a turvação sentida pelo totalmente Puro e Santo frente à torrente do mal que inunda este mundo e que se lança sobre Ele. Vê-me também a mim, e reza por mim. Assim este momento da angústia mortal de Jesus é um elemento essencial no processo da Redenção; de facto, a Carta aos Hebreus qualificou a luta de Jesus no Monte das Oliveiras como um acontecimento sacerdotal. Nesta oração de Jesus, permeada de angústia mortal, o Senhor cumpre a função do sacerdotes: toma sobre Si o pecado da humanidade, toma a todos nós e leva-nos para junto do Pai.
Por último, devemos debruçar-nos sobre o conteúdo da oração de Jesus no Monte das Oliveiras. Jesus diz: «Pai, tudo Te é possível; afasta de Mim este cálice! Mas não se faça o que Eu quero, e sim o que Tu queres» (Mc 14, 36). A vontade natural do Homem Jesus recua, assustada, perante uma realidade tão monstruosa; pede que isso Lhe seja poupado. Todavia, enquanto Filho, depõe esta vontade humana na vontade do Pai: não Eu, mas Tu. E assim Ele transformou a atitude de Adão, o pecado primordial do homem, curando deste modo o homem. A atitude de Adão fora: Não o que quiseste Tu, ó Deus; eu mesmo quero ser deus. Esta soberba é a verdadeira essência do pecado. Pensamos que só poderemos ser livres e verdadeiramente nós mesmos, se seguirmos exclusivamente a nossa vontade. Vemos Deus como contrário à nossa liberdade. Devemos libertar-nos d’Ele – isto é todo o nosso pensar –; só então seremos livres. Tal é a rebelião fundamental, que permeia a história, e a mentira de fundo que desnatura a nossa vida. Quando o homem se põe contra Deus, põe-se contra a sua própria verdade e, por conseguinte, não fica livre mas alienado de si mesmo. Só somos livres, se permanecermos na nossa verdade, se estivermos unidos a Deus. Então tornamo-nos verdadeiramente «como Deus»; mas não opondo-nos a Deus, desfazendo-nos d’Ele ou negando-O. Na luta da oração no Monte das Oliveiras, Jesus desfez a falsa contradição entre obediência e liberdade, e abriu o caminho para a liberdade. Peçamos ao Senhor que nos introduza neste «sim» à vontade de Deus, tornando-nos deste modo verdadeiramente livres. Amen.
Fonte: www.vatican.va
Quinta-feira Santa, 5 de Abril de 2012
Amados irmãos e irmãs!
A Quinta-feira Santa não é apenas o dia da instituição da Santíssima Eucaristia, cujo esplendor se estende sem dúvida sobre tudo o mais, tudo atraindo, por assim dizer, para dentro dela. Faz parte da Quinta-feira Santa também a noite escura do Monte das Oliveiras, nela Se embrenhando Jesus com os seus discípulos; faz parte dela a solidão e o abandono vivido por Jesus, que, rezando, vai ao encontro da escuridão da morte; faz parte dela a traição de Judas e a prisão de Jesus, bem como a negação de Pedro; e ainda a acusação diante do Sinédrio e a entrega aos pagãos, a Pilatos. Nesta hora, procuremos compreender mais profundamente alguma coisa destes acontecimentos, porque neles se realiza o mistério da nossa Redenção.
Jesus embrenha-se na noite. A noite significa falta de comunicação, uma situação em que não nos vemos um ao outro. É um símbolo da não compreensão, do obscurecimento da verdade. É o espaço onde o mal, que em presença da luz tem de se esconder, pode desenvolver-se. O próprio Jesus – que é a luz e a verdade, a comunicação, a pureza e a bondade – entra na noite. Esta, em última análise, é símbolo da morte, da perda definitiva de comunhão e de vida. Jesus entra na noite para a superar, inaugurando o novo dia de Deus na história da humanidade.
Pelo caminho, Jesus cantou com os seus apóstolos os Salmos da libertação e redenção de Israel, que evocavam a primeira Páscoa no Egito, a noite da libertação. Chegado ao destino Ele, como faz habitualmente, vai rezar sozinho e, como Filho, falar com o Pai. Mas, diversamente do que é costume, quer ter perto de Si três discípulos: Pedro, Tiago e João; são os mesmos três que viveram a experiência da sua Transfiguração – viram transparecer, luminosa, a glória de Deus através da sua figura humana – , tendo-O visto no centro da Lei e dos Profetas, entre Moisés e Elias. Ouviram-No falar, com ambos, acerca do seu «êxodo» em Jerusalém. O êxodo de Jesus em Jerusalém: que palavra misteriosa! No êxodo de Israel do Egipto, dera-se o acontecimento da fuga e da libertação do povo de Deus. Que aspecto deveria ter o êxodo de Jesus, para que nele se cumprisse, de modo definitivo, o sentido daquele drama histórico? Agora os discípulos tornavam-se testemunhas do primeiro trecho de tal êxodo – a humilhação extrema –, mas que era o passo essencial da saída para a liberdade e a vida nova, que o êxodo tem em vista. Os discípulos, cuja proximidade Jesus pretendeu naquela hora de ânsia extrema como elemento de apoio humano, depressa se adormentaram. Todavia ainda ouviram alguns fragmentos das palavras ditas em oração por Jesus e observaram o seu comportamento. Estas duas coisas gravam-se profundamente no espírito deles, que depois as transmitiram aos cristãos para sempre. Jesus chama a Deus «Abbá»; isto significa – como eles adiantam – «Pai». Não é, porém, a forma usual para dizer «pai», mas uma palavra própria da linguagem das crianças, ou seja, uma palavra meiga que ninguém ousaria aplicar a Deus. É a linguagem d’Aquele que é verdadeiramente «criança», Filho do Pai, d’Aquele que vive em comunhão com Deus, na unidade mais profunda com Ele.
Se nos perguntássemos qual era o elemento mais característico da figura de Jesus nos Evangelhos, temos de dizer: a sua relação com Deus. Ele está sempre em comunhão com Deus; estar com o Pai é o núcleo da sua personalidade. Através de Cristo, conhecemos verdadeiramente Deus. «A Deus jamais alguém O viu»: diz São João. Aquele que «está no seio do Pai (…) O deu a conhecer» (1, 18). Agora conhecemos Deus, como Ele é verdadeiramente: Ele é Pai; e Pai com uma bondade absoluta, à qual nos podemos confiar. O evangelista Marcos, que conservou as recordações de São Pedro, narra que Jesus, depois da invocação «Abbá», acrescentou: Tudo Te é possível; Tu podes tudo (cf. 14, 36). Aquele que é a Bondade, ao mesmo tempo é poder, é omnipotente. O poder é bondade e a bondade é poder. Esta confiança podemos aprendê-la a partir da oração de Jesus no Monte das Oliveiras.
Antes de reflectir sobre o conteúdo da súplica de Jesus, devemos ainda fixar a nossa atenção sobre o que os evangelistas nos referem a propósito do comportamento d’Ele durante a sua oração. Mateus e Marcos dizem-nos que «caiu com a face por terra» (Mt 26, 39; cf. Mc 14, 35), assumindo por conseguinte a posição de submissão total, como se manteve na liturgia romana de Sexta-feira Santa. Lucas, por sua vez, diz-nos que Jesus rezava de joelhos. Nos Actos dos Apóstolos, fala da oração de joelhos feita pelos santos: Estêvão durante a sua lapidação, Pedro no contexto da ressurreição de um morto, Paulo a caminho do martírio. Assim Lucas redigiu uma pequena história da oração feita de joelhos na Igreja nascente. Ajoelhando-se, os cristãos entram na oração de Jesus no Monte das Oliveiras. Ameaçados pelo poder do mal, eles ajoelham: permanecem de pé frente ao mundo, mas, enquanto filhos, estão de joelhos diante do Pai. Diante da glória de Deus, nós, cristãos, ajoelhamo-nos reconhecendo a sua divindade; mas, com este gesto, exprimimos também a nossa confiança de que Ele vence.
Jesus luta com o Pai: melhor, luta consigo mesmo; e luta por nós. Sente angústia frente ao poder da morte. Este sentimento é, antes de mais nada, a turvação que prova o homem, e mesmo toda a criatura viva, em presença da morte. Mas, em Jesus, trata-se de algo mais. Ele estende o olhar pelas noites do mal; e vê a maré torpe de toda a mentira e infâmia que vem ao seu encontro naquele cálice que deve beber. É a turvação sentida pelo totalmente Puro e Santo frente à torrente do mal que inunda este mundo e que se lança sobre Ele. Vê-me também a mim, e reza por mim. Assim este momento da angústia mortal de Jesus é um elemento essencial no processo da Redenção; de facto, a Carta aos Hebreus qualificou a luta de Jesus no Monte das Oliveiras como um acontecimento sacerdotal. Nesta oração de Jesus, permeada de angústia mortal, o Senhor cumpre a função do sacerdotes: toma sobre Si o pecado da humanidade, toma a todos nós e leva-nos para junto do Pai.
Por último, devemos debruçar-nos sobre o conteúdo da oração de Jesus no Monte das Oliveiras. Jesus diz: «Pai, tudo Te é possível; afasta de Mim este cálice! Mas não se faça o que Eu quero, e sim o que Tu queres» (Mc 14, 36). A vontade natural do Homem Jesus recua, assustada, perante uma realidade tão monstruosa; pede que isso Lhe seja poupado. Todavia, enquanto Filho, depõe esta vontade humana na vontade do Pai: não Eu, mas Tu. E assim Ele transformou a atitude de Adão, o pecado primordial do homem, curando deste modo o homem. A atitude de Adão fora: Não o que quiseste Tu, ó Deus; eu mesmo quero ser deus. Esta soberba é a verdadeira essência do pecado. Pensamos que só poderemos ser livres e verdadeiramente nós mesmos, se seguirmos exclusivamente a nossa vontade. Vemos Deus como contrário à nossa liberdade. Devemos libertar-nos d’Ele – isto é todo o nosso pensar –; só então seremos livres. Tal é a rebelião fundamental, que permeia a história, e a mentira de fundo que desnatura a nossa vida. Quando o homem se põe contra Deus, põe-se contra a sua própria verdade e, por conseguinte, não fica livre mas alienado de si mesmo. Só somos livres, se permanecermos na nossa verdade, se estivermos unidos a Deus. Então tornamo-nos verdadeiramente «como Deus»; mas não opondo-nos a Deus, desfazendo-nos d’Ele ou negando-O. Na luta da oração no Monte das Oliveiras, Jesus desfez a falsa contradição entre obediência e liberdade, e abriu o caminho para a liberdade. Peçamos ao Senhor que nos introduza neste «sim» à vontade de Deus, tornando-nos deste modo verdadeiramente livres. Amen.
Fonte: www.vatican.va
quinta-feira, 5 de abril de 2012
BB esta certo..
Não entendo o espanto e tão pouco a reação a decisão do BB. É claro que é uma decisão de governo e nem um pouco original: empresas estatais sempre foram usadas como instrumento de política econômica, inclusive no governo do FHC. Alias esta é sua própria razão de ser e por isto mesmo perfeitamente legitimo. O problema aparece quando este uso coloca em risco a sua saude financeira e existência no longo prazo como foi o caso, por ex, dos bancos estaduais. Este não me parece ser o caso do BB. A política de redução dos juros e a ampliação dos limites de crédito aos clientes em suas principais linhas é correta e perfeitamente justificavel, haja vista a baixa inadimplência vis à vis a dos bancos privados. Nada justifica o nível elevado de spread no grande bananão e tão pouco o comportamento da taxa de juros cobrada pelos bancos em um momento que a selic esta em queda.
Não há, obviamente, garantia que isto possa levar a redução semelhante nos bancos privados, mas se isto não ocorrer, poderá aumentar a participação do BB no mercado. Como esta política também deverá ser replicada pela CEF, alguma reação se espera do setor privado, alem da reclamação costumeira contra a existência de bancos públicos. Argumentar que há aumento no risco não me parece correto, já que não há indicação de desrespeito a Basileia.
O conjunto de medidas deverá garantir um crescimento razoavel da economia no corrente ano e o risco é que ele seja um pouco acima do equilibrio o que poderá pressionar ainda mais os preços a partir do segundo semestre. Mas, como já mencionamos em vários posts, esta não parece ser a preocupação da atual administração, focada que esta, no crescimento econômico, mesmo com um pouco de inflação.
Não há, obviamente, garantia que isto possa levar a redução semelhante nos bancos privados, mas se isto não ocorrer, poderá aumentar a participação do BB no mercado. Como esta política também deverá ser replicada pela CEF, alguma reação se espera do setor privado, alem da reclamação costumeira contra a existência de bancos públicos. Argumentar que há aumento no risco não me parece correto, já que não há indicação de desrespeito a Basileia.
O conjunto de medidas deverá garantir um crescimento razoavel da economia no corrente ano e o risco é que ele seja um pouco acima do equilibrio o que poderá pressionar ainda mais os preços a partir do segundo semestre. Mas, como já mencionamos em vários posts, esta não parece ser a preocupação da atual administração, focada que esta, no crescimento econômico, mesmo com um pouco de inflação.
quarta-feira, 4 de abril de 2012
A outra alternativa é a morte...
Em artigo bem interessante no jornal da ditabranda desta quarta-feira, Mesquita, observa que se é verdade que em 1985,a parcela da industria no PIB era de 27,2%, tambem é verdade que:
"em 1985, em uma economia forçada à autarquia pela crise do balanço de pagamentos e a carência de reservas internacionais, o desempenho comercial da indústria brasileira era aparentemente mais forte do que o atual.
É verdade, também, que o Brasil era então uma espécie de Grécia tropical, estava virtualmente insolvente, vivia recorrendo ao FMI e falhando em cumprir seus compromissos internacionais.
Mais que isso: em 1985, a economia tinha uma taxa de inflação de 10,8% ao mês. O total do ano chegou a 242%, com viés de alta"(p.B8).
Em outras palavras, ele argumenta que a participação de 1985 é o resultado de uma economia fechada e em situação de anormalidade econômica, logo é incorreto comparar este resultado com a participação atual, 14,6%, já que a economia é bem diferente: aberta e com bons fundamentos econômicos. É uma argumento forte e que não pode ser descartado tão facilmente e que, seguramente, explica a queda da participação, mas não o aumento, recente, na velocidade desta queda. Tão pouco responde a questão sobre o que fazer? Como mencionado ontem protecionismo não é uma solução, mas tão pouco é correto não fazer nada. As medidas do governo não resolvem os problemas de fundo, são de fato apenas um esparadrapo, mas sem elas o risco é o desaparecimento do que resta da industria nacional. E isto, naturalmente, seria uma grande burrice.
"em 1985, em uma economia forçada à autarquia pela crise do balanço de pagamentos e a carência de reservas internacionais, o desempenho comercial da indústria brasileira era aparentemente mais forte do que o atual.
É verdade, também, que o Brasil era então uma espécie de Grécia tropical, estava virtualmente insolvente, vivia recorrendo ao FMI e falhando em cumprir seus compromissos internacionais.
Mais que isso: em 1985, a economia tinha uma taxa de inflação de 10,8% ao mês. O total do ano chegou a 242%, com viés de alta"(p.B8).
Em outras palavras, ele argumenta que a participação de 1985 é o resultado de uma economia fechada e em situação de anormalidade econômica, logo é incorreto comparar este resultado com a participação atual, 14,6%, já que a economia é bem diferente: aberta e com bons fundamentos econômicos. É uma argumento forte e que não pode ser descartado tão facilmente e que, seguramente, explica a queda da participação, mas não o aumento, recente, na velocidade desta queda. Tão pouco responde a questão sobre o que fazer? Como mencionado ontem protecionismo não é uma solução, mas tão pouco é correto não fazer nada. As medidas do governo não resolvem os problemas de fundo, são de fato apenas um esparadrapo, mas sem elas o risco é o desaparecimento do que resta da industria nacional. E isto, naturalmente, seria uma grande burrice.
terça-feira, 3 de abril de 2012
Maluquinho vai a luta...
O Governo lançou mais um conjunto de medidas esparadrapo para dar algum folego a cambaleante indústria nacional. A desoneração da folha é uma boa medida, assim como aumentar a tributação sobre bebidas para compensar a perda de arrecadação. O pessoal vai reclamar, afinal ninguem gosta de pagar mais pelo chopp nosso de cada dia. Amantes do vinho, como este blogueiro, já estão cabreiros com possíveis medidas de proteção a produção local, e vão ficar ainda mais p. da vida com a medida. Maluquinho deveria ter aproveitado a oportunidade para aumentar, também, a tributação sobre o cigarro. Tributar bebidas e cigarros para tapar buracos criados com medidas pra agradar os eleitores é pratica comum em vários países. Redução do custo de financiamento do comércio exterior é urgente, haja vista, o encarecimento resultado de recentes medidas atrapalhadas da criatividade desenvolvimentista. Já a decisão de cobrar PIS e Cofins somente de bens importados é uma tolice que contraria as regras da OMC e vai ajudar a colar no Brasil o rotulo de protecionistas. Protecionismo nunca é uma boa idéia, uma falsa solução que somente cria mais problemas. A Presidente deveria conter este seu lado, herança do brizolismo e da unicamp, mas contraria a tradição petista, que nunca foi protecionista ou nacionalista.
Repasses do Tesouro Nacional ao BNDES era a única altermativa a mão, porém, ela vem se tornando uma pratica recorrente o que está longe de ser um comportamento prudente. Alias, a prudência é virtude ainda mais importante em momentos de dificuldades, dai ser tolice argumentar que é necessário correr riscos...
A cereja do bolo, foi o reconhecimendo,se ainda necessário fosse, que 1,80 é o patamar com o qual ele trabalha.
O comjunto de medidas, em que pese uma tolice aqui e acola, é bem vindo e necessário, porém, não é a salvação da lavoura, como diria meu inesquecivel e sabio pai, para isto o governo deve encarar o problema nada palatável da reforma tributária e o empresariado do grande bananão tem que ser desmamado e aprender a cuidar de si mesmo, sem recorrer sempre as tetas do contribuinte brasileiro. Infelizmente no momento isto não é possível, porém, algum dia isto tera que ser feito. E lembro mais uma vez que escolher vencedores não é função do governo...
Repasses do Tesouro Nacional ao BNDES era a única altermativa a mão, porém, ela vem se tornando uma pratica recorrente o que está longe de ser um comportamento prudente. Alias, a prudência é virtude ainda mais importante em momentos de dificuldades, dai ser tolice argumentar que é necessário correr riscos...
A cereja do bolo, foi o reconhecimendo,se ainda necessário fosse, que 1,80 é o patamar com o qual ele trabalha.
O comjunto de medidas, em que pese uma tolice aqui e acola, é bem vindo e necessário, porém, não é a salvação da lavoura, como diria meu inesquecivel e sabio pai, para isto o governo deve encarar o problema nada palatável da reforma tributária e o empresariado do grande bananão tem que ser desmamado e aprender a cuidar de si mesmo, sem recorrer sempre as tetas do contribuinte brasileiro. Infelizmente no momento isto não é possível, porém, algum dia isto tera que ser feito. E lembro mais uma vez que escolher vencedores não é função do governo...
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Piadas sobre economistas
Um matemático, um economista teórico e um econometricista são requisitados para achar um gato preto, que não existe, num quarto escuro e fechado.
O Matemático fica louco tentando achar o gato que não existe e vai parar no hospício.
O Economista Teórico não consegue achar o gato preto, entretanto sai do quarto dizendo orgulhosamente que pode construir um modelo para descrever todos os movimentos do gato com grande acurácia
O Econometricista passa uma hora dentro do quarto procurando o gato que não existe e depois grita, de dentro do quarto de que pegou o gato pelo pescoço.
*******************
Um economista indiano explicava aos seus alunos de pós-graduação a teoria da reencarnação."Se você é um bondoso economista", disse, "você irá renascer como um físico. Mas se você for um maldoso economista, então você irá renascer como um sociólogo."
(P. Krugman, 1994)
*******************
Três matemáticos e três economistas foram viajar de trem. Os matemáticos estavam rindo dos economistas, que haviam comprado somente um bilhete e iriam tomar multa. Quando o cobrador veio, os economistas foram para o banheiro. O cobrador bateu na porta do banheiro e um deles estendeu o bilhete com a mão, sendo bem sucedidos.
Noutro dia os matemáticos resolveram usar a mesma estratégia e compraram um só bilhete. Porém os economistas não compraram nenhum. Quando o cobrador estavam chegando os matemáticos foram para o banheiro. Quando ouviram as batidas na porta entregaram o bilhete ao condutor. O bilhete não retornou. Por que ? Os economistas pegaram e foram a outro banheiro.
******************
Dois homens estavam andando de balão e se perderam. Decidiram baixar o balão e perguntar para algum transeunte.
"Ei, você poderia nos dizer onde estamos ?"
"Vocês estão em um balão", respondeu o transeunte.
"A resposta é correta e absolutamente inútil. Este homem deve ser um economista", comentaram entre eles, no balão.
"E você deve ser um empresário", respondeu o transeunte.
"Exato. Como você sabe disto ?"
"Você tem uma excelente visão de onde está e mesmo assim você não sabe onde está."
O Matemático fica louco tentando achar o gato que não existe e vai parar no hospício.
O Economista Teórico não consegue achar o gato preto, entretanto sai do quarto dizendo orgulhosamente que pode construir um modelo para descrever todos os movimentos do gato com grande acurácia
O Econometricista passa uma hora dentro do quarto procurando o gato que não existe e depois grita, de dentro do quarto de que pegou o gato pelo pescoço.
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Um economista indiano explicava aos seus alunos de pós-graduação a teoria da reencarnação."Se você é um bondoso economista", disse, "você irá renascer como um físico. Mas se você for um maldoso economista, então você irá renascer como um sociólogo."
(P. Krugman, 1994)
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Três matemáticos e três economistas foram viajar de trem. Os matemáticos estavam rindo dos economistas, que haviam comprado somente um bilhete e iriam tomar multa. Quando o cobrador veio, os economistas foram para o banheiro. O cobrador bateu na porta do banheiro e um deles estendeu o bilhete com a mão, sendo bem sucedidos.
Noutro dia os matemáticos resolveram usar a mesma estratégia e compraram um só bilhete. Porém os economistas não compraram nenhum. Quando o cobrador estavam chegando os matemáticos foram para o banheiro. Quando ouviram as batidas na porta entregaram o bilhete ao condutor. O bilhete não retornou. Por que ? Os economistas pegaram e foram a outro banheiro.
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Dois homens estavam andando de balão e se perderam. Decidiram baixar o balão e perguntar para algum transeunte.
"Ei, você poderia nos dizer onde estamos ?"
"Vocês estão em um balão", respondeu o transeunte.
"A resposta é correta e absolutamente inútil. Este homem deve ser um economista", comentaram entre eles, no balão.
"E você deve ser um empresário", respondeu o transeunte.
"Exato. Como você sabe disto ?"
"Você tem uma excelente visão de onde está e mesmo assim você não sabe onde está."
domingo, 1 de abril de 2012
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