quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Novidades do front...

Uma pequena reação do dolar e os otimistas de plantão comemoram a solução do problema cambial. Como dizia um velho amigo: solução do que cara palida!!!!, ainda segundo este mesmo velho amigo, mais conversa para boi dormir. Como já mencionado em outros posts o governo não pode ficar de braços cruzados, porem achar que soluções na linha do aumento do IOF va resolver o problema é ser levado por um gigantesco auto-engano. O problema cambial requer solução negociada no G20 e o ponta pé inicial tem que ser dado pelo Velho Imperio e o candidato a Novo Imperio.

Enquanto isto no front eleitoral, segundo a Folha, a esposa do candidato da Nova Direita fez aborto no quarto mês e como é difícil imaginar que esta decisão não tenha sido discutida pelo casal, é possível afirmar que sua defesa da vida não passa de mais uma promessa eleitoral para enganar o distinto público eleitor religioso. Alias, esta mudança repentina no campo religioso vem a somar-se a sua conversão ao populismo político e econômico com as promessas de aumento do salário minimo, bolsa familia e outras do mesmo naipe. Fico imaginando qual será a reação dos economistas serristas e outros criticos acidos do populismo diante desta mudança. Será que a Rua Itapeva vai de fato apoia-lo? Mas o mais assustador é seu comportamento explicitamente Bonapartista que, contudo, não me surpreende: já havia comentado com amigos no Facebook que ele é o Chaves da Nova Direita. Os serristas ficaram injuriados com a comparação, mas ela me aparece apropriada quando o Candidato da Nova Direita afirma insistentemente que se eleito vai governar acima dos partidos.

Noite memorável no TUCA, o teatro da Católica de SP, em evento promovido por advogados em apoio a Dilma.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Delfim sobre Lula e F.D.Roosevelt

De vez em quando o esforçado economista da Ditadura da uma dentro. É o caso deste artigo sobre Lula e F.D Roosevelt.

Qualquer semelhança entre a agressão da mídia no Brasil aos programas de Lula e as reações da mídia nos EUA ao New Deal, nos anos 30, não é só coincidência

Em abril de 2008, escrevi um comentário comparando o PAC e o Fome Zero do governo Lula aos programas de obras públicas e de combate ao desemprego sob o guarda-chuva do New Deal de FD Roosevelt, o presidente que conseguiu tirar a economia americana da Grande Depressão produzida a partir da quebra da Bolsa de NY, em outubro de 1929. Três quartos de século separam essas experiências: na primeira metade da década 1930-1940, os EUA e o mundo mergulharam numa crise sem precedentes.

Quando Roosevelt tomou posse, em 1933, para seu primeiro mandato, o PIB americano havia sido reduzido a praticamente a metade (56,4 bilhões de dólares) do que era em 1929 (103 bilhões de dólares).

Apesar da tragédia do desemprego, que chegava a 30% da força de trabalho, os EUA eram uma nação próspera. Havia muita riqueza e uma boa parte da sociedade afluente aceitava o desemprego como contingência natural numa economia de mercado. A melhor coisa que os governos deviam fazer era ficar fora disso.

Roosevelt surpreendeu, já no discurso de posse, anunciando o fim da era da indiferença: “Temos 15 milhões de sujeitos passando fome e nós vamos dar de comer a eles. O governo entende que é sua obrigação providenciar trabalho para que eles mesmos voltem a sustentar suas famílias.”

Para escândalo de muitos, seu governo pôs em marcha dois enormes programas, nunca antes tentados naquele país, de amparo ao trabalho e combate à miséria, com investimentos públicos em obras, cuja principal prioridade era absorver mão de obra (uma espécie de PAC). O empreendimento-símbolo foi a criação da TVA (Tennessee Valley Authority), que construiu barragens para a produção de energia e gerenciou os projetos de irrigação para a produção de alimentos.

Esses programas sofreram pesado bombardeio da oposição conservadora, que, a título de defender a livre iniciativa, esconjurava a intervenção estatal no setor privado, porque interferia na oferta e procura de mão de obra, desvirtuando o funcionamento do mercado de trabalho… Um dado interessante é que os ataques da mídia republicana evitavam agredir o presidente (e seus altos níveis de popularidade), concentrando toda a fúria contra a figura de Harry Hopkins, principal mentor dos programas de amparo ao trabalhador e gerente de obras públicas, qualificado de “perigoso socialista”. Qualquer semelhança com as agressões midiáticas recentes aos programas Fome Zero, Luz para Todos e ao PAC não é simples coincidência…

Hoje, ninguém duvida que o New Deal foi decisivo para a reconstrução da confiança dos americanos nos fundamentos do regime de economia de mercado. Suas ações ajudaram a salvar o capitalismo, na medida em que os milhões de trabalhadores que recuperaram os empregos voltaram “a acreditar na vontade e na capacidade do governo de intervir na economia para proporcionar uma igualdade mais substancial de oportunidades” (FDR numa de suas falas no rádio, Conversa ao Pé do Fogo).

O fato é que o PIB americano cresceu durante o primeiro e segundo mandatos e, em 1940, havia recuperado o nível que perdera desde o início da grande crise, medindo 101,4 bilhões de dólares. Roosevelt completou um terceiro mandato presidencial e ainda foi eleito (no fim da Segunda Guerra Mundial), para um quarto mandato, mas faleceu antes de exercê-lo.

Quando Lula assumiu o primeiro mandato, em 2002, a economia brasileira não estava na situação desesperadora da americana em 1933, mas contabilizava algo como 12% de desemprego da população economicamente ativa e vinha de um período de 20 anos de medíocre crescimento, com a renda per capita praticamente estagnada. Seu governo pôs em prática os programas de combate à fome que prometera no prólogo de sua Carta aos Brasileiros e posteriormente o PAC, que soma o investimento público e obras privadas, com foco na recuperação da desgastada infraestrutura de transportes, da matriz energética e na indústria da habitação. Setores de grande demanda de mão de obra e de promoção do desenvolvimento.

Oito anos depois (e 15 milhões de empregos a mais), os resultados são visíveis: queda acentuada das taxas do desemprego (para menos de 7% da população economicamente ativa), crescimento da renda e dos níveis de consumo da população, recuperação da autoestima do trabalhador e uma sociedade que adquiriu condições de oferecer substancial melhora na distribuição de oportunidades. Isso, tendo atravessado a segunda pior crise da economia mundial dos últimos 80 anos, com o PIB crescendo em 2010 acima de 7%.

Fonte: Carta Capital

domingo, 17 de outubro de 2010

sábado, 16 de outubro de 2010

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Presidente dos ricos....

A economia americana, como mencionado em varios posts, continua patinando e o FED mantem sua política de uma nota só: inundando o mundo de dolares. O objetivo é obvio: eliminar o risco de deflação da economia americana transferindo-o para o resto do mundo. Neste cenário do salve-se quem puder parece piada de mal gosto o argumento que o Brasil poderia implementar medidas que resolveria o problema da apreciação cambial. As vezes me pergunto em qual mundo vivem os autores deste tipo de propostas. É claro que ficar sentado, tão pouco ajuda, mas é preciso ficar claro que as medidas são apenas paliativas e que a solução requer uma negociação internacional que ainda não esta no horizonte devido as eleições americanas.

Enquanto isto no grande bananão o candidato da Nova Direita se esmera em vender ilusões na forma de propostas insanas de aumento do salário minimo e do Bolsa Familia. E pensar que em outra encarnação - ou seria face - ele se mostrava um político com propostas para a área econômica com alguma racionalidade. O desejo de ser eleito faz milagres... mas no improvável cenário de sua eleição não será nada fácil administrar este tipo de expectativa, principalmente levando-se em conta que ele não é exatamente conhecido por ser um ótimo executivo.

Eu do meu lado, continuo confiando no bom senso do eleitor em não eleger um Presidente dos ricos. Sim, dos ricos, como diria milha falecida avo, uma católica que não perdia uma missa, e nunca se deixava levar pelas aparências ou lenga, lenga dos politicos.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

A fonte do dinheiro da Nova Direita...

Memorias

O post de ontem poderá passar a falsa impressão que em algum momento da minha juventude tenha sido atraido pelo catolicismo marxista. Aconteceu justamente o contrário: agravou a crise normal, me parece, naquela idade e me afastou da religião. Faltava a este tipo de catolicismo os elementos que faziam parte da minha infância em uma familia e comunidade profundamente católicas. Por paradoxal que possa parecer, no período na minha juventude em que acreditava na fantasia marxista, nunca perdi minha atração pelo catolicismo popular das festas da minha infância com sua liturgia e mistérios que tanto me encantavam e ainda encanta. A idéia de usar o pulpito para pregações politico partidárias que agradava a tantos militantes de esquerda nunca foi do meu agrado. Não me parecia correto, mas um verdadeiro sacrilégio. É claro que era uma reação sem nenhum fundamento em leituras, apenas baseado em valores em que fui educado.

O retorno a Igreja, por uma feliz coincidência, aconteceu em Oxford, onde comecei a frequentar as missas em uma igreja, que se não estou errado, era a mesma do Oratorio do Cardeal Newman. A liturgia era em inglês, mas todo o ambiente me parecia totalmente familiar e me fazia sentir em casa, o que raramente era o caso nas missas no Brasil. Desnecessário mencionar que tão pouco via com bons olhos o sucesso de movimento católico de forte apelo midiatico. Em sintese, em se tratando de catolicismo o meu lado é bem claro: me sinto bem na companhia de Ratzinger, Lubac, Balthasar e Guardini.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

O esgoto do esgoto...e o grande desafio

O Partido "Piores Salários Do Brasil", é curiosamente o que mais abriga ex-militantes do esgoto do esgoto da política nacional, os ex-comunistas do PCB, a melhor escola de quadros da direita brasileira. Há quem ainda fica surpreso com esta informação. Não seria o PT? De fato há varios ex-membros deste equivoco histórico, ou havia, principalmente no Rio, coincidentemente vários deles envolvidos nos escandalos da atual administração o que de modo algum me surpreende: moralidade e etica nunca foi o forte do pensamento marxista.

A baixaria da campanha do candidato da Nova e da Velha direita também não me surpreende, ao contrário, era o esperado já que os stalinistas tem uma longa história de praticas de assassinato de carater, mentiras, difamaçôes, etc, que primam pelo profissionalismo ausente em táticas parecidas, mas amadoras, usadas pela Velha Direita. A eficiência é duvidosa, mas em eleição disputada é suficiente para garantir o resultado esperado. Aliados ocasionais serão, naturalmente, trocados por outros mais convenientes.

Como mencionado em outros posts, continuo onde sempre estive: do lado daqueles que defendem uma sociedade mais justa e solidaria, porem, sem as ilusões que tinha aos 20 e poucos anos em relação ao marxismo em relação ao qual compartilho a avaliação do Kolakowski: a grande fantasia do seculo xx, ou seria mentira? Acho que a resposta seria a duas. Pensar um agir católico pós catolicismo marxista, sem cair na tentação de um retorno a um período de ouro que nunca existiu é o grande desafio do intelectual católico brasileiro, na minha modesta opinião.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Nelson Rodrigues

Nunca fui um grade fã do Nelson Rodrigues, vi filmes baseados em suas peças, assisti a adaptações memoráveis dirigidas pelo Antunes na TV Cultura, mas nunca achei nada de especial. Não mudei minha avaliação e ainda considero apenas "veu de noiva"uma obra prima. Admiro, no entanto, o seu talento de frasista. Há várias inesqueciveis e uma, em particular, que cai como uma luva para descrever o marxismo talebã: "no Brasil, o marxismo adquiriu uma forma difusa, volatizada, atmosférica. É-se marxista sem estudar, sem pensar, sem ler, sem escrever, apenas respirando". Há bons marxistas no grande bananão e por isto me parece injusta a afirmação sem o adjetivo talebã. É claro que considero o marxismo um projeto de pesquisa esgotado e não vejo nenhum futuro na proposta 68 de um catolicismo marxista, mas reconheço, no entanto, que se excluirmos sinteses exóticas, há quem ainda persiste, com suficiente seriedade intelectual, na senda do velho Barba e esta presente, com todo direito, alias, na grande feira de idéias chamada Universidade. Infelizmente, ate mesmo este marxismo academicamente serio, recusa-se a reconhecer o mesmo direito ao pensamento religioso, em particular o católico, ate mesmo na sua própria casa.

domingo, 10 de outubro de 2010

sábado, 9 de outubro de 2010

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Nota da CNBB em relação ao Momento Eleitoral

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, por meio de sua Presidência, congratula-se com o Povo Brasileiro pelo exercício da cidadania na realização do primeiro turno das eleições gerais, quando foram eleitos os representantes para o Poder Legislativo e definidos os Governadores de diversas unidades da Federação, bem como o nome daqueles que serão submetidos a novo escrutínio em 2º turno, para a Presidência da República e alguns governos estaduais e distrital.

A CNBB congratula-se também pelos frutos benéficos decorrentes da aprovação da Lei da Ficha Limpa, que está oferecendo um novo paradigma para o processo eleitoral, mesmo se ainda tantos obstáculos a essa Lei tenham de ser superados.

Entretanto, lamentamos profundamente que o nome da CNBB - e da própria Igreja Católica – tenha sido usado indevidamente ao longo da campanha, sendo objeto de manipulação. Certamente, é direito – e, mesmo, dever – de cada Bispo, em sua Diocese, orientar seus próprios diocesanos, sobretudo em assuntos que dizem respeito à fé e à moral cristã. A CNBB é um organismo a serviço da comunhão e do diálogo entre os Bispos, de planejamento orgânico da pastoral da Igreja no Brasil, e busca colaborar na edificação de uma sociedade justa, fraterna e solidária.

Neste sentido, queremos reafirmar os termos da Nota de 16.09.2010, na qual esclarecemos que “falam em nome da CNBB somente a Assembléia Geral, o Conselho Permanente e a Presidência”. Recordamos novamente que, da parte da CNBB, permanece como orientação, neste momento de expressão do exercício da cidadania em nosso País, a Declaração sobre o Momento Político Nacional, aprovada este ano em sua 48ª Assembléia Geral.

Reafirmamos, ainda, que a CNBB não indica nenhum candidato, e recordamos que a escolha é um ato livre e consciente de cada cidadão. Diante de tão grande responsabilidade, exortamos os fiéis católicos a terem presentes critérios éticos, entre os quais se incluem especialmente o respeito incondicional à vida, à família, à liberdade religiosa e à dignidade humana.

Confiando na intercessão de Nossa Senhora Aparecida, invocamos as bênçãos de Deus para todo o Povo Brasileiro.

Brasília, 08 de outubro de 2010

P. nº 0849/10

Dom Geraldo Lyrio Rocha
Arcebispo de Mariana
Presidente da CNBB

Dom Luiz Soares Vieira
Arcebispo de Manaus
Vice-Presidente da CNBB

Dom Dimas Lara Barbosa
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro
Secretário Geral da CNBB

Fonte: cnbb.org

Ainda o câmbio


Ótimo artigo do Mendonça de Barros sobre o câmbio. Como já comentamos em vários posts é um problema que requer negociação internacional. Ações individuais, conseguem, no máximo resultado de curto prazo a um custo fiscal que não é pequeno.


O Ministro da Fazenda, Guido Mantega, acertou em cheio ao declarar publicamente que vivemos uma verdadeira guerra monetária mundial. Para que sua imagem fosse perfeita, faltou apenas que adicionasse um adjetivo -não declarado- para descrevê-la.
O ministro foi a única autoridade internacional a ter coragem de denunciar a tentativa de usar as taxas de câmbio desvalorizadas como instrumento de estímulo ao crescimento. Fica fácil entender a ousadia do ministro brasileiro: nosso país é um dos que mais vêm sofrendo as consequências negativas dessa guerra escondida.
Mas, se o ministro acertou em cheio em sua denúncia, a decisão de dobrar o valor do IOF, cobrado na entrada de dólares para aplicação nos gordos juros pagos pelo Tesouro brasileiro, mostra que ele ainda não entendeu a dinâmica atual dos mercados de câmbio.
Foi importante dar nome aos bois no momento em que as lideranças mundiais evitam falar publicamente sobre essa questão. Mas o próximo passo será discutir a questão de forma clara e abrangente nos fóruns internacionais, como os próximos encontros do FMI e do grupo dos 20.
O leitor da Folha precisa entender que a guerra de moedas ocorre já há muito tempo e o que estamos vendo agora é uma situação extrema devido à forte recessão econômica no mundo desenvolvido.
Várias economias importantes, como o Japão e a Coreia, e, mais recentemente, a China, usaram de forma sistemática a arma de moedas desvalorizadas em relação às dos países mais ricos -principalmente em relação ao dólar americano- para crescer de forma sustentada.
Mesmo o Brasil usou em seu passado de crises a arma da moeda fraca para dar sustentação às nossas exportações, principalmente as de produtos industriais.
Mas, como a história nunca se repete da mesma forma, a crise bancária nas nações desenvolvidas mudou o cenário mundial e fez com que a política cambial dos países asiáticos ganhasse outra dimensão. Com o crescimento chinês sustentando as economias emergentes e os EUA e a Europa lutando para sair da recessão, a equação do câmbio desvalorizado mudou de sinal.
Em outras palavras, são agora os EUA, a Alemanha e a Itália que precisam exportar para o mundo em desenvolvimento e tentar reverter o quadro recessivo e de altos índices de desemprego em que estão mergulhados. Para tanto, o dólar e o euro precisam se desvalorizar em relação às moedas das nações emergentes para viabilizar o crescimento.
Mas, como sempre acontece nos momentos mais difíceis da economia mundial, não há ainda condições políticas para fazer esse movimento de forma coordenada. E, sem uma atuação conjunta dos bancos centrais no processo de corrigir e de estabilizar as taxas de câmbio, a probabilidade de sucesso de iniciativas isoladas, como a do governo brasileiro, é muito baixa.
O caso do Japão talvez seja mais representativo dessa afirmação de que o ativismo isolado do ministro Mantega está fadado ao insucesso.
Recentemente, o governo japonês mobilizou quase US$ 30 bilhões para tentar trazer o iene para um nível menos destruidor da indústria japonesa e, menos de um mês após esse movimento agressivo, a moeda está mais forte do que antes.
Se o Japão, com juros de 0% ao ano e com uma capacidade de intervenção nos mercados muito maior do que a nossa, não consegue isoladamente evitar o fortalecimento de sua moeda, imagine o Brasil. Com os juros de longo prazo dos títulos emitidos pelo governo brasileiro próximos de 12% ao ano, a decisão de agir isoladamente me parece algo semelhante a "enxugar gelo".
Enquanto escrevia esta coluna, o secretário do Tesouro norte-americano, Timothy Geithner, veio a público propor uma discussão séria e articulada para pôr fim a essa guerra surda.
Os EUA foram parte fundamental para viabilizar a política de moedas fracas adotadas pelas economias da Ásia até hoje, mas já não têm mais condições financeiras e econômicas de continuar com esse papel.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

"Nota da Comissão Brasileira Justiça e Paz "

O MOMENTO POLÍTICO E A RELIGIÃO

“Amor e Verdade se encontrarão. Justiça e Paz se abraçarão" (Salmo 85)

A Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP) está preocupada com o momento político na sua relação com a religião. Muitos grupos, em nome da fé cristã, têm criado dificuldades para o voto livre e consciente. Desconsideram a manifestação da presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil de 16 de setembro, “Na proximidade das eleições”, quando reiterou a posição da 48ª Assembléia Geral da entidade, realizada neste ano em Brasília. Esses grupos continuaram, inclusive, usando o nome da CNBB, induzindo erroneamente os fiéis a acreditarem que ela tivesse imposto veto a candidatos nestas eleições.

Continua sendo instrumentalizada eleitoralmente a nota da presidência do Regional Sul 1 da CNBB, fato que consideramos lamentável, porque tem levado muitos católicos a se afastarem de nossas comunidades e paróquias.

Constrangem nossa conciência cidadã, como cristãos, atos, gestos e discursos que ferem a maturidade da democracia, desrespeitam o direito de livre decisão, confundindo os cristãos e comprometendo a comunhão eclesial.

Os eleitores têm o direito de optar pela candidatura à Presidência da República que sua consciência lhe indicar, como livre escolha, tendo como referencial valores éticos e os princípios da Doutrina Social da Igreja, como promoção e defesa da dignidade da pessoa humana, com a inclusão social de todos os cidadãos e cidadãs, principalmente dos empobrecidos.

Nesse sentido, a CBJP, em parceria com outras entidades, realizou debate, transmitido por emissoras de inspiração cristã, entre as candidaturas à Presidência da Republica no intento de refletir os desafios postos ao Brasil na perspectiva de favorecer o voto consciente e livre. Igualmente, co-patrocinou um subsídio para formação da cidadania, sob o título: “Eleições 2010: chão e horizonte”.

A Comissão Brasileira Justiça e Paz, nesse tempo de inquietudes, reafirma os valores e princípios que norteiam seus passos e a herança de pessoas como Dom Helder Câmara, Dom Luciano Mendes, Margarida Alves, Madre Cristina, Tristão de Athayde, Ir. Dorothy, entre tantos outros. Estes, motivados pela fé, defenderam a liberdade, quando vigorava o arbítrio; a defesa e o anúncio da liberdade de expressão, em tempos de censura; a anistia, ampla, geral e irrestrita, quando havia exílios; a defesa da dignidade da pessoa humana, quando se trucidavam e aviltavam pessoas.

Compartilhamos a alegria da luz, em meio a sombras, com os frutos da Lei da Ficha Limpa como aprimoraramento da democracia. Esta Lei de Iniciativa Popular uniu a sociedade e sintonizou toda a igreja com os reclamos de uma política a serviço do bem comum e o zelo pela justiça e paz.

Brasília, 06 de Outubro de 2010.

Comissão Brasileira Justiça e Paz,

Organismo da CNBB"



Fonte: Zero hora

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Novos tempos

O resultado da eleição não foi o que eu esperava, mas nos últimos dias já havia ficado claro que o segundo turno era provável. Uma curiosa aliança composta basicamente de saudosos do Brasil antes de 1964, estava fazendo uma trabalho eficiente de disseminação do medo e preconceitos. Como era de se esperar contava com o apoio generoso da velha direita e da nova direita, os ex-comunistas do decrepito e extinto PCB.

O poder eleitoral dos evangelicos é um fato novo e fascinante para os estudiosos da religião, particularmente sociologos da religião da linha escolha pública. O pluralismo religioso é algo que veio pra ficar, assim como seu peso eleitoral e manipulação em torno do mesmo. Há quem fale na reprodução no grande bananão da aliança crista conservadora americana. É uma hipotese interessante e com grande possibilidade de ser verdadeira.

Há um outro aspecto a ele ligado, mas focado em um setor especifico e que mais uma vez reproduz a experiencia americana. Trata-se da versão dos tristes trópicos da cultural wars dos campi americanos. Uma reacão controversa à tomada de poder da geração 68 de varios deptos da área de humanidades em importantes universidades americana. Economia não foi um deles, já que no Imperio era e continua a ser basicamente uma fortaleza neoclassica. Aqui, dependendo, da instituição é o último reduto do marxismo talebã e dificilmente passara incólume.

domingo, 3 de outubro de 2010

sábado, 2 de outubro de 2010

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Porque hoje é sexta feira...

Sexta-feira, chuva e transito complicado funciona como lembrança para a incompetência dos gestores públicos em pensar uma solução para os graves problemas da capital do estado mais rico da União. Debates sobre politicas públicas é uma raridade nos tristes trópicos e no caso da eleição deste ano para presidente e governador esta ausência fez se presente nos debates entre os candidatos. A palavra debate, infelizmente, não é a mais apropriada para descrever a encenação apresentada em diferentes mídias sempre com a direção de mestres especializados em evitar o que deveria ser o objeto dos encontros: debates...

Estranho mundo este o nosso, no passado, quando o silêncio dos cemiterios era lei, encontravamos meios para quebra-lo e estavamos prontos para ouvir um argumento e depois rebate-lo. Perdemos a doçura, o amargo reina absoluto, e o obscurantismo saudosista infiltra-se onde menos se esperava. O que antes se apresentava como esquerda, ainda que autoritária, hoje transformou-se nova direita chic e rancorosa; o catolicismo marxista caminhou para um dos dois extremos: um ultra esquerdismo divertido , mas inconsequente e, no outro extremo, uma surpreendente tentativa de retorno ao mundo pré 1964.

Tempos sombrios ou o velorio dos sonhos ingenuos dos terriveis anos 60?