Eu sempre defendi e ainda defendo o pluralismo na composiçaõ do copom: diretores de diferentes escolas do pensamento econômico enriquecem o debate e ajudam a fundamentar decisão consensual com argumentos mais solidos. É por isto que a presença de diretores que, pelo conjunto de textos escritos e publicados, podem ser chamados de economistas marxistas é perfeitamente aceitavel e mais do que isto: muito bem vindo. A decisão, devo lembrar, é colegiada, e quem apresentar as melhores evidências e argumentos dará o tom da decisão final.
A decisão, unanime, da ultima reunião, depois de conhecido o nome do novo Presidente, parece sugerir que o atual Presidente ainda tem argumentos mais solidos o que, naturalmente, não agradou aos petistas. Ainda não li nenhum comentário do Presidente Lula, mas dado o seu histórico de criticas ao RCN, imagino que não tenha ficado feliz.
Não resisto a mencionar que, como brincava com um deles, economia marxista é somente pra fim de semana e dia de festa.
Nem é preciso mencionar que concordo com a decisão do Copom.
A turma do "gasto é vida" esta em festa devido ao dado da inflação de Agosto. Comemoram, também, o que seria mais uma demonstração da irrelevancia da macroeconomia maintream. Esquecem ou desconhecem, que o resultado, em nada altera, o horizonte relevante da política monetária. É cansativo ter que repetir sempre o obvio, mas fazer o que: mesmo com o facil acesso a literatura, aparentemente, não encontram tempo pra estudar a literatura relevante na area.
O BC deveria aumentar a selic na proxima reunião, mas não tenho certeza se tomara esta decisão. Ajudaria sem duvida a reduzir o deficit de credibilidade do novo presidente do BC. Mas ele tomara posse somente no proximo ano, observa alguns, mas esquecem que ele já foi escolhido e alem disto ocupa a importante diretoria de política monetária. Como é um colegiado o que conta mesmo é capacidade de argumentar e procurar uma posição de consenso: colegiado divivido é sempre muito ruim.
Não tenho duvida que o meu ex-aluno GG manterá a mesma linha de política monetaria e evitará o canto de sereia da heterodoxia seja ela qual for( marxista, mmm, desenvolvimentista, ect). Deixara muitos desapontados, como é o caso do Serra que o acolheu no seu governo, mas fará a coisa certa e isto é o que conta.
Mais um dia histórico, pra lista de dias históricos da minha vida. É um dos prazeres de envelhecer, mas confesso que sonho com o retorno a monotonia, sem pandemia e eleições sem risco a democracia liberal . Sim democracia liberal, porque hoje ela encontra na democracia iliberal, um forte concorrente. Quem sabe, depois desta terrível experiência com o governo de extrema direita, setores da esquerda tenham, finalmente, aprendido que a democracia liberal é um valor em si mesmo.
Aqui no meu pedaço, na capela do socorro, eleição complicada, com fila deste o inicio da votação. Ainda não votei, mas a recomendação de quem esta trabalhando,aqui no bairro, é ter paciência, porque deverá demorar. Espero ser apenas fake news.
Morar na periferia me da um distanciamento razoável da bolha em que vivem outros acadêmicos e um encontro diário com o que há de melhor é pior nesta cidade que amo tanto.
Ontem em Cuba, a oposição a ditadura não conseguiu sair as ruas para protestar porque, como esperado, as forças da repressão não deixaram. A noticia saiu na mídia, mas não encontrei , ate o momento, nenhum comentário de intelectual de esquerda contrário a atuação do governo cubano. Por enquanto, apenas, silêncio ensurdecedor. Alias, o mesmo vale, para a eleição nada democratica do Ortega na Nicaragua.
A esquerda democrática parece esquecer que com este comportamento é difícil levar a serio o seu discurso em defesa da democracia. Ditadura de esquerda ou de direita é sempre ditadura e, portanto, inaceitável para aqueles que realmente que defendem o Estado Democratico e de Direito.
É curioso que o economista que se auto-define como sendo liberal morre de amores pelo que foi implementado no Chile e o que coloca no polo oposto, fala da China como se fosse a materialização dos seus sonhos em economia. O fato de serem regimes ditatoriais é colocado do lado, como se fosse um detalhe sem grande importância.
O liberal do medo do período da guerra fria sempre tinha uma justificativa pra este apoio a regimes nada democraticos. Já o militante comunista usava o velho argumento que é melhor estar errado no partido que estar certo fora dele. Ambos lavavam as mãos...
A reação vergonhosa em relação ao defensores da democracia iliberal e imperialismo chines parece confirmar que a historia não se repete, mas tão pouco o ser humano muda....
O fim de tarde com cara de verão, nesse domingo de outono é um respiro mais que bem vindo nesses dias tragicos. Temo que com a queda de temperatura poderemos ver repetir por estar bandas o que vem acontecendo no hemisferio norte. É verdade que nosso inverno é bem ameno, mas a queda de temperatura poderá torna, ainda mais, assustador o nosso horror atual. É o que dizem os especialistas aqui e acolá. Rezo pra que estejam errados.
Ontem rolou festas madrugada adentro nos bares da vizinhança, completando o espetaculo macabro de cultos diários da igreja neopentecostal. Sim, eles sabem o que fazem e ignoram as consequencias para o resto da população.
Samuel escreve bem e em geral apresenta os dois lados do debate. Infelizmente no artigo, desse domingo de pascoa, na Folha escolheu o caminho do panfleto politico de elogio ao governador gaucho. Apresentou os aspectos positivos, mas nenhum negativo: imagino que não encontrou nada que deveria ser corrigido ou melhorado na gestão tucana. Este tipo de apologia espero de outros analistas, mas não dele.
Ele cita uma pesquisa, com a qual parece concordar, que define uma curiosa causalidade entre populismo e polarização. Populismo é tópico controverso e o próprio Papa Francisco teve que explicar a sua visão sobre populismo que está longe de ser aquela da besta fera pintada por Samuel e cia. O Império já estava bem polarizado antes da chegada de Trump e o mesmo cenário se repete na Venezuela antes do Chavez. A polarização parece desaguar nas aguas turbulentas do populismo quanto outros percursos parecem ser mais do mesmo. Seria, portanto, sintoma de crise de representatividade do sistema político, do seu distanciamento em relação ao segmento que se sente marginalizado e sem voz no processo de tomada de decisões. Ele torna transparente a polarização que já estava presente, mas oculto ao bem pensante da elite.
É curiosa essa dificuldade da turma iluminada de esquerda e de direita de sair da sua bolha e reconhecer como legitimas as demandas que não cabem na sua caixinha. É mais comodo carimba-las como populistas, fruto de mentes irracionais....
Igrejas neopentecostais a todo vapor nessa tarde de domingo: casais bem vestidos com o que na minha infância católica e interiorana era a chamada roupa pra ir a missa. Verdade que eles exageram e usam terno e gravata, mas a filharada é mais um ponto em comum com esse mundo católico que não existe mais. A versão que existe, e se quer moderna, é uma ilha em um mar evangelico. Caminhamos rapidamente para sermos o maior país ex católico anunciado por Nelson Rodrigues.
Na República Neopentescostal a vida da pessoa humana não tem nenhum valor. Mamom reina soberano nas sacolinhas dos pregadores que lembram personagens do genial Chico Anisio. Assembleia do Mamom, Testemunhas de Mamom, Universal do Reino de Mamom entre outras, nesse domingo outonal, são vetores de disseminação da "gripezinha" que mata milhares de brasileiros. Nesse mundo sem Deus onde a cultura da morte esta disseminada, a esperança agoniza nas filas de uti . Eles sabem o que fazem e por isto perdoa-los não é nada facil...
Morar na periferia e uma aula de sociologia diária. Comprar na feira de sábado e particularmente educativo: frutas, verduras não tem a mesma bela aparência das feiras dos bairros dos endinheirados. O rosto cansado dos vendedores não contrastam com o dos seus consumidores; ambos trabalhadores cansados pela longa jornada para garantir o sustento da familia. Ha, no entanto, um certo charme no gingado das mulheres que empurram carrinhos desviando-se de sacolas multicoloridas.
Garotos ganham trocados guardando carros na ruas paralelas e transversais, enquanto outros se escondem em vielas com forte cheiro de urina, maconha e pedras de crack. Corpos esqualidos, rostos envelhecidos na flor da juventude passeam sua miséria existencial sem pedir licença. A moça linda, toda tatuada e com belas pernas e seios generosos e escaneada por olhares nervosos, nenhum pouco sedutores, enquanto desce do carro ultimo tipo do marido. Ou seria do namorado?
O boteco da esquina esta lotado de homens de camiseta regata e chinelos que imitam as famosas havaianas. A barriga saliente atesta o apreço pela cerveja e pela branquinha que o rosto de sulcos profundos lembra ser a companheira de longa data. A linguiça nadando em oleo envelhecido e o pao amanhecido enganam a fome. Outros se arriscam no pastel nada apetitoso. O cachorro observa tudo atentamente esperando por algumas migalhas pra matar a fome.
Dia ensolarado pelas bandas de Interlagos. A lagrima de Cristo com todo seu esplendor e a sombra sempre generosa e levemente perfumada do jasmim manga alegram ainda mais esta bela amanhã. Crianças brincando na vizinhança misturam se ao som de uma velha canção soul, seguida de uma balada mela cueca dos anos 70.
Passei os olhos nas noticias internacionais do Guardian e no FT. Mais um atentado, aparentemente, em Manchester: facadas, já que arma de fogo é dificil de se obter na velha albion... Li ontem, que o neofascista vai emitir decreto sobre posse de arma de fogo. Uma grande tolice que impactara sobre a vida de todos e não apenas das topeiras que o elegeram.
Nunca assisti a posse do Presidente, nem mesmo a do Lula. Vi as fotos, mas nunca tive o menor interesse por esse tipo de cerimonia, mas reconheço a sua importancia e por isso acho que o PT errou feio ao optar por não participar da posse. Comparecer e depois convocar coletiva de imprensa e criticar duramente o ocorrido durante o processo eleitoral e a perseguição ao prisioneiro politico Lula teria sido uma opcão muito melhor. Mas enfim...
É desalentador saber que muitos - a maioria dos petistas? - concordam com o boicote a posse. O argumento usado é o boicote dos tucanos e dos Dem em 2014: ninguem lembra do ocorrido, o que demonstraria a sua irrelevancia. Esquecem que se não fosse importante, a oposição teria comparecido e ao repetir o mesmo ato equivocado, juntam se aos adversários em inequivoca demonstração de pouco apreço pela liturgia da democracia liberal. Sim, meus caros, a liturgia é importante e por isto que Gore e Hillary compareceram a posse do adversário - porque o que estava em jogo é o respeito as regras do jogo e a legitimidade da democracia. Se o vencedor, não respeitou as regras durante a campanha eleitoral, deve ser investigado e se ficar provado que é culpado dever ser punido. É preciso acreditar nas instituições, mesmo quando elas demonstram não funcionarem, porque se não insistirmos no caminho institucional não as desconstruiremos, não demonstraremos que elas não estão a altura do que delas se espera: a defesa da ordem constitucional.
Hoje é 27 de dezembro de 2018 e em poucos dias o neofacista e sua entourage ocuparão o cargo mais importante do grande bananão. Será um grande teste para o que resta das instituições da república a começar pela anemica democracia liberal. Confesso meu ceticismo em relação as instuições que em passado recente imaginei serem solidas. Uma a uma falharam em defender a república e a democracia liberal e não encontro motivos para acreditar em comportamento diferente depois da posse.
Há figuras realmente pateticas, nessa pobre opera bufa em que se transformou a vida publica neste pedaço da america do sul. A turma da boquinha sabidamente não é movida pela virtude, mas pelos vicios que a leva a vender a mãe, se necessário for, para ocupar um cargo na terra desolada do planalto central. Como é possível ler tanto sobre diferentes temas e ao mesmo tempo ser tão pouco sabio em relação ao que está acontecendo. Nos ultimos meses , varias vezes, fiz a mesma pergunta, sem encontrar resposta: como foi possível essa enorme regressão na nossa caminhada civilizatoria? Aconteceu, no passado, em outros paises e, infelizmente, ainda ocorre no presente: é so acompanharmos o que se passa na Hungria, com sua variente neofacista, autodenominada, democracia iliberal.
Estarei, onde sempre estive, defendendo os direitos civis e uma sociedade mais justa, na oposição ao governo neofascista. Como católico praticante considero ser essa a coisa certa a fazer: Rezem por mim, porque a batalha será dura...
Manha preguiçosa de sabado perfumada com as flores da mangueira e do abacateiro e colorida com o vermelho sangue da primavera que me espreita e acolhe os passarinhos e a familia de sagui. Gatos rolam na restia de sol em meio ao sombreado do cajueiro e da ameixeira. Prosecco ou cerveja? Duvida cruel, enquanto folheio as paginas digitais do kindle e a CNN informa sobre o afterhock no Mexico.
O formigueiro humano me espera com a explosão de cheiros, sabores e cores: bananas, mangas, couve manteiga, alho-porro, pastel e o caldo de cana e outras tentações.....
Envelhecer é reconhecer que os anos que lhe restam pra viver diminuem com uma velocidade assustadora e não há nada que voce possa fazer: senta e aprecie a paisagem e lembre se que outros já partiram e com certeza gostariam de estar nesta mesma mesa jogando conversa fora e bebericando prosecco. Estar por aqui permite um ajuste de contas com as tolices dos anos em que a testosterona estava no comando e os sonhos de um mundo melhor eram embalados pelo canto da sereia do seculo passado.As ruinas, são provas dos delirios, do pesadelo que se tornou o sonho de criar o homem novo do nada: o Adão da razão enlouquecida, que ainda cativa alguns, seria imune a todos os vicios que vitimou o seu antepassado.
Não deixa de ser ironico que a sereia o tenha encantado onde meno se esperava e ,pior ainda, não ter encontrado quem o amarrasse ao mastro durante a tormenta de duvidas da transição pra vida adulta. Ser testado é parte do jogo e nem todos conseguem resistir: afinal queremos ser admirados e quando a mera menção ao nome Dele é suficiente para fechar portas, não resistimos e repetimos Santo Agostinho e negamos a fé em que fomos criados. Recupera la não é dificil, porque o desejo de ama-Lo sempre esteve presente, mas requer coragem, essa virtude tão rara, de dialogar com outro, mas sem negar que voce é cristão.
Nos pós segunda
guerrao desenvolvimento econômico
passou a ocupar papel de destaquena agenda das organizações multilaterais.As comissões econômicas daONUpra
diferentes regiões, como é ocaso
da Comissão Econômica para a America Latina e Caribe-Cepal,produziram ampla literatura que
tornaram se fundamentais na formatação de políticas econômicas quefugiam ao figurino adotado nos países desenvolvidos.
Neste modelo de
desenvolvimento, o Estadoocupa
papel determinante , através da criação de empresas estatais ,do banco de
fomentoe de políticas de proteção
do mercado domestico,justificáveis no período infante, mas que aoserem mantidas por longo período de
tempo acabaram por produzir uma sociedade relativamente desenvolvida, mas que
permanecia socialmenteinjusta.
Os formuladores
de política econômica esqueceram do alerta da Populorum Progressio, de Paulo
VI, publicada em 1967: “desenvolvimento econômico não se reduz a um simples
crescimento econômico. Para ser autêntico, deve ser integral, quer dizer,
promover todos os homens e o homem todo”(PP14).O egoismo prevaleceu e o Estado capturado por
interesses particulares,deixou de
servir ao bem comum.
As insuficiências
do modelo já eram bem conhecidas e a tentativa de revive-lo a ferro e fogo,
levou ao desenlace esperado eo
preço bem salgado está sendo pago pelos mais pobres.
Em muitos
aspectoso novo modelo proposto
pelo Governo Temer, parece esquecer que a “economia está ao serviço do homem”(PP14)
eque“sóa
iniciativa individual e o simples jogo da concorrência não bastam para
assegurar o êxito do desenvolvimento”(PP33).É preciso corrigir os equívocos causados pela intervenção
exagerada do Estado na economia, sem , contudo, negar o papel benefico que ele
poderá desempenhar em prol do bem comum.
Por outro lado,
demonizar o setor privado tampouco parece ser o uma boa idéia.Para a construção de uma sociedade
economicamente robusta e socialmente mais justa, é mais indicado um caminho que
reconheça o papel do mercado e do Estado, com as características elencadas no
Compêndio da Doutrina Social da Igreja (CDSI 347-355): um mercado livre mas que
não seja um fim em si mesmo nem esteja submetido às exigências de lucro
desmedido das empresas, no qual o Estado atue regulando as relações econômicas
tendo em vista os direitos dos mais fracos.
Candidatura única pra diretor, chefe de depto e coordenador de curso é um desserviço a democracia puquiana. A democracia precisa do embate de ideias e propostas, seguida
do acatamento do resultado e trabalho conjunto entre os candidatos depois das eleições.
Nada disto e possível com candidatura única tão ao gosto de regimes políticos inimigos da liberdade...
As instituições que estavam em frangalhos, agora perderam o fiapo de respeito que ainda tinham entre os eternos otimistas. Confesso que nunca estive entre eles: o judiciário não é conhecido por estar do lado de quem deveria estar, mas um suspeito de ter cometido plagio no STF já e avacalhar demais. Digo suspeito, porque liberal que sou, acredito na presunção da inocencia: cabe ao Estado provar a culpa, todos, ate prova em contrários, somos inocentes. Nestes tempos isto se tornou um detalhe, mas dele não abro mão.
O mais surpreendemente em tudo isto é o silêncio constrangedor da Estatal do Butanta: sonha com o prestigio de Harvard, mas esquece que ele tem como pre-requisito comportar se como ela em caso de suspeita de plagio ou outra má pratica acadêmica. Sim, sei que o seu comportamento durante a ditatura civil-militar foi vergonhoso mas, por isto mesmo imaginei que não repetiria os mesmos equivocos do passado. Ingenuidade, perhaps, perhaps.
Somente os que acreditam que o bom velhinho desce a chamine para entregar os presentes no fim de ano, descartam qualquer impacto negativo na imagem no país e na percepção de insegurança juridica. Claro, investidores internacionais estão habituados a negociar com figuras piores, mas em geral elas são previsiveis e procuram manter certa compostura e preocupam se com a sua imagem pública. Não parece ser o caso da gang que tomou de assalto o Estado brasileiro.
Diante desse cenario desolador , so nos resta rezar para que o pior não aconteça. Se é que possível pensar em cenario pior que o que vivemos....
Ah! pluralismo, palavra que adoça o discurso do pensamento mágico em sua peleja contra os cavaleiros do apocalipse mainstream: a turma de barbaros que desconhecem a historia e perdem tempo com tolices como teoria econômica, consistencia lógica, matematica e outros instrumentos a serviço do Capital.
O discurso funciona, naturalmente, porque afinal quem seria contra o pluralismo ou ousaria negar a importância de historia? Mais conhecimento, é sempre melhor que menos. Elementar meu caro Watson. Elementar. É a porta de entrada ao relativismo, para o mundo em que não há gatos azuis: todos são cinzas com o mesmo miado.
Infelizmente, como o adjetivo popular, usado no antigo imperio sovietico, para qualificar sua forma peculiar de democracia, o pluralismo raramente sobrevive ao famoso teste do pudim.
Meu último artigo para o jornal da Arquidiocese de São Paulo
O ano de 2016 apenas terminou, mas
já é possível classificá-lo como um ano terrível, em diferentes áreas da vida nacional.
A tragédia chapecoense é a mais recente e a mais dolorosa, sem dúvida alguma. Na
esfera política, a crise foi se avolumando ao longo do ano até transformar-se
em crise institucional que, temo, nos fará companhia por algum tempo, até o seu
desfecho final que rezo para não ser trágico.
Na economia, a mais longa recessão da nossa história
econômica não dá sinais de se arrefecer: a expectativa de que ela mudaria de
curso, com a posse definitiva da nova administração, mostrou ser apenas mais um
exercício de autoengano dos analistas econômicos, entre os quais me incluo. Imaginávamos
que os novos inquilinos melhorariam as expectativas dos agentes econômicos, o que,
por sua vez, traduzir-se-ia em recuperação, ainda que tênue, da economia. Não
contávamos, naturalmente, com a queda em série de membros do novo gabinete
presidencial e, com a fragilidade das instituições que aumentaram,
infelizmente, a insegurança jurídica.
Nesta inacreditável algaravia nacional, questões
fundamentais para a retomada do crescimento econômico transformaram se em
verdadeiro fla-flu, em que a razão cedeu espaço para emoções e discursos
inflamados. Estamos falando, naturalmente, da controvérsia a respeito da PEC
241. Em que pese todos os seus limites, ela coloca em discussão uma questão
importante: a descoordenação crescente entre gastos e receitas públicas e a
necessidade de se colocar um teto aos gastos. Como fazê-lo? O que incluir? Por
quanto tempo? São questões importantes que devem ser debatidas com serenidade,
já que a partir delas formata-se a sociedade que desejamos construir no país:
mais inclusiva, ou a nossa velha conhecida fundada na defesa de privilégios?
A questão da Previdência é outro tópico que promete debates
acalorados, mas que se trata de um problema real que deve ser enfrentado.
Estamos vivendo mais, com isto o número de trabalhadores aposentados mantidos
pelo número de trabalhadores na ativa tende a aumentar e constitui-se,
portanto, em verdadeira bomba relógio. A solução do problema passa,
necessariamente, pela discussão do tempo de contribuição, valor da contribuição
e valor do benefício. Para que não se perpetuem injustiças, é fundamental
incluir na reforma a revisão de privilégios inaceitáveis de castas bem
organizadas do setor público civil e militar.
A proposta apresentada pelo atual governo acerta ao definir
uma idade mínima, mas erra ao escolher 65 anos, haja vista a expectativa de
vida dos brasileiros ser de 75,5 anos. Erra, também, na definição do tempo
mínimo de contribuição. Esses dois erros implicam em redução no valor do
benefício, já que para receber aposentadoria integral seria necessário
trabalhar 49 anos. O financiamento da
aposentadoria rural ainda não está definido, mas é de fundamental importância
que ela seja mantida.
Felizmente, há boas notícias em relação à inflação, que
continua caindo, e o Banco Central parece ter finalmente reconhecido que esta
queda permite uma redução da taxa de juros, que deverá contribuir com o esforço
de evitar que a nossa longa recessão se transforme em depressão, o que nos
levaria a sentir saudades do annus
horribilis.
Fonte: Jornal "O São Paulo", edição 3134, 18 a 24 de janeiro
de 2017.
A group of intelligence experts, including a former head of MI6, has cut ties with fellow academics at Cambridge university, in a varsity spy scare harking back to the heyday of Soviet espionage at the heart of the British establishment.
Sir Richard Dearlove, the ex-chief of the Secret Intelligence Service and former master of Pembroke college, Stefan Halper, a senior foreign policy adviser at the White House to presidents Nixon, Ford and Reagan, and Peter Martland, a leading espionage historian, have resigned as conveners of the Cambridge Intelligence Seminar — an academic forum for former practitioners and current researchers of western spycraft — because of concerns over what they fear could be a Kremlin-backed operation to compromise the group.
Mr Halper said he had stepped down due to “unacceptable Russian influence on the group”.
The seminar, established by Christopher Andrew, the official historian of MI5 and former chairman of the history faculty at the university, is one of the most respected networks in its field.
Recent attendees at its discussions, held every Friday at Corpus Christi college, have included Mike Flynn, president-elect Donald Trump’s choice as US national security adviser, and Sir Simon Fraser, the recently retired permanent undersecretary at the Foreign Office.
Sir Richard and his colleagues suspect that Veruscript — a newly established digital publishing house that has provided funding to set up a new journal of intelligence and to cover some of the seminar’s costs — may be acting as a front for the Russian intelligence services.
They fear that Russia may be seeking to use the seminar as an impeccably-credentialed platform to covertly steer debate and opinion on high-level sensitive defence and security topics, two people familiar with their thinking said, speaking on condition of anonymity.
The Financial Times has been unable to independently substantiate their claims — and no concrete evidence has been provided to back them.
The three stepped down as conveners before the start of the Michaelmas term. Sir Richard confirmed his resignation as convener but declined to comment further. Mr Martland did not respond to a request for comment.
Their concerns come against a backdrop of growing paranoia about Russian subversion in the west. With relations between London and Moscow at their lowest ebb since the height of the cold war, Britain’s spy agencies are working overtime to try and counter Russian covert action in the UK.
A senior Whitehall security official said that while the authorities could not comment on specific investigations into covert Russian meddling, they were nevertheless aware that suspicions such as those flagged at Cambridge were “the kind of thing that we are aware of being of concern”.
Reliable evidence of Russia’s information war to back up such assertions has been in short supply, however. Indeed, the dispute at Cambridge revives uncomfortable memories of cold war fearmongering — and has sharply divided dons at the intelligence seminar.
While the febrile intellectual atmosphere at Cambridge in the 1930s — charged with radical new socialist thinking and invigorated by a fractious international environment — was an ideal recruiting ground for young, charismatic Soviet agents such as Kim Philby and Guy Burgess, whose work was the acme of cold war intelligence gathering, the modern academic milieu is a less obvious target for Russian espionage.
Prof Andrew, whose books on the KGB are among the most exhaustive on the history of Russian information warfare as well as the infamous Cambridge spy ring of the 1930s, said the suggestion of a Russian covert operation to compromise the seminar was “absurd”.
The seminar is “entirely unclassified” Prof Andrew pointed out, adding that the new Journal of Intelligence and Terrorism was not formally affiliated to the gathering.
Some of the academics the FT spoke to suggested that the dispute over the seminar might be tinged by an element of competition: Sir Richard and his colleagues who have departed from the seminar run a separate organisation — the Cambridge Security Initiative — which pursues a similar, though more commercially-oriented, agenda.
The CSI, which also holds regular briefings and discussions, counts Sir Iain Lobban and Sir David Omand, both former heads of the electronic surveillance agency GCHQ, as members of its advisory board.
Prof Andrew was co-chair of CSI alongside Sir Richard but resigned in the spring. He said his resignation was unrelated to any matters regarding Veruscript. All of the individuals the FT spoke to emphasised that they hoped the two organisations would have an amicable future relationship.
Neil Kent, the lead convener of the seminar and editor-in-chief of the new journal also stepped back from the CSI. Mr Kent, a linguist and expert in Russian culture, said it was “inconceivable” that the Russian government was in any way involved.
“Cambridge is a wonderful place of conspiracy theories but the idea that there is a Machiavellian plot here is ridiculous,” he said. “The idea any of us would be involved in anything that smacks of Russian influence . . . it’s real Reds under the bed stuff — the whole thing is ludicrous.”
Mr Kent is responsible for building the links between the seminar and the organisation at the centre of the controversy, Veruscript. It was established by a friend of Mr Kent’s from Cambridge, Gleb Cheglakov, a Russian physicist.
According to Mr Kent, the new journal will cost roughly £50,000 a year to run and, although start-up funding is being supplied by Veruscript, ultimately it will draw on other sources of finance, to ensure its independence.
Mr Kent said he did not know where Veruscript’s money came from.
Corporate records show Veruscript is run by a company called AGC Partners, based in London.
Mr Cheglakov told the FT that the company was set up by himself and his wife using their own money. The company, which boasts a slick website and employs about a dozen people, claims it will shake up the academic publishing business by paying for peer reviews of its articles by approved academics.
AGC Partner’s corporate records show it was established in 2012. Mr Cheglakov said he was its cofounder although it is legally fully owned by Nazik Ibraimova, his Kygryz wife. Ms Ibraimova could not be reached for comment. The FT attempted to reach the company a number of times by phone and email.
Corporate records show Ms Ibraimova initially funded the company with a series of £50,000 loans made in six-monthly increments. In the past year, the company has significantly expanded. Its accounts show a loss of £410,000 in 2015, the last year for which figures have been filed.
“As we are in start-up mode, all journals are currently operating at a loss with Veruscript picking up the costs,” Mr Cheglakov said in a statement. The business is looking to significantly expand, he added. “[We] will publish journals from across the research spectrum: sciences, humanities and social sciences . . . We are a truly community-based publisher. [The] Journal of Intelligence and Terrorism Studies is our first journal to launch but we are also in the process of launching journals in areas as diverse as Functional Nanomaterials, Quantum Matter and Energy Storage.”
Mr Cheglakov did not specifically address the question of any connection between the company and the Russian government.
He stressed that all of the journals backed by Veruscript would be completely editorially independent of the organisation. “We aim to be a force of good within the publishing industry,” he said.
In a ranking of global financial centres last month, published by Z/Yen, London topped the think-tank’s league, a whisker above New York.
Little surprise there: London has led several league tables in recent years. But when Z/Yen publishes its index in a couple of years’ time — in a Trumpian world — there is a good chance those rankings will have changed.
For one point about last week’s US presidential election result is that Donald Trump’s policies are likely to make New York more attractive as a financial centre. And that could make London a relative loser — unless British authorities are ready to fight back.
Why? The reason is not necessarily any deliberate “plan” Mr Trump holds for Wall Street; he does not seem to have one. He barely mentioned the financial sector on the campaign trail — and most bankers ignored him back. Indeed, the industry donated only $737,000 to him this year, compared with $78m for Hillary Clinton and $33m for Jeb Bush.
But what could raise New York’s status is a confluence of four crucial factors.
The first is obvious: London’s future is being undermined by uncertainties unleashed by Brexit. In public, international bankers insist London remains highly attractive. This week, for example, Jes Staley, Barclays chief executive, pointed to its “gravitational pull”. But in private, senior bankers are preparing to move at least some of their activities when Brexit hits. And, while continental European centres such as Frankfurt and Paris are pitching to grab business, many senior bankers say America looks more attractive, given its infrastructure, talent pool and flexible labour laws.
“It is pretty unlikely anything like what we call ‘London’ could be replicated in the foreseeable future in one place in the EU,” Jon Cunliffe, deputy governor of the Bank of England, told the House of Lords last month. “But it already exists in New York.” Or as Mark Boleat, policy chairman of the City of London Corporation, observes: “The biggest beneficiary of any job losses in the UK will be New York.”
However, Brexit is not the only factor here; a second is the regulatory and political climate. A decade ago Michael Bloomberg, then New York mayor, commissioned a McKinsey report that concluded London was grabbing business from New York because it had a more welcoming regulatory climate.
No longer. Since the 2008 crisis British regulators have, quite rightly, implemented reform. Bank levies have been imposed amid a political backlash. Of course, regulation has been tightened in America too; look at the hefty Dodd-Frank rules. But in America the bank-bashing has waned. And now Mr Trump’s policy team are not only muttering about rolling back some reforms; they are also considering bringing bankers into the administration. Jamie Dimon, head of JPMorgan Chase, has been mooted as possible Treasury secretary. The symbolism is profound.
A third factor is the health of banks. In recent years American banks have cleaned up their balance sheets and recapitalised themselves. The Europeans have lagged behind, which means American banks are resurgent on the world stage. This is likely to be magnified if Mr Trump loosens regulations. If the Federal Reserve raises rates next month — and Janet Yellen, Fed chair, hinted on Thursday that it would — that would bolster US banks’ fee income.
The US economy is likely to grow, partly as a result of Mr Trump’s reflation plans, which could in itself provide a fourth supportive factor. After all, rising business confidence and activity typically boosts demand for financial services. In Europe, by contrast, economic gloom and intractable political splits have undermined confidence.
“Anything which can move to the US in the coming years will move — the US is ultimately going to be a huge beneficiary,” Gary Cohn, Goldman Sachs president, said this week. “As far as [financial and business] investment in Europe is concerned, that is going to be on hold.”
Of course, some European observers will dismiss this as a self-interested sales pitch. If Trumpian policies spark US social unrest or geopolitical uncertainty, or if Mr Trump unleashes a debt binge that goes bust, that will not create stability.
But, while those risks are real, the crucial point now is this: whatever Europeans think of Mr Trump, they need to recognise that animal spirits are rising in New York, and this is likely to boost finance and the standing of Wall Street. If London wants to fight back, the British authorities need to find a way to unleash some animal spirits of their own. Bickering about Brexit is not a good place to start.