sexta-feira, 30 de setembro de 2011

George Soros: How to stop a second Great Depression

Proposta radical do Soros que só seria viável se a zona do euro fosse de fato um Estado Unificado, como não é o caso, é apenas uma análise que aponta para a direção correta, mas sem nenhuma aplicabilidade para o curto prazo.


Financial markets are driving the world towards another Great Depression with incalculable political consequences. The authorities, particularly in Europe, have lost control of the situation. They need to regain control and they need to do so now.
Three bold steps are needed. First, the governments of the eurozone must agree in principle on a new treaty creating a common treasury for the eurozone. In the meantime, the major banks must be put under European Central Bank direction in return for a temporary guarantee and permanent recapitalisation. The ECB would direct the banks to maintain their credit lines and outstanding loans, while closely monitoring risks taken for their own accounts. Third, the ECB would enable countries such as Italy and Spain to temporarily refinance their debt at a very low cost. These steps would calm the markets and give Europe time to develop a growth strategy, without which the debt problem cannot be solved.
This is how it would work. Since a eurozone treaty establishing a common treasury would take a long time to conclude, in the interim the member states have to appeal to the ECB to fill the vacuum. The European Financial Stabilisation Fund is still being formed but in its present form the new common treasury is only a source of funds and how the funds are spent is left to the member states. It would require a newly created intergovernmental agency to enable the EFSF to cooperate with Europe’s central bank. This would have to be authorised by Germany’s Bundestag and perhaps by the legislatures of other states as well.
The immediate task is to erect the necessary safeguards against contagion from a possible Greek default. There are two vulnerable groups – the banks and the government bonds of countries such as Italy and Spain – that need to be protected. These two tasks could be accomplished as follows.
The EFSF would be used primarily to guarantee and recapitalise banks. The systemically important banks would have to sign an undertaking with the EFSF that they would abide by the instructions of the ECB as long as the guarantees were in force. Banks that refused to sign would not be guaranteed. Europe’s central bank would then instruct the banks to maintain their credit lines and loan portfolios while closely monitoring the risks they run for their own account. These arrangements would stop the concentrated deleveraging that is one of the main causes of the crisis. Completing the recapitalisation would remove the incentive to deleverage. The blanket guarantee could then be withdrawn.
To relieve the pressure on the government bonds of countries such as Italy, the ECB would lower its discount rate. It would then encourage the countries concerned to finance themselves entirely by issuing treasury bills and encourage the banks to buy the bills. The banks could rediscount the bills with the ECB but they would not do so as long as they earned more on the bills than on the cash. This would allow Italy and the other countries to refinance themselves for about 1 per cent a year during this emergency period. Yet the countries concerned would be subject to strict discipline because if they went beyond agreed limits the facility would be withdrawn. Neither the ECB nor the EFSF would buy any more bonds in the market, allowing the market to set risk premiums. If and when the premiums returned to more normal levels the countries concerned would start issuing longer-duration debt.
These measures would allow Greece to default without causing a global meltdown. That does not mean that Greece would be forced into default. If Greece met its targets, the EFSF could underwrite a “voluntary” restructuring at, say 50 cents on the euro. The EFSF would have enough money left to guarantee and recapitalise the European banks and it would be left to the International Monetary Fund to recapitalise the Greek banks. How Greece fared under those circumstances would be up to the Greeks.
I believe these steps would bring the acute phase of the euro crisis to an end by staunching its two main sources and reassuring the markets that a longer-term solution was in sight. The longer-term solution would be more complicated because the regime imposed by the ECB would leave no room for fiscal stimulus and the debt problem could not be resolved without growth. How to create viable fiscal rules for the euro would be left to the treaty negotiations.
There are many other proposals under discussion behind closed doors. Most of these proposals seek to leverage the EFSF by turning it into a bank or an insurance company or by using a special purpose vehicle. While practically any proposal is liable to bring temporary relief, disappointment could push financial markets over the brink. Markets are likely to see through inadequate proposals, especially if they violate Article 123 of the Lisbon treaty, which is scrupulously respected by my proposal. That said, some form of leverage could be useful in recapitalising the banks.
The course of action outlined here does not require leveraging or increasing the size of the EFSF but it is more radical because it puts the banks under European control. That is liable to arouse the opposition of both the banks and the national authorities. Only public pressure can make it happen.

Fonte: FT

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Merkel

Ao contrário do cenário pintado pelos marinheiros de primeira viagem e analistas de orelhada, o parlamento alemão aprovou as medidas necessárias ao fortalecimento do EFSF. É um resultado importante para a Merkel que não precisou contar com os votos da oposição para garantir a maioria necessária à aprovação das medidas e confirma, para os céticos, o compromisso da atual administração e da oposição com o projeto da zona do euro. É um resultado que, naturalmente, não resolve, ainda, o problema grego, mas sinaliza que uma proposta para soluciona-la é perfeitamente viável e não enfrentará obstaculos políticos incontornaveis na alemanha. Dificil saber se a votação de hoje justifica a política vacilante da Merkel, mas o fato é que, apesar do resultado da votação, sua liderança esta bem aquém de outros figuras importantes da alemanha do pós guerra. Definitivamente Estadista para ser um animal político extinto.

No Imperio, a revisão, para melhor, de alguns números, não altera em absoluto a opinião deste bloger sobre o estado atual e perspectivas futuras de sua economia: anêmica e com 50% de probalibilidade de um segundo mergulho. O resultado da votação acima mencionado, desmente o comentário de Pepino, o breve, vulgo Obama sobre zona do euro vis à vis a da aguia envelhecida.No velho continente o céu não é de brigadeiro, mas o sistema político ainda mantém a racionalidade há muito perdida no Império.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Novidades do front nacional e internacional..

Segundo o Valor desta terça-feira, em evento no famoso Country Club da Rua Itapeva, "câmbio 'ideal' para o mercado local ganha defesa". Difícil discordar desta tese, resta saber qual seria este câmbio e os meios que seriam usados para alcança-lo. A ausência de qualquer menção a inflação diz tudo. Crescimento com alguma inflação parece ser, novamente, o mantra dos velhos e dos novos desenvolvimentistas.

Interessante, também, a tese do meu orientador de mestrado: "A economia brasileira vai ser comandada pelas expectativas de consumo interno, não vejo como o crescimento possa ser comandado pela exportações" que, aparentemente, recebeu a aprovação do Steinbruch: "Se o valor for conflitante, devemos olhar um câmbio que mantenha nosso mercado interno e sacrificar as exportações [de manufaturados]". "Pela primeira vez temos um mercado interno forte e podemos crescer com isso". Seria um retorno a velha e conhecida estratégia de crescimento para dentro e abandono definitivo do crescimento para fora. Dado a dimensão do mercado interno e a política social da atual administração não deixa de ser uma boa opção. O problema é que ela poderá ser usada como justificativa para proteger a ineficiente produção nacional como era pratica corrente no período do nacional desenvolvimentismo. Ressuscita-lo me parece ser uma idéia infeliz e totalmente fora de lugar. A melhor opção é fazer bom uso do mercado interno sem deixar de lado a preocupação com as exportações. Sei que no atual cenário da economia mundial é bem dificil, mas fundamental para não incorrer nos mesmos erros do passado.

Enquanto isto na zona do euro as negociações avançaram bastante com apresentação de proposta de default administrado de 50% da divida grega, mais recursos para o EFSF e forte recapitalização dos bancos da zona do euro. É um bom ponto de partida que ainda depende de complicadas negociações políticas em que a Alemanha, mais um vez, tem papel decisivo. Dado seu papel na historia europeia do seculo passado seu grau de manobra é bem menor que o assumido por vários analistas do grande bananão. Não estou afirmando que esta proposta será aprovado sem alterações, mas que contem os elementos fundamentais da versão final. Há detalhes importantes a serem negociados, mas são detalhes...

Ela resolve o problema de curto prazo, mas não tem impacto, obviamente, sobre a questão estrutural: a ineficiência de alguns países da zona de euro que é grande responsável pela crescimento anêmicos de sua economia. Este é um problema antigo e que requer outros tipos de medidas, assim como período de tempo razoável e já era bem conhecido quando da adesão a zona do euro. Se ela fosse apenas um projeto econômico eles não teriam sido aceitos, mas como já mencionei várias vezes é e continua a ser fundamentalmente um projeto político a procura de fundamentos econômicos. A alemanha já encontrou o seu, mas faz de conta não ser este o caso... Engana que eu gosto

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O Bacen tem razão...

Segundo materia/manchete no Valor desta segunda-feira a lua de mel entre o Bacen e a Fazenda parece estar com os dias contados. O motivo seria a divergência em relação ao IOF em derivativos. A Fazenda não quer abrir mão da medida, enquanto o Bacen, argumenta que ela está prejudicando o bom funcionamento do mercado. Naturalmente, o Bacen está correto e a medida que nunca deveria ser sido implementada, deve ser enviada ao seu lugar de direito: a lata de lixo dos equivocos do menino maluquinho. Isto não implica afirmar que não se deve procurar influenciar o câmbio no sentido de garantir uma taxa que seja adequada ao interesse nacional, apenas que tal medida é infeliz e aumentou a volatilidade no mercado de câmbio, cenário que não é do interesse no setor produtivo nacional. Ela é prova que realmente o inferno esta cheio de boas intenções.

domingo, 25 de setembro de 2011

sábado, 24 de setembro de 2011

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Aprendiz de feiticeiro

Ah! o poder, alguem já disse que é melhor que sexo. Um exagero, sem dúvida, mas... nunca tive poder... Já a turma desenvolvimentista nunca teve tanto poder e tenta, entre outros delirios, controlar o mercado de câmbio sem abrir mão , no entanto, do câmbio livre e do controle da inflação. Imagina ser possível fixar, sem ser fixo, um câmbio de equilibrio, que atenderia às necessidades do setor externo sem colocar em risco a estabilidade dos preços. O instrumento, a caneta, varinha magica que produz resultados hilários que lembra as atrapalhadas de Mickey no divertido filme "aprendiz de feiticeiro". Este é o grande problema dos desenvolvimentistas: usam o poder para dar um tiro no pé, ou seria no coração?

Enquanto isto no Imperio, o FED ressuscita o twist que no passado produziu resultados ainda controversos. Sinal de desespero, sem dúvida, já que a redução do juro de longo prazo não implica em aumento automatico de oferta de crédito na economia. Falta combinar com os bancos que apesar de sentados em grande liquidez, não se mostram dispostos a correr o risco necessário e inerente a sua função e ajudar a recuperar a economia. Tempos bicudos...

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

E la nave va...

Mais dados que confirmam que a decisão do Bacen de cortar os juros foi essencialmente politica: taxa de desemprego em agosto ficou estável em 6%; o rendimento real habitual ficou em R$ 1.629,40 em agosto, o que representou avanço de 0,5% sobre julho deste ano, e aumento de 3,2% na comparação com agosto de 2010. A massa de rendimentos real habitual alcançou R$ 37,2 bilhões, valor 1,4% acima do total registrado no mês anterior, e 5,6% maior em relação a agosto do ano passado(Valor). A indústria esta de fato desalecerando, mas o mercado de trabalho continua no pleno emprego o que implica afirmar que a inflação dificilmente deverá apresentar a trajetória cantada em verso e prosa pelo Bacen. Nenhuma surpresa, afinal é bem conhecido o velho mantra desenvolvimentista( nacional e o pseudo novo): crescimento com um pouco de inflação.


Como mencionado em post antigo, mas nem sempre reconhecido, os bancos com maior exposição à divida soberana grega são os franceses o que poderá ter sérias consequencias sobre a dinamica da crise na zona do euro. Um deles esta fazendo um tour pelo oriente médio a procura de cavaleiros brancos. Capitalização é necessária e urgente, mas não é novidade, o mesmo, alias, se aplica a avaliação de conhecida agencia sobre o estado de alguns bancos americanos. Dai o titulo do post de ontem, de fato não há novidade no nenhum front, apenas o desenvolvimento normal e esperado da crise que se iniciou em 2008 e está longe da fase final. Ao comparar com outro período histórico é melhor esquecer o ano de 1929 e pensar em 1931.




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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Nada de novo em nenhum front...

Saiu a prévia do IPCA-15 de setembro: 0,53%; 12 meses encerrados em 15 de setembro: 7,33% . Será que o Bacen ainda vai insistir na sua equivocada tese sobre a inflação? Ah! devemos esperar por outubro, justo,..., mas ela dificilmente ficará dentro da meta em 2011. Não é impossível, apenas pouco provável.

Enquanto isto na zona do euro, novos e emocionantes capitulos da novela grega, com impactos previsiveis sobre a economia italiana, socorro do bacen local e resultado, também previsivel: situação econômica deverá deteriorar-se, mas mesmo assim ela receberá a prometida ajuda que será liberada somente no minuto final. A alternativa é simplesmente impensável e por isto mesmo não é realmente uma alternativa, já que produziria um resultado econômico, social e político ainda pior. Para os céticos vale lembrar que a unificação européia é um projeto essencialmente político, dai os inevitáveis problemas econômicos ao longo da sua jornada.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

What Is Naturalism?

Nem todo economista gosta ou tem interesse por filosofia e por isto, não raro, assume como defitivas, questões ainda sujeitas a forte controvérsia no ambito filosofico. O ótimo artigo do Timothy Williamson de Oxford discute uma delas, o naturalismo.



Many contemporary philosophers describe themselves as naturalists. They mean that they believe something like this: there is only the natural world, and the best way to find out about it is by the scientific method. I am sometimes described as a naturalist. Why do I resist the description? Not for any religious scruple: I am an atheist of the most straightforward kind. But accepting the naturalist slogan without looking beneath the slick packaging is an unscientific way to form one’s beliefs about the world, not something naturalists should recommend.

What, for a start, is the natural world? If we say it is the world of matter, or the world of atoms, we are left behind by modern physics, which characterizes the world in far more abstract terms. Anyway, the best current scientific theories will probably be superseded by future scientific developments. We might therefore define the natural world as whatever the scientific method eventually discovers. Thus naturalism becomes the belief that there is only whatever the scientific method eventually discovers, and (not surprisingly) the best way to find out about it is by the scientific method. That is no tautology. Why can’t there be things only discoverable by non-scientific means, or not discoverable at all?

Still, naturalism is not as restrictive as it sounds. For example, some of its hard-nosed advocates undertake to postulate a soul or a god, if doing so turns out to be part of the best explanation of our experience, for that would be an application of scientific method. Naturalism is not incompatible in principle with all forms of religion. In practice, however, most naturalists doubt that belief in souls or gods withstands scientific scrutiny.

What is meant by “the scientific method”? Why assume that science only has one method? For naturalists, although natural sciences like physics and biology differ from each other in specific ways, at a sufficiently abstract level they all count as using a single general method. It involves formulating theoretical hypotheses and testing their predictions against systematic observation and controlled experiment. This is called the hypothetico-deductive method.

One challenge to naturalism is to find a place for mathematics. Natural sciences rely on it, but should we count it a science in its own right? If we do, then the description of scientific method just given is wrong, for it does not fit the science of mathematics, which proves its results by pure reasoning, rather than the hypothetico-deductive method. Although a few naturalists, such as W.V. Quine, argued that the real evidence in favor of mathematics comes from its applications in the natural sciences, so indirectly from observation and experiment, that view does not fit the way the subject actually develops. When mathematicians assess a proposed new axiom, they look at its consequences within mathematics, not outside. On the other hand, if we do not count pure mathematics a science, we thereby exclude mathematical proof by itself from the scientific method, and so discredit naturalism. For naturalism privileges the scientific method over all others, and mathematics is one of the most spectacular success stories in the history of human knowledge.

Which other disciplines count as science? Logic? Linguistics? History? Literary theory? How should we decide? The dilemma for naturalists is this. If they are too inclusive in what they count as science, naturalism loses its bite. Naturalists typically criticize some traditional forms of philosophy as insufficiently scientific, because they ignore experimental tests. How can they maintain such objections unless they restrict scientific method to hypothetico-deductivism? But if they are too exclusive in what they count as science, naturalism loses its credibility, by imposing a method appropriate to natural science on areas where it is inappropriate. Unfortunately, rather than clarify the issue, many naturalists oscillate. When on the attack, they assume an exclusive understanding of science as hypothetico-deductive. When under attack themselves, they fall back on a more inclusive understanding of science that drastically waters down naturalism. Such maneuvering makes naturalism an obscure article of faith. I don’t call myself a naturalist because I don’t want to be implicated in equivocal dogma. Dismissing an idea as “inconsistent with naturalism” is little better than dismissing it as “inconsistent with Christianity.”

Still, I sympathize with one motive behind naturalism — the aspiration to think in a scientific spirit. It’s a vague phrase, but one might start to explain it by emphasizing values like curiosity, honesty, accuracy, precision and rigor. What matters isn’t paying lip-service to those qualities — that’s easy — but actually exemplifying them in practice — the hard part. We needn’t pretend that scientists’ motives are pure. They are human. Science doesn’t depend on indifference to fame, professional advancement, money, or comparisons with rivals. Rather, truth is best pursued in social environments, intellectual communities, that minimize conflict between such baser motives and the scientific spirit, by rewarding work that embodies the scientific virtues. Such traditions exist, and not just in natural science.

The scientific spirit is as relevant in mathematics, history, philosophy and elsewhere as in natural science. Where experimentation is the likeliest way to answer a question correctly, the scientific spirit calls for the experiments to be done; where other methods — mathematical proof, archival research, philosophical reasoning — are more relevant it calls for them instead. Although the methods of natural science could beneficially be applied more widely than they have been so far, the default assumption must be that the practitioners of a well-established discipline know what they are doing, and use the available methods most appropriate for answering its questions. Exceptions may result from a conservative tradition, or one that does not value the scientific spirit. Still, impatience with all methods except those of natural science is a poor basis on which to identify those exceptions.

Naturalism tries to condense the scientific spirit into a philosophical theory. But no theory can replace that spirit, for any theory can be applied in an unscientific spirit, as a polemical device to reinforce prejudice. Naturalism as dogma is one more enemy of the scientific spirit.

Timothy Williamson is the Wykeham Professor of Logic at Oxford University, a Fellow of the British Academy and a Foreign Honorary Member of the American Academy of Arts and Sciences. He has been a visiting professor at M.I.T. and Princeton. His books include “Vagueness” (1994), “Knowledge and its Limits” (2000) and “The Philosophy of Philosophy” (2007).

Fonte: NYtimes

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Desindustrialização e o retorno do bruxo.

Ótimo artigo do Luiz Carlos Mendonça de Barros sobre a desindustrialição e o retorno ao poder do esforçado economista da ditadura militar.


Volto ao tema da desindustrialização que estaria ocorrendo no Brasil e que aparece com frequência na imprensa brasileira. Entende-se esse fenômeno como a redução estrutural da participação da indústria no PIB em função do crescimento das importações. O real forte seria o grande culpado segundo as lideranças empresariais e alguns membros do governo.

Em um primeiro momento o governo tentou enfraquecer o real via compras maciças de dólares no mercado de câmbio e a introdução de um IOF na entrada de recursos financeiros de curto prazo. Mais recentemente, atravessou uma fronteira perigosa - e que tinha sido evitada até agora - ao passar a cobrar o IOF nas operações de derivativos cambiais. Apesar de todas essas intervenções nossa moeda continua como uma das mais valorizadas no mundo emergente, o que tem provocado ranger de dentes em Brasília.

Na última quinta feira o governo resolveu ampliar sua intervenção e decretou um brutal aumento do imposto de importações de automóveis - mascarado por um novo IPI seletivo - na primeira medida direta para reduzir as pressões dos produtos importados. O primeiro alvo nesta nova escalada foi o setor automobilístico que sofre uma concorrência vigorosa de produtos importados. Certamente a influência política dos sindicatos dos metalúrgicos, principalmente do ABC, está por trás dessa escolha. Afinal eles conseguiram generosos aumentos na última rodada de dissídios coletivos e as empresas precisam de espaço para absorver, via preços, esse aumento de custo.

Outros setores da indústria de transformação a partir de agora vão demandar tratamento semelhante e corremos o risco - principalmente o cidadão consumidor - de uma rodada importante de fechamento via impostos de nossa economia, revertendo a tendência dos anos Lula.

O leitor do Valor sabe que não concordo com a análise simplista de que os problemas que enfrentamos hoje são criados, majoritariamente, pelas importações. Como escrevi em coluna recente neste jornal as causas são mais profundas e complexas e estão associadas às questões micro econômicas internas, como sistema tributário, regras salariais e custos de logística. Mas a medida do aumento diferenciado do IPI mostra que o governo resolveu agir de acordo com suas convicções e caminhar firme na direção da restrição direta às importações. E elas se aproximam muito da política do regime militar, quando Delfim Netto era ministro todo poderoso do governo. Aliás, fala-se muito hoje de sua volta ao centro das decisões econômicas no governo Dilma.

Vou me valer de dois ensinamentos que trago dos meus tempos de estudante de engenharia na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo para continuar minhas reflexões sobre este tema. O primeiro deles, que aprendi com um professor de Física ainda no começo de meus estudos, diz que contra fatos concretos não há argumentos. Por isso, se entendemos a desindustrialização apenas como a redução da participação da atividade industrial no PIB brasileiro e, se olharmos para o passado longínquo do regime militar como período de referência, estamos diante de um fato inquestionável e assustador.

Nos estertores do regime militar a indústria chegou a representar, em termos nominais, 48% do PIB. Com o colapso do modelo da ditadura e a aceleração da inflação a partir da década dos oitenta do século passado a indústria chegou a 28% do PIB às vésperas do Plano Real. Com a estabilização da economia nos anos FHC tivemos uma pequena recuperação da indústria, que alcançou a marca de 30% do PIB na passagem do governo ao presidente Lula. Hoje essa relação voltou a cair e chegou a 26% do PIB no início do governo Dilma. Não por outra razão temos ainda saudosistas do período militar, quando as restrições draconianas às importações fizeram com que a indústria brasileira chegasse a representar quase metade do PIB. Esse número só foi atingido pela União Soviética na segunda metade do século passado, o que não me parece uma boa referência tanto econômica como política.

Mas a que custo foi conseguido esse resultado no Brasil? Quantos anos de sacrifício foram necessários para purgar os projetos industriais sem viabilidade que formaram a base desta estrutura industrial artificial? Vamos impor ao consumidor brasileiro novamente os custos de um sistema micro econômico ineficiente e impossível de ser mantido no mundo de hoje?

Por ter vivido intensamente esse período de ajustes - inclusive como diretor do Banco Central - é que me assustam esses movimentos recentes do governo. E trago aqui o segundo ensinamento dos meus anos de politécnico: "sem um entendimento correto das causas de um problema nunca chegaremos a sua solução".

E, no caso da perda de musculatura de nossa indústria, a forma como o governo e parte importante da liderança empresarial pretende enfrentar suas causas é um exemplo dessa armadilha. Restringir as importações pela imposição de novas barreiras tarifárias é não tratar das causas corretas além de interromper um caminho de integração de nossas cadeias produtivas que nos levam a uma economia mais eficiente.

Fonte: Valor

domingo, 18 de setembro de 2011

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Liquidez

A decisão do Bacen de países importantes de garantir liquidez para os bancos é muito bem vinda, mas esta longe de ser a solução para os problemas na zona do euro. Esta requer o reconhecimento do inevitável defaut da Grecia e propostas efetivas para o day after: bancos e países que serão fortemente atingidos pelo evento. A insistência do governo alemão em negar a realidade, empurrar com a barriga e esperar por uma solução magica que sabidamente não existe é uma grande tolice que somente agrava o problema. Resta esperar que na reunião nesta sexta-feira, na Polonia, finalmente, seja formulada uma resposta adequada ao problema.

No grande bananão, a elevação do IPI, é mais um indicio que o famigerado nacional desenvolvimentismo esta renascendo das cinzas. Espero estar errado, já que seria o retorno de uma idéia fora de lugar.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

A meta...

Segundo Vinicius Torres Freire do jornal da ditabranda o governo Dilma trabalha com uma meta de crescimento de 4%,
que "Economistas do governo dizem[...] é o crescimento necessário para que a arrecadação de tributos se mantenha num nível suficiente para manter as contas públicas em ordem", ou seja garantir o superavit fiscal ate 2014. A inflação aceitavel seria no máximo 6,5%. Ele tem razão quando afirma que a atual administração tem finalmente uma meta, mas é generoso quanto aos riscos inerentes à proposta de uma inflação com um teto em torno de 6,5%, haja vista a indexação ainda existente na economia brasileira e esquece de mencionar que crescer e descuidar da inflação é uma das tentações incontroláveis dos desenvolvimentistas, principalmente os da conhecida escola de sociologia econômica da grande são paulo. Economia nunca foi o forte desta turma, que se sente em casa somente com a subliteratura que lá se passa por economia. Paulo Francis realmente tinha razão....

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Varejo

Enquanto a produção industrial patina, o varejo continua a apresentar uma boa performance, ampliando o gap entre o índice mensal de produção física e volume de vendas no varejo. Há varias explicações para esta evolução, merecendo destaque o desempenho das importações que comparado com a produção nacional, segundo o Valor de hoje, foi melhor em "18 de 20 setores da industria de transforamação no acumulado de janeiro a julho deste ano, em comparação com o mesmo período de 2010". Apenas confirma avaliação deste blogueiro: a desaceleração esta restrita a industria e não à economia como um tudo. É claro que a performance da indústria em algum momento vai rebater negativamente no resto da economia, mas não, necessariamente, com a força que vem sendo apregoads por alguns analistas. Naturalmente isto coloca em questão o futuro de alguns setores da indústria, assim como a questão de quais serão os setores lideres na nova etapa do desenvolvimento econômico brasileiro, para usar expressão do velho modelo do Rostow. Alias, este modelo esta implicito em boa parte da discussão sobre desindustrialização, malgrado a negativa de seus participantes.


Os dados do varejo, obviamente não são favoráveis a leitura criativa da conjuntura nacional defendida pelo Bacen, mas isto já era esperado, afinal foi uma decisão política e não técnica.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Zona do euro e o Imperio..

Merkel não gostou nada dos comentários de membros do seu governo e aliados sobre a possibilidade de um defaut organizado da Grecia. Eles simplesmente expressaram em público aquilo que já é quase um consenso: a inevitabiliade de alguma forma de defaut da divida grega. Ela, contudo, tem razão ao alertar que este tipo de comentário em nada ajuda a solucionar o problema e somente cria mais instabilidade no mercado. Resta, no entanto, o fato nada agradável que a opção empurrar com barriga, tão pouco é comportamento adequado, já que aumenta as incertezas e agrava, obviamente o cenário na zona do euro. Que falta faz um estadista neste momento de crise...


A fragilidade de alguns bancos franceses volta a ser lembrada, assim como as dificuldades dos italianos, que, aparentemente, estão recorrendo, ainda sem sucesso, ao novo cavaleiro branco: a China. Uma maior participação da China e dos emergentes na solução da crise da zona do euro é muito bem vindo, mas por enquanto ainda é apenas especulação.

Apesar de todos os problemas ainda acredito que uma solução para a zona do euro é possível e a situação por lá é menos complicada que a do Império.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Quem diria o Bacen juntou-se a turma do quanto pior melhor

Dilma no fantastico, Tombini no valor, o governo esta na ofensiva, coincidentemente, depois da forte reação negativa ao corte precipitado da taxa de juros. O fato é que quando mais negam a interferência política e reafirmam a gravidade da crise econômica internacional e, principalmente, seu impacto sobre a economia brasileira , menos convincente torna-se a tese que nada mudou. Os indícios, contudo, são em sentido contrário: a crise econômica internacional é grave, mas não comparável a de 2008 e tão pouco a magnitude de seu impacto sobre a economia brasileira. A desaceleração esta restrita a industria, serviços continua em boa forma, os acordos salariais ainda generosos e o mercado de trabalho em pleno emprego. Resta ao Bacen juntar-se a turma do quanto pior melhor...

domingo, 11 de setembro de 2011

sexta-feira, 9 de setembro de 2011