domingo, 18 de março de 2012

sexta-feira, 16 de março de 2012

Frankenstein heterodoxo

Demorou, mas finalmente o governo reconheceu o impacto negativo do IOF sobre as exportações. Como a medida( IOF sobre as posições vendidas em derivativos cambiais) é de julho de 2011, a repentina mudança de opinião é estranha. O argumento que era novidade e que já previsto, também, não cola. Recorrer a justiça nunca foi o suficiente para sensibilizar o governo. O temor de que está medida, antiga, somado a implementada esta semana, estaria dificultando a vida dos exportadores me parece a melhor explicação. Em outras palavras, a equipe econômica, como reza a cartilha heterodoxa, adora fazer novos experimentos, mas leva um tempo danado para controlar os Frankenstein que cria.

Por falar neles. O BACEN, aparentemente, definiu 9% como o nirvana de sua política monetária. A razão, infelizmente, não é o reconhecimento que seu compromisso primordial é com o combate a inflação e sua convergência para o centro da meta. O motivo, oculto, mas conhecido pelo mercado é o velho problema da remuneração da poupança, que mesmo com o nível atual de juros, dependendo da taxa de administração do fundo de investimento, já é uma boa alternativa. É um grande vespeiro, já que qualquer alteração, ainda que bem fundamentada e necessária, poderá ser instrumentalizada pela Nova Direita como um novo Plano Collor. Bico de sinuca, sem solução fácil, politicamente falando.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Brincando com fogo...

Os bancos são rapidos no gatilho e encontram no bau da ditadura um meio para contornar o IOF. Trata-se da Cedula de Crédito à Exportação ou Nota de Crédito à Exportação(CCE/NDE), que, no entanto é uma alternativa mais cara. Como mencionado em outro post, o temor de tributação da ACC, levou a um aumento na sua procura e, consequentemente, em elevação do valor cobrado. É um fato que havia espertos nesta área, ganhando muito com o diferencial de juros, porém, para corrigir o problema o governo tornou a vida dos exportadores ainda mais complicada o que não deixa de ser ironico, posto que aumentar as exportações também deveria ser um dos objetivos da politica econômica.

Movido pela ansiedade e pressionado pelos conhecidos grupos de interesse a equipe econômica estuda a desoneração da folha de pagamento de sete setores. A contribuição a Previdencia Social daria lugar a uma aliquota sobre o faturamento. O valor ainda não esta definido, já que cada setor defende um valor diferente. É claramente um esparadrapo protecionista que não resolve o problema estrutural dos setores contemplados e é mais combustivel para a inflação, por enquanto em queda, que poderá voltar a ser um problema a partir do segundo semestre do corrente ano.

É por estas e outras esquisitices, que o velho desenvolvimentismo é objeto de criticas acidas. As vezes são exageradas e injustas, é verdade, mas em alguns casos corretas.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Para entender o cambio como meta...

Apreciação do cambio, metas inflacionárias, meta do câmbio é um tema que já comentei varias vezes e que insiste em não sair da agenda da política econômica no grande bananão. Ontem, Mantega, assumiu publicamente a existência de meta para o câmbio, que, como mencionado em outro post, acredito ser de 1,80 e teto de 1,90. A reação histerica ao cambio em 1,70 parece indicar ser este o valor minimo a ser defendido com unhas e dentes e força-lo a convergir para a meta de 1,80, ou em torno dela. É um tópico que ainda assusta os ortodoxos, mas que está longe de ser novidade, como atesta dois papers publicados antes da crise de 2008: Sebastian Edwards,wp12163 The Relationship Between Exchange Rates and Inflation Targeting Revisited, abril 2006 e Valpy Fitzgerald Monetary Models and Inflation Targeting in Emerging Market Economies, may 2004. Ainda não ouvi nenhum neo-desenvolvimentista menciona-los, porém acredito que provavelmente não são desconhecidos na Fazenda. Valpy é heterodoxo de carteirinha, mas é um otimo economista.

Não sou contra a idéia de cambio como meta, mas acho dificil concilia-lo com a meta de inflação e há o risco de coloca-lo em primeiro lugar e esquecer que em um país com o histórico do bananão isto é sempre uma aposta arriscada e que implica em custos maiores para a população de baixa renda. A medida implementada pela Fazenda é uma tentativa heroica, porem de sucesso improvável, pra a atingir a meta de 1,80. Deverá produzir, somente, mais incerteza na área cambial que não é exatamente uma boa idéia.

Achei bem interessante o artigo do Nakano, ontem no Valor. Também, neste caso, o tópico não é novo, pelo menos para quem frequentava a av. nove de julho, mas havia desaparecido no ambiente ortodoxo do country club da rua itapeva. Resgata-lo é uma sabia decisão...

terça-feira, 13 de março de 2012

1,80 é a meta...

Como era esperado, Maluquinho, em mais um ataque de ansiedade, estendeu para os emprestimos de até cinco anos, a cobrança de 6% do IOF. Com isto, praticamente todos serão atingidos, sem garantia, no entanto, que o objetivo delineado será alcançado, taxa de cambio de 1,80. Este parece ser o valor dos sonhos da equipe econômico e 1,90 o seu teto, limite dado pela impacto negativo que poderá causar a inflação. É uma aposta arriscada e procura ganhar tempo pra enfrentar o problema real, o investimento direto que não o é, para os mais velhos, a famosa Viuva Porcina, da novela da Globo. A equipe econômicca sabe que é necessário separar o joio do trigo, mas se isto não for possível, será difícil evitar alguma forma de tributação do investimento direto ou então, aceitar, a valorização do real.

A medida, ainda que esperada, cria incertezas no mercado e leva a encarecimento de linhas empréstimos ainda não tributadas, como é o caso dos adiantamentos de contrato de câmbio. Não acredito em tributação desta última, haja vista, a preocupação com as exportações, mas quando se tem uma idéia fica, tudo é possível.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Racista? Seguramente demonstra o medo da China, India e Brasil. Quem sabe agora cai a ficha e a Nova Direita do grande bananão finalmente vai reconhecer que o país é um international player de peso. Já esperar algo inteligente do marxismo talebã é pedir demais....


domingo, 11 de março de 2012