The conversation of prayers about to be said
By the child going to bed and the man on the stairs
Who climbs to his dying love in her high room,
The one not caring to whom in his sleep he will move
And the other full of tears that she will be dead,
Turns in the dark on the sound they know will arise
Into the answering skies from the green ground,
From the man on the stairs and the child by his bed.
The sound about to be said in the two prayers
For the sleep in a safe land and the love who dies
Will be the same grief flying. Whom shall they calm?
Shall the child sleep unharmed or the man be crying?
The conversation of prayers about to be said
Turns on the quick and the dead, and the man on the stair
To-night shall find no dying but alive and warm
In the fire of his care his love in the high room.
And the child not caring to whom he climbs his prayer
Shall drown in a grief as deep as his made grave,
And mark the dark eyed wave, through the eyes of sleep,
Dragging him up the stairs to one who lies dead.
sábado, 31 de julho de 2010
sexta-feira, 30 de julho de 2010
DIONÍSIO DIAS CARNEIRO (1945-2010)
Grande economista e responsável pela transformação e sucesso do depto de economia da puc-rj. Os melhores tem o pessimo habito de partirem cedo demais.
Por 30 anos Dionísio Dias Carneiro deu aulas no Departamento de Economia da PUC-Rio, que ajudou a criar.
Formou alunos que hoje fazem parte do primeiro time da economia brasileira, como Gustavo Franco, Eduardo Loyo e Ilan Goldfajn.
Nas palavras do ex-aluno e ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga: "Foi um grande mentor, um brasileiro com visão pública capaz de pensar os temas mais importantes para o país".
Formado em economia pela UFRJ e considerado um dos grandes macroeconomistas do Brasil, Carneiro era conhecido por análises competentes e equilibradas.
Era sócio-diretor da Galanto Consultoria e um dos fundadores do Instituto de Estudos em Política Econômica da Casa das Garças.
O instituto é um centro de estudos formado por economistas da PUC-Rio destinado ao debate de temas da política econômica nacional e internacional.
Para Edmar Bacha, um dos pais do Plano Real, era um dos principais membros da geração de economistas que revolucionou o ensino de pós-graduação em economia no Brasil.
Além da PUC-Rio, foi professor também da UnB e da FGV e vice-presidente da Finep, Financiadora de Estudos e Projetos do governo federal.
Atuou como conselheiro e consultor de empresas e era membro do Conselho de Administração da Companhia Siderúrgica Nacional.
Morreu ontem, aos 64, no Rio de Janeiro, após sofrer um derrame e ter descoberto um tumor no cérebro.
Era viúvo e deixa três filhos e uma neta.
Fonte: FSP
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Um velho projeto...
Nem todos estão felizes com o papel ativo do Estado na consolidação em alguns setores da economia brasileira. A Oi é o caso mais recente. Alem da questão do custo fiscal, há o aspecto político: criação de grupos econômicos simpáticos ao partido no poder que poderia vir a desempenhar papel importante no financiamento de campanhas eleitorais. Os riscos existem, mas há solução: reforço do aparato institucional e participação ativa do cidadão/contribuinte. É verdade, porém, que nem todas as intervenções do Estado são justificadas e tão pouco este tipo de política deve ser a regra a ser seguida. O projeto de construção de multinacionais brasileiras parece ser a justicativa teorica para este ativismo estatal e é um velho projeto de meados dos anos 70 e menina dos olhos do grupo de economistas cepalinos e neo-cepalinos do conhecido depto de sociologia econômica do interior e da Praia Vermelha. O candidato da Nova Direita era um dos membros do grupo, assim como o Presidente do BNDES.
Qualquer forma de intervenção do Estado deve ser guiado pelo principio do bem comum e reconhecer o simples fato que o setor privado, como mencionado em outro post, ainda é o melhor provedor de alguns bens e uma política sua amiga ainda é o melhor meio de se conseguir uma sociedade mais justa.
Qualquer forma de intervenção do Estado deve ser guiado pelo principio do bem comum e reconhecer o simples fato que o setor privado, como mencionado em outro post, ainda é o melhor provedor de alguns bens e uma política sua amiga ainda é o melhor meio de se conseguir uma sociedade mais justa.
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Keynesianism on the right and the left
Ótimo resumo do debate entre os keynesianos americanos sobre a questão fiscal.
MARTIN WOLF had a very harshly-worded piece in the Financial Times on Monday warning of the long-term consequences of the GOP's continuing de facto embrace of supply-side economics. While we don't often hear explicit arguments anymore that we could increase revenues by cutting taxes, Mr Wolf thinks the inherited belief in supply-side economics is at the root of the GOP's current fiscal policy trilemma: the belief that large budget deficits are ruinous; a continued eagerness to cut taxes; and an utter lack of interest in spending cuts on the scale that would be required to make a noticeable dent in the deficit. To illustrate, he cites a recent pronouncement by Jon Kyl, the senator from Arizona, that while spending hikes need to be paid for, tax cuts don't:
You do need to offset the cost of increased spending, and that's what Republicans object to. But you should never have to offset cost of a deliberate decision to reduce tax rates on Americans.
Mr Wolf thinks the Republicans' "de facto Keynesianism" puts the Democrats at a historic disadvantage, as it's almost impossible to run against a party that constantly promises everyone a free lunch and blames the other guys when the check arrives. He thinks the situation could become disastrous if a Republican win leads to long-term policies so fiscally irresponsible as to flirt with the possibility of a federal default.
Bruce Bartlett, whom we interviewed over the weekend, agrees with Mr Wolf's prognosis, and adopts a tone that is if anything more dire. Andrew Sullivan agrees as well. Derek Thompson holds out the hope that over the long term, the GOP will produce more leaders like George H.W. Bush, who saw the need to raise taxes in 1990 (and paid the, shall we say, penultimate price in 1992). Paul Krugman wishes he could disagree with Mr Wolf, but can't.
What I find really interesting here arises in a quick reference Mr Krugman makes to a discussion he had last week with Jamie Galbraith. Mr Galbraith is one of a few economists who hold the view that deficits don't matter, from the left. (Or, to be fair, that they can matter, but only in circumstances so different from those of the contemporary American economy as to be irrelevant.) In a comment responding to Mr Krugman, Mr Galbraith writes:
In the actual world we live in, government does not have to “persuade the private sector to release real resources.” In the actual world, the private sector has already released those resources by the tens of millions of people.
All the government has to do, in the actual world, is mobilize those resources, which it does by issuing checks, preferably to pay people to do useful things.
There is no reason why this should be considered “costly.” Done correctly, in economic terms it amounts simply to the reduction of the waste that is associated with unemployment.
Mr Krugman thinks Mr Galbraith is wrong because, while the Fed can issue money today without risk of inflation because we're in a liquidity trap, the extra money issued will ultimately start to fuel inflation once the economy recovers, and that could prompt some nasty after-effects. But what interests me is that this is a way of thinking about money that not just the vast majority of Republicans, but the vast majority of citizens find completely incomprehensible. Most people have a naive view of money based on the model of the household budget. They're not used to thinking about money as an artificial token of exchange backed by the totality of productive capacity in the economy, whose purpose is to allow people to incentivise others to do useful things for them, such that if an accounting imbalance makes it difficult to pay people to do the useful things they're capable of doing, one way to get them working again might be simply to create more money. I obviously can't describe this view of the economy as well as Paul Krugman or Jamie Galbraith can, so you should read them on this question, not me. But I'm struck by the immense gap in vocabulary between the discussion Mr Krugman and Mr Galbraith are having, and the discussions going on in our political sphere. It's not just that Messrs Galbraith and Krugman believe in fiscal stimulus, while Republicans don't. It's that the two don't seem to agree on the definition of the word "money".
Fonte: The Economist
terça-feira, 27 de julho de 2010
Economia social de mercado
Ser de esquerda não implica apoiar a "hacienda" da familia castro, as bobagens do napoleão do outro lado do equador e tão pouco ser contra a economia de mercado. Ela ainda é o melhor sistema para criar riqueza, mas pessimo quanto se trata de distrubui-la, isto não decorre, contudo, de uma lógica inerente ao sistema, como afirma o marxismo talebã, mas de questões que extrapolam a esfera econômica strictu sensu. É perfeitamente possível uma vibrante economia de mercado com justiça social. Alias a melhor defesa da economia de mercado e da propriedade privada é o respeito a sua função social. Algo tão simples, mas que está longe de ser a regra no grande bananão e no resto da america latina. A saída à direita defendida pelo candidato da Nova Direita, não é uma solução ao problema, mas uma proposta de manutenção do sistema de injustiça social e privilégios que tanto nos envergonham.
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Direita, volver
É no minino curioso o artigo da Fernanda Torres na edição de domingo do jornal da Ditabranda: a disputa seria entre a esquerda USP e esquerda ABC? Como interpretar esta leitura? Para a talentosa atriz não haveria nenhum candidato de centro-direita, apenas de Centro-Esquerda? Será que ela esqueceu que isto é uma impossibilidade lógica? Infelizmente ela não é a única com esta leitura criativa da realidade. As viuvas/viuvos do candidato da Nova Direita em um exercício fantástico de auto-engano insistem na mesma tecla: ele é de esquerda, ainda que a coalizão possa ser de centro. Naturalmente de centro-esquerda. Como isto seria possível com a participação de luminares da ditatura somente o marxismo da ex- turma do ouro de moscou pode explicar. Ah!, para os jovens e aqueles de memória seletiva, estou falando do PCB a escola de quadros da Nova Direita e dos corruptos infiltrados no PT. Sim, eu sei que toda generalização é perigosa e que há de fato gente boa que pertenceu a este partido. Conheço alguns, mas coincidência ou não, a descrição acima está longe de ser injusta.
Ah! e o Maluf, já posso ouvir o contra-argumento. Direita é claro, mas figura menor na coalizão e dificilmente pode ser comparado com o Dem, que ficou com o vice.
Ah! e o Maluf, já posso ouvir o contra-argumento. Direita é claro, mas figura menor na coalizão e dificilmente pode ser comparado com o Dem, que ficou com o vice.
domingo, 25 de julho de 2010
sábado, 24 de julho de 2010
Dream Song 76: Henry's Confession, John Berryman
Nothin very bad happen to me lately.
How you explain that? —I explain that, Mr Bones,
terms o' your bafflin odd sobriety.
Sober as man can get, no girls, no telephones,
what could happen bad to Mr Bones?
—If life is a handkerchief sandwich,
in a modesty of death I join my father
who dared so long agone leave me.
A bullet on a concrete stoop
close by a smothering southern sea
spreadeagled on an island, by my knee.
—You is from hunger, Mr Bones,
I offers you this handkerchief, now set
your left foot by my right foot,
shoulder to shoulder, all that jazz,
arm in arm, by the beautiful sea,
hum a little, Mr Bones.
—I saw nobody coming, so I went instead.
How you explain that? —I explain that, Mr Bones,
terms o' your bafflin odd sobriety.
Sober as man can get, no girls, no telephones,
what could happen bad to Mr Bones?
—If life is a handkerchief sandwich,
in a modesty of death I join my father
who dared so long agone leave me.
A bullet on a concrete stoop
close by a smothering southern sea
spreadeagled on an island, by my knee.
—You is from hunger, Mr Bones,
I offers you this handkerchief, now set
your left foot by my right foot,
shoulder to shoulder, all that jazz,
arm in arm, by the beautiful sea,
hum a little, Mr Bones.
—I saw nobody coming, so I went instead.
sexta-feira, 23 de julho de 2010
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Caiu a mascara...
Supra sumo do supra sumo segundo seus seguidores o candidato da Nova Direita, finalmente, perdeu sua mascara - ou seria fantasia - e deixa uma legião de viuvas/viuvos lamentando pelos corredores das universidades do grande bananão a perda do idolo de pano. Messianismo em política é sempre um perigo, mas a lição básica nunca se aprende e o resultado, inevitável, é a busca pelo salvador da pátria. Triste sina dos tristes trópicos.
Ser de direita ou não, eis a questão, observa um velho amigo entristecido, mas resignado com o comportamento do seu candidato. O fato, já mencionado neste post, é que no mercado eleitoral o segmento de centro-esquerda já está ocupado e resta somente o de centro direita. Logo posicionar-se à direita da candidata da atual administração não é uma escolha, mas uma necessidade ditada pela lógica do mercado eleitoral. Alias, esta mesma lógica demonstra ser um grande equivoco mover-se para o extremo, ou moldar o discurso para agradar este eleitorado que, por definição, dificilmente votaria no candidato de centro-esquerda. Extremos não ganham eleições, muito pelo contrário... esta é mais uma lição que a soberba do candidato da Nova Direita o impede de ver. Lamentável, já que uma direita moderna, democrática faz muito falta no mercado eleitoral brasileiro. Este é o papel histórico do PSDB, mas o atual candidato não é, seguramente, o mais adequado para cumprir este papel e esta fadado a desaparecer no lixo da história. Se vitorioso, ai de mim, será o mais forte líder desta Nova Direita.
Ser de direita ou não, eis a questão, observa um velho amigo entristecido, mas resignado com o comportamento do seu candidato. O fato, já mencionado neste post, é que no mercado eleitoral o segmento de centro-esquerda já está ocupado e resta somente o de centro direita. Logo posicionar-se à direita da candidata da atual administração não é uma escolha, mas uma necessidade ditada pela lógica do mercado eleitoral. Alias, esta mesma lógica demonstra ser um grande equivoco mover-se para o extremo, ou moldar o discurso para agradar este eleitorado que, por definição, dificilmente votaria no candidato de centro-esquerda. Extremos não ganham eleições, muito pelo contrário... esta é mais uma lição que a soberba do candidato da Nova Direita o impede de ver. Lamentável, já que uma direita moderna, democrática faz muito falta no mercado eleitoral brasileiro. Este é o papel histórico do PSDB, mas o atual candidato não é, seguramente, o mais adequado para cumprir este papel e esta fadado a desaparecer no lixo da história. Se vitorioso, ai de mim, será o mais forte líder desta Nova Direita.
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Ainda a questão fiscal....
Ótimo artigo do Martin Wolf do TF sobre a delicada questão fiscal. Ele apresenta os argumentos dos dois lados do debate.
Uma "década perdida" à la Japão ameaça o mundo desenvolvido. Isso é provável se todos fizerem um ajuste fiscal ao mesmo tempo.
Ajustar ou não ajustar - eis a questão. E é uma questão para a qual as autoridades de política econômica começaram a alterar suas respostas. Elas estão certas em fazê-lo? Esse é o assunto em questão nesta semana em artigos no "Financial Times", ecoando os ferozes debates dos anos 30. Se os argumentos a favor do ajuste fiscal estiverem corretos, deixar de promovê-lo traria choques financeiros e fiscais em alguns dos países mais importantes do mundo. Se os argumentos a favor do aperto forem falsos, a decisão de promovê-lo coloca em risco a recuperação econômica e pode desencadear mais choques financeiros.
Qual a posição das autoridades? A declaração divulgada após a reunião de cúpula do G-20 asseverou: "Há o risco de que ajustes fiscais sincronizados em várias economias importantes possam impactar adversamente a recuperação. Também há o risco de que falhar em adotar a consolidação (fiscal) onde for necessário corroa a confiança e obstrua o crescimento. Refletindo esse equilíbrio, as economias avançadas se comprometeram a planos fiscais que reduzirão os déficits pelo menos em 50% até 2013 e estabilizarão ou reduzirão as proporções entre dívidas e Produto Interno Bruto até 2016".
A linguagem é notavelmente mais cautelosa que a do encontro de cúpula de Pittsburgh, em setembro de 2009, onde ousadamente declarou-se: "Nos comprometemos hoje a sustentar nossa forte resposta de política econômica até que se assegure uma recuperação durável. Agiremos para assegurar que quando o crescimento voltar, o mesmo ocorra com os empregos. Evitaremos qualquer retirada prematura dos estímulos. Ao mesmo tempo, prepararemos nossas estratégias de saída e, quando o momento for oportuno, retiraremos nosso apoio de políticas extraordinárias de apoio de uma forma cooperativa e coordenada, mantendo nosso compromisso com a responsabilidade fiscal".
O que foi que mudou, então?
A primeira resposta é que a economia mundial se recupera com mais força do que se imaginava. Em abril de 2009, época da reunião de cúpula do G-20 em Londres, a previsão consensual era de crescimento econômico mundial de 1,9% em 2010. Em setembro passado, a taxa de expansão havia chegado a 2,6%. Em junho deste ano, a 3,5%. Nos EUA, o consenso das previsões para este ano era de 1,8%, em abril de 2009; 2,4%, em setembro passado; e 3,3%, em junho deste ano. Até para a região do euro, as previsões subiram um pouco, de 0,3%, em abril de 2009; para 1%, em setembro passado; e 1,1%, em junho de 2010.
A segunda resposta está na crise fiscal grega e de outros países periféricos da região do euro, reforçada pela eleição da coalizão de governo do Reino Unido. A fuga dos investimentos de risco foi drástica: em maio, o rendimento dos bônus governamentais gregos de dez anos chegou a um pico superior a 12%. Isso levou a um pacote de resgate do Fundo Monetário Internacional (FMI) e de outros países da região do euro, assim como à formação de uma nova linha de crédito de estabilização conjunta do FMI e da região do euro, de € 750 bilhões.
Os "cortadores" argumentam que déficits fiscais imensos desse tipo - nunca vistos antes em tempos de paz em grandes países desenvolvidos, mais notavelmente nos EUA - ameaçam a credibilidade fiscal de longo prazo, além de deprimir os gastos e a confiança privada. Embora agregar estímulos fiscais aos estabilizadores inerentes do sistema fazia sentido durante o pânico em 2008 e início de 2009, chegou o momento de uma rápida consolidação fiscal. De outra forma, nos aproximamos de uma disparada nos custos dos empréstimos, o que teria resultados desastrosos. A perda permanente de produção e receita deixada pela crise, somada ao envelhecimento das populações, torna inevitável e premente agir.
Os "postergadores" concordam que deve haver uma desaceleração decisiva do crescimento nos gastos de longo prazo. Enfatizam, no entanto, a fragilidade da recuperação e, em particular, os imensos superávits financeiros do setor privado. Essa frugalidade privada provocou os déficits fiscais, insistem, e não o contrário. A sequência de eventos torna isso evidente.
Além disso, acrescentam os postergadores, vivenciamos uma ampla fuga em direção à segurança: para os que têm mais pânico, não há alternativa a não ser os bônus de governos com altas classificações de crédito, particularmente o dos EUA, emissor da moeda mundial de segurança. Desde a crise da região do euro, esse papel do país fortaleceu-se. Além disso, as taxas de juros de longo prazo dos principais países estão em baixa, não em alta: nos EUA, as taxas dos títulos de dez anos do Tesouro estão em 3%. Onde está, então, a ameaça à confiança?
Os postergadores, ademais, poderiam acrescentar que, com taxas de juros próximas a zero, a política monetária é ineficiente, a não ser na medida em que sustenta o afrouxamento fiscal. Por sorte, os países com bancos centrais próprios podem financiar diretamente déficits fiscais. Isso não vale para os países da região do euro, que estão, na prática, operando com uma moeda estrangeira. Enquanto o excesso de capacidade continuar tão grande e os empréstimos bancários normais tão enfraquecidos, tal dependência em relação à "gráfica" do banco central não cria perigos inflacionários. Ao contrário, o perigo maior é que um aperto fiscal prematuro possa desencadear uma desaceleração econômica acentuada, como no Japão na década de 90, arremessando dessa forma economias importantes em uma deflação.
A interação de alto endividamento e deflação poderia, argumentam, criar uma espiral descendente. Uma "década perdida" à japonesa ameaça o mundo desenvolvido. Isso é particularmente provável se todos promoverem um ajuste fiscal ao mesmo tempo. Na verdade, precisa-se de mais afrouxamento: no primeiro trimestre de 2010, o PIB de todos os membros do grupo das sete principais economias ainda estava abaixo de seus níveis pré-crise.
Os leitores podem decidir-se sobre os méritos dos argumentos nesta semana. Minha forma de ver está fortemente ao lado dos postergadores. Em um ponto, entretanto, todos concordam: o debate é importante. Não podemos ter certeza sobre quem está certo. Mas podemos estar certos de que, se os responsáveis por formular as políticas agirem de forma errada, os resultados podem muito bem ser desastrosos. Os médicos precisam preparar-se para reagir com rapidez a reações adversas ao tipo de tratamento escolhido
terça-feira, 20 de julho de 2010
Dez princípios conservadores, Russell Kirk
Texto clássico do Russel Kirk, grande pensador conservador americano. Leitura obrigatória no momento em que a velha e a nova direita mostram suas garras e a midia, como sempre, as coloca como sinonimo de conservador. Como diria meu pai, nem tudo que reluz é ouro.
Não sendo nem uma religião nem uma ideologia, o conjunto de opiniões designado por conservadorismo, não possui nenhuma “escritura sagrada” e nenhum “O Capital” para fornecer um dogma. Por mais que se possa estabelecer em que os conservadores acreditam, os princípios primordiais do convencimento conservador foram derivados a partir do que escritores renomados e homens públicos conservadores professaram durante os dois séculos passados. Após algumas observações introdutórias neste tema geral, eu listarei dez destes princípios conservadores.
Talvez seja mais apropriado, na maior parte das vezes, usarmos a palavra “conservador” como um adjetivo. Isto porque não existe nenhum “Modelo Conservador”, e o conservadorismo é a negação da ideologia: é um estado da mente, um tipo de caráter, uma maneira de olhar a ordem social civil.
A atitude que nós chamamos de “conservadorismo” é mantida por um conjunto de sentimentos ao invés de um sistema de dogmas ideológico. É quase completamente verdadeiro que um conservador pode ser definido como uma pessoa que se pensa como tal. O movimento ou o conjunto de opiniões conservadoras pode acomodar uma diversidade considerável de pontos de vista em muitos temas, não havendo nenhum “Test Act” ou “Thirty-Nine Articles” do credo conservador.
Em essência, o conservador é simplesmente alguém que considera as coisas permanentes mais agradáveis do que o “Chaos” e a “Old Night”. (Contudo os conservadores sabem, com Burke, que saudáveis “mudanças são os meios de nossa preservação.”) Uma experiência de continuidade histórica das pessoas, diz o conservador, oferece uma guia para a política muito melhor do que os projetos abstratos de filósofos de botequim. Mas naturalmente há mais a motivar o conservador do que esta atitude geral.
Não é possível redigir um catálogo completo das convicções conservadoras; não obstante, eu ofereço-lhe, resumidamente, dez princípios gerais. Parece seguro dizer que a maioria dos conservadores subscreveria a maior parte destas máximas. Em várias edições de meu livro The Conservative Mind, eu listei determinados cânones do pensamento conservador — a lista difere um tanto de edição em edição; na minha antologia The Portable Conservative Reader eu ofereço variações sobre este tema. Agora eu lhes apresento um sumário das suposições conservadoras que diferem um tanto de meus cânones destes dois livros. Específicamente, a diversidade de maneiras em que as visões conservadoras podem encontrar expressão é por si só uma prova de que o conservadorismo não é nenhuma ideologia fixa. Que princípios particulares os conservadores enfatizam em uma época específica, variarão com as circunstâncias e as necessidades dessa era. Os seguintes dez artigos de crença refletem as ênfases dos conservadores na América de hoje em dia.
Primeiramente, o conservador acredita que existe uma ordem moral duradoura. Que a ordem está feita para o homem, e o homem é feito para ela: a natureza humana é uma constante, e as verdades morais são permanentes.
A palavra ordem significa harmonia. Há dois aspectos ou tipos de ordem: a ordem interna da alma, e a ordem exterior da comunidade. Há vinte e cinco séculos, Platão ensinou esta doutrina, mas mesmo os letrados de hoje em dia encontram dificuldades em compreender. O problema da ordem tem sido uma preocupação central dos conservadores desde que o termo conservador passou a fazer parte da política.
Nosso mundo do século vinte experimentou as conseqüências hediondas do colapso da crença em uma ordem moral. Como as atrocidades e os desastres da Grécia no quinto século antes de Cristo, a ruína de grandes nações em nosso século mostra-nos o poço em que caem as sociedades que se enredam em ardilosos interesses próprios, ou engenhosos controles sociais, como alternativas mais palatáveis a uma antiquada ordem moral.
Foi dito pelos intelectuais de esquerda (“liberals”) que o conservador acredita, com o coração, que todas as questões sociais são questões da moralidade privada. Compreendida corretamente, esta indicação é bastante verdadeira. Uma sociedade em que os homens e as mulheres são governados pela opinião em uma ordem moral perene, por um sentido forte de certo e errado, por convicções pessoais sobre a justiça e a honra, será uma boa sociedade — não importa a maquinaria política que utilize; quando uma sociedade em que os homens e as mulheres estão moralmente a deriva, ignorantes das normas, e movidos primariamente pela satisfação dos apetites, será uma má sociedade — não importando quantas pessoas votem ou quão liberal seja sua constituição.
Segundo, o conservador adere ao costume, à convenção, e à continuidade. São os princípios antigos que permitem que as pessoas vivam juntas pacificamente. Os demolidores dos costumes destroem mais do que sabem ou desejam. É através da convenção, palavra tão abusada nos nossos tempos, que conseguimos evitar disputas perpétuas sobre direitos e deveres: as leis, em sua essência, são um conjunto de convenções. Continuidade é o agregado dos meios de se ligar uma geração à outra, e ela importa tanto para a sociedade quanto para o indivíduo. Sem ela, a vida é sem sentido. Quando revolucionários bem sucedidos apagaram velhos costumes, ridicularizaram antigas convenções e quebraram a continuidade das instituições sociais, neste mesmo instante descobriram a necessidade de repô-los por novos, mas este processo é lento e penoso, e a nova ordem social que eventualmente emerge nestas circunstâncias pode ser muito inferior à velha ordem que os radicais superaram em sua ardorosa busca pelo “Paraíso Terreno”.
Conservadores são campeões dos costumes, convenção e continuidade, porque eles preferem o diabo que conhecem do que áquele que não. Ordem, justiça e liberdade, eles acreditam, são produtos artificiais de uma longa experiência social, o resultado de séculos de tentativas, reflexão e sacrifício. Desta forma, o corpo social é um tipo de corporação espiritual, comparável à Igreja, podendo mesmo ser chamada de comunidade de almas. A sociedade humana não é nenhuma máquina para ser tratada mecanicamente. A continuidade, o sangue da vida de uma sociedade, não pode ser interrompida. O lembrete de Burke sobre a necessidade de mudanças prudentes está nas mentes dos conservadores. Mas a mudança necessária, argumentam os conservadores, deve ser gradual e discriminatória, nunca removendo antigos interesses de uma vez.
Para ler o texto completo clique aqui
Não sendo nem uma religião nem uma ideologia, o conjunto de opiniões designado por conservadorismo, não possui nenhuma “escritura sagrada” e nenhum “O Capital” para fornecer um dogma. Por mais que se possa estabelecer em que os conservadores acreditam, os princípios primordiais do convencimento conservador foram derivados a partir do que escritores renomados e homens públicos conservadores professaram durante os dois séculos passados. Após algumas observações introdutórias neste tema geral, eu listarei dez destes princípios conservadores.
Talvez seja mais apropriado, na maior parte das vezes, usarmos a palavra “conservador” como um adjetivo. Isto porque não existe nenhum “Modelo Conservador”, e o conservadorismo é a negação da ideologia: é um estado da mente, um tipo de caráter, uma maneira de olhar a ordem social civil.
A atitude que nós chamamos de “conservadorismo” é mantida por um conjunto de sentimentos ao invés de um sistema de dogmas ideológico. É quase completamente verdadeiro que um conservador pode ser definido como uma pessoa que se pensa como tal. O movimento ou o conjunto de opiniões conservadoras pode acomodar uma diversidade considerável de pontos de vista em muitos temas, não havendo nenhum “Test Act” ou “Thirty-Nine Articles” do credo conservador.
Em essência, o conservador é simplesmente alguém que considera as coisas permanentes mais agradáveis do que o “Chaos” e a “Old Night”. (Contudo os conservadores sabem, com Burke, que saudáveis “mudanças são os meios de nossa preservação.”) Uma experiência de continuidade histórica das pessoas, diz o conservador, oferece uma guia para a política muito melhor do que os projetos abstratos de filósofos de botequim. Mas naturalmente há mais a motivar o conservador do que esta atitude geral.
Não é possível redigir um catálogo completo das convicções conservadoras; não obstante, eu ofereço-lhe, resumidamente, dez princípios gerais. Parece seguro dizer que a maioria dos conservadores subscreveria a maior parte destas máximas. Em várias edições de meu livro The Conservative Mind, eu listei determinados cânones do pensamento conservador — a lista difere um tanto de edição em edição; na minha antologia The Portable Conservative Reader eu ofereço variações sobre este tema. Agora eu lhes apresento um sumário das suposições conservadoras que diferem um tanto de meus cânones destes dois livros. Específicamente, a diversidade de maneiras em que as visões conservadoras podem encontrar expressão é por si só uma prova de que o conservadorismo não é nenhuma ideologia fixa. Que princípios particulares os conservadores enfatizam em uma época específica, variarão com as circunstâncias e as necessidades dessa era. Os seguintes dez artigos de crença refletem as ênfases dos conservadores na América de hoje em dia.
Primeiramente, o conservador acredita que existe uma ordem moral duradoura. Que a ordem está feita para o homem, e o homem é feito para ela: a natureza humana é uma constante, e as verdades morais são permanentes.
A palavra ordem significa harmonia. Há dois aspectos ou tipos de ordem: a ordem interna da alma, e a ordem exterior da comunidade. Há vinte e cinco séculos, Platão ensinou esta doutrina, mas mesmo os letrados de hoje em dia encontram dificuldades em compreender. O problema da ordem tem sido uma preocupação central dos conservadores desde que o termo conservador passou a fazer parte da política.
Nosso mundo do século vinte experimentou as conseqüências hediondas do colapso da crença em uma ordem moral. Como as atrocidades e os desastres da Grécia no quinto século antes de Cristo, a ruína de grandes nações em nosso século mostra-nos o poço em que caem as sociedades que se enredam em ardilosos interesses próprios, ou engenhosos controles sociais, como alternativas mais palatáveis a uma antiquada ordem moral.
Foi dito pelos intelectuais de esquerda (“liberals”) que o conservador acredita, com o coração, que todas as questões sociais são questões da moralidade privada. Compreendida corretamente, esta indicação é bastante verdadeira. Uma sociedade em que os homens e as mulheres são governados pela opinião em uma ordem moral perene, por um sentido forte de certo e errado, por convicções pessoais sobre a justiça e a honra, será uma boa sociedade — não importa a maquinaria política que utilize; quando uma sociedade em que os homens e as mulheres estão moralmente a deriva, ignorantes das normas, e movidos primariamente pela satisfação dos apetites, será uma má sociedade — não importando quantas pessoas votem ou quão liberal seja sua constituição.
Segundo, o conservador adere ao costume, à convenção, e à continuidade. São os princípios antigos que permitem que as pessoas vivam juntas pacificamente. Os demolidores dos costumes destroem mais do que sabem ou desejam. É através da convenção, palavra tão abusada nos nossos tempos, que conseguimos evitar disputas perpétuas sobre direitos e deveres: as leis, em sua essência, são um conjunto de convenções. Continuidade é o agregado dos meios de se ligar uma geração à outra, e ela importa tanto para a sociedade quanto para o indivíduo. Sem ela, a vida é sem sentido. Quando revolucionários bem sucedidos apagaram velhos costumes, ridicularizaram antigas convenções e quebraram a continuidade das instituições sociais, neste mesmo instante descobriram a necessidade de repô-los por novos, mas este processo é lento e penoso, e a nova ordem social que eventualmente emerge nestas circunstâncias pode ser muito inferior à velha ordem que os radicais superaram em sua ardorosa busca pelo “Paraíso Terreno”.
Conservadores são campeões dos costumes, convenção e continuidade, porque eles preferem o diabo que conhecem do que áquele que não. Ordem, justiça e liberdade, eles acreditam, são produtos artificiais de uma longa experiência social, o resultado de séculos de tentativas, reflexão e sacrifício. Desta forma, o corpo social é um tipo de corporação espiritual, comparável à Igreja, podendo mesmo ser chamada de comunidade de almas. A sociedade humana não é nenhuma máquina para ser tratada mecanicamente. A continuidade, o sangue da vida de uma sociedade, não pode ser interrompida. O lembrete de Burke sobre a necessidade de mudanças prudentes está nas mentes dos conservadores. Mas a mudança necessária, argumentam os conservadores, deve ser gradual e discriminatória, nunca removendo antigos interesses de uma vez.
Para ler o texto completo clique aqui
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Vergonha
Lamentável o comportamento do Vice do candidato da Nova Direita. Ele comporta-se como aquele famoso ex. de triste memória e é mais um exemplo da falta de seriedade e compromisso com o futuro do país do núcleo duro da velha direita e daquele que resolveu destruir o pouco que ainda lhe resta da reputação e respeito devido ao seu passado. Onde ele estava com a cabeça quando resolver escolher uma figura menor e insignificante para um cargo tão importante? Será que ele se considera eterno? Na hipótese - cade vez menos provável - de vitória o país correria o risco, no caso de uma tragédia, de ser governado por alguem sem as qualificações necessárias para ocupar o cargo de Presidente da Republica.
O silêncio em relação aos comentários é vergonhoso.
O silêncio em relação aos comentários é vergonhoso.
domingo, 18 de julho de 2010
sábado, 17 de julho de 2010
The fish, Marianne Moore
wade
through black jade.
Of the crow-blue mussel-shells, one keeps
adjusting the ash-heaps;
opening and shutting itself like
an
injured fan.
The barnacles which encrust the side
of the wave, cannot hide
there for the submerged shafts of the
sun,
split like spun
glass, move themselves with spotlight swiftness
into the crevices—
in and out, illuminating
the
turquoise sea
of bodies. The water drives a wedge
of iron through the iron edge
of the cliff; whereupon the stars,
pink
rice-grains, ink-
bespattered jelly fish, crabs like green
lilies, and submarine
toadstools, slide each on the other.
All
external
marks of abuse are present on this
defiant edifice—
all the physical features of
ac-
cident—lack
of cornice, dynamite grooves, burns, and
hatchet strokes, these things stand
out on it; the chasm-side is
dead.
Repeated
evidence has proved that it can live
on what can not revive
its youth. The sea grows old in it.
through black jade.
Of the crow-blue mussel-shells, one keeps
adjusting the ash-heaps;
opening and shutting itself like
an
injured fan.
The barnacles which encrust the side
of the wave, cannot hide
there for the submerged shafts of the
sun,
split like spun
glass, move themselves with spotlight swiftness
into the crevices—
in and out, illuminating
the
turquoise sea
of bodies. The water drives a wedge
of iron through the iron edge
of the cliff; whereupon the stars,
pink
rice-grains, ink-
bespattered jelly fish, crabs like green
lilies, and submarine
toadstools, slide each on the other.
All
external
marks of abuse are present on this
defiant edifice—
all the physical features of
ac-
cident—lack
of cornice, dynamite grooves, burns, and
hatchet strokes, these things stand
out on it; the chasm-side is
dead.
Repeated
evidence has proved that it can live
on what can not revive
its youth. The sea grows old in it.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
À direita da velha direita
Como já haviamos adiantado, o candidato da Nova Direita cada vez mais adota um discurso tipicamente de direita, como é o caso da expressão "Republica Sindicalista", usada no passado pelo grande lider da direita brasileira( e ex-lider da juventude comunista) Lacerda e, na eleição presidencial de 1989, pelo Edmar Bacha. Para aqueles de memória curta ou seletiva, em entrevista ao JT, o famoso economista alertava para o risco de uma República Sindicalista" no caso da vitoria do Lula. A velha e a nova direita nunca foram conhecidas pela criatividade.
Este posicionamento do candidato à Presidente da República da Nova Direita era totalmente previsível, já que o único espaço não ocupado no mercado eleitoral é justamente o da direita. Dado o seu passado na esquerda( católica) ele seguramente não é um quadro histórico da direita brasileira, mas uma espécie de "cristão novo" o que o leva a ser mais realista que o rei: assumir posições à direita dos quadros históricos da direita brasileira. Ironias da vida no grande bananão.
No caso de derrota, ele dificilmente será o grande lider da Nova Direita, mas seu partido, deverá ser o ponto de partida para construção de um partido de direita competitivo. Será que sua ala esquerda finalmente vai assumir ou mudar de partido? E os economistas do Bixiga?
Estou curioso para conhecer a reação do marxismo talebã do conhecido aparelho que tanto o admira.
Este posicionamento do candidato à Presidente da República da Nova Direita era totalmente previsível, já que o único espaço não ocupado no mercado eleitoral é justamente o da direita. Dado o seu passado na esquerda( católica) ele seguramente não é um quadro histórico da direita brasileira, mas uma espécie de "cristão novo" o que o leva a ser mais realista que o rei: assumir posições à direita dos quadros históricos da direita brasileira. Ironias da vida no grande bananão.
No caso de derrota, ele dificilmente será o grande lider da Nova Direita, mas seu partido, deverá ser o ponto de partida para construção de um partido de direita competitivo. Será que sua ala esquerda finalmente vai assumir ou mudar de partido? E os economistas do Bixiga?
Estou curioso para conhecer a reação do marxismo talebã do conhecido aparelho que tanto o admira.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Desindustrialização
O Valor publicou na edição desta quinta-feira uma longa reportagem sobre a desindustrialização. É um debate interessante e a matéria do jornal é uma boa introdução . Meu amigo Marconi- mencionado na reportagem - esta entre aqueles que defendem a tese da desindustrialização. Os argumentos dele são interessantes, mas ainda não me convenceram. Concordo com os argumentos apresentados pelo Bonelli e, principalmente, Antonio Barros de Castro. Sinto, no entanto, a falta de argumentos teóricos mais robustos e uma certa adesão a uma visão limitada do processo histórico em marcha. Esta na hora de reler o classico do Castro, "O capitalismo ainda é aquele" e os trabalhos do Pasinetti.
quarta-feira, 14 de julho de 2010
terça-feira, 13 de julho de 2010
O fantasma da confiança do mercado
Ótimo artigo do Dani Rodrik sobre a zona do Euro publicado no valor desta terça feira. Outro artigo que vale a pena ser lido é o do Nakano. Alias, recomendo ler os dois e compara-los. O do Rodrik é muito melhor. Nakano continua equivocado em relação a política econômica a ser seguida em países como Espanha, por ex.
Mesmo em retrospecto, algumas vezes não fica claro porque os mercados se movem numa direção e não em outra
Um espectro assombra a Europa - o espectro da "confiança do mercado".
Pode ter sido o medo do comunismo o que agitou governos quando Karl Marx escreveu as linhas de abertura do seu famoso manifesto em 1848, mas hoje é o pavor de que o sentimento do mercado se volte contra eles e eleve os spreads sobre os bônus dos seus governos. Dirigentes em todas as partes estão sendo obrigados a adotar uma política de retração fiscal prematura, ainda que a taxa de desemprego continue elevada e a demanda privada demonstre poucos sinais de vida. Muitos são levados a adotar reformas estruturais nas quais não acreditam realmente - só porque não fazê-lo passaria uma má impressão aos mercados.
O terror movido a sentimento de mercado já foi a ruína exclusiva dos países pobres. Durante a crise da dívida latino-americana da década de 1980 ou a crise financeira asiática de 1997, por exemplo, os países em desenvolvimento pesadamente endividados acreditaram não ter muitas opções além de engolir um remédio amargo - ou enfrentar uma avalanche de saídas de capital. Agora é a vez de Espanha, França, Reino Unido e, avaliam muitos analistas, até dos Estados Unidos.
Se queremos tomar dinheiro emprestado, precisamos convencer a nossa instituição de crédito de que podemos devolver os recursos. Até aí está claro. Em tempos de crise, porém, a confiança do mercado assume vida própria. Ela se torna um conceito sublime desprovido de qualquer conteúdo econômico real. Ele se transforma naquilo que filósofos chamam "construção social" - algo que só é real porque assim acreditamos. Isso porque, se a lógica econômica fosse bem definida, os governos não precisariam justificar o que fazem com base na confiança do mercado. Ficaria evidente qual política funciona ou não, e a busca das políticas "certas" seria a forma mais segura de restaurar a confiança. A perseguição da confiança do mercado seria supérflua.
Assim sendo, se a confiança de mercado tem um significado, deve ser algo que não é determinado simplesmente pelos fundamentos econômicos. Mas o que seria isso?
No seu Manifesto Comunista, Marx afirmou que "chegou a hora de os comunistas poderem publicar, abertamente, diante de todo o mundo, suas opiniões, seus objetivos e tendências e confrontar esse conto do espectro do comunismo com um manifesto do próprio partido". Igualmente, seria interessante se os mercados esclarecessem o que eles querem dizer com "confiança", de forma a que saibamos todos com o que estamos lidando.
Certamente, é improvável que os "mercados" façam algo desse naipe. Isso não só porque os mercados são constituídos por uma profusão de investidores e especuladores que muito provavelmente jamais se reunirão para publicar um "programa do partido", mas, mais fundamentalmente, porque os próprios mercados têm pouca noção do que seja.
A capacidade e a disposição de um governo de servir a sua dívida dependem de um número quase infinito de contingências atuais e futuras. Elas dependem não só dos seus planos fiscais e de gastos, mas também do estado da economia, da conjuntura externa e do contexto político. Todas são extremamente incertas e exigem muitas premissas para chegar a algum tipo de critério sobre capacidade creditícia.
Hoje, os mercados parecem pensar que vastos déficits fiscais são a maior ameaça à solvência de um governo. Amanhã eles poderão pensar que o problema real é baixa taxa de crescimento e deplorarão as severas políticas fiscais que ajudaram a produzi-la.
Atualmente, eles se preocupam com governos brandos, incapazes de tomar as duras medidas necessárias para lidar com a crise. Talvez amanhã eles percam horas de sono com as manifestações em massa e os conflitos sociais provocados pelas duras políticas econômicas.
Poucos sabem prever em qual direção o sentimento de mercado se moverá, quanto mais os próprios participantes do mercado. Mesmo em retrospecto, algumas vezes não fica claro porque os mercados se movem numa direção e não em outra. Políticas semelhantes produzirão reações de mercado distintas, dependendo do conto predominante ou da coqueluche do momento. Isso explica por que conduzir a economia com base nos ditames da confiança de mercado é uma perda de tempo.
O raio de esperança em tudo isso é que, ao contrário dos economistas e políticos, mercados não têm ideologia. Enquanto ganharem dinheiro, não se importarão se tiverem de engolir as suas próprias palavras. Eles simplesmente querem o que quer que "funcione" - o que quer que produza um ambiente econômico vigoroso propício ao pagamento da dívida. Quando as circunstâncias se tornarem horríveis demais, eles até tolerarão a reestruturação da dívida - se a alternativa for caos e a perspectiva de prejuízo maior.
Isso abre algum espaço para os governos manobrarem. Permite que políticos seguros de si assumam o controle do seu próprio futuro. Isso os autoriza a moldar a história que dá sustentação à confiança de mercado, em vez de ficar brincando de pega-pega.
Mas para fazer bom uso desse espaço de manobra, os formuladores de política precisam articular um relato coerente, sólido e confiável do que estão fazendo, baseado tanto nos princípios econômicos como nas boas práticas políticas. Eles devem dizer: "Estamos fazendo isso não porque os mercados exigem isso, mas porque é bom para nós e pronto".
O argumento deles precisa convencer os seus eleitorados, assim como os mercados. Se lograrem êxito, poderão ir atrás dos seus próprios princípios e manter a confiança dos mercados ao mesmo tempo.
Foi nesse ponto que os europeus (junto com os seus assessores econômicos) dormiram no ponto. Em vez de enfrentarem o desafio, os líderes primeiro empurraram com a barriga e depois se renderam à pressão. Eles acabaram cultuando os pronunciamentos dos analistas de mercado. Ao fazê-lo, negaram a si mesmos políticas economicamente desejáveis que têm maior probabilidade de arregimentar apoio popular.
Se a crise atual se agravar, os líderes políticos serão aqueles que arcarão com a responsabilidade principal - não por terem ignorado os mercados, mas por os terem levado demasiado a sério.
Fonte: Valor
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Serra e o marxismo talebã
Sempre achei estranho a admiração do marxismo talebã pelo Serra. Vários já se declararam de boca cheia - como diria meu pai - serem seu eleitor. Não conseguia encontrar nenhum denominador comum: Serra não somente aparenta gostar, mas conhece economia que sabemos não ser o caso do marxismo talebã. As demissões/perseguições na tv cultura - um triste exemplo de stalinismo e macartismo ao estilo grande bananão - finalmente me ajudaram a entender as razões da grande admiração pelo Serra. Sei, por experiência própria, que assassinato de personalidade, perseguição e recusa em aceitar qualquer forma de pensamento independente é pratica corriqueira deste triste aparelho e agora descubro, com alguma surpresa, que aparentemente está também é a pratica do candidato a Presidente da Republica. Triste sina a nossa: um bom economista, cria da esquerda católica, comportando-se como a fina flor do stalinismo. O Mundo realmente está perdido.
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