domingo, 13 de julho de 2008

Não foi por falta de aviso...

O Dalmo Dallari já tinha alertado do perigo. É triste lembrar que ele foi indicado pelo FHC, um intelectual do mesmo time de luminares como Dahrendorf, aparentemente, em agradecimento ao seu bom trabalho como Engavetador Geral da União. Tristes trópicos.


"Degradação do Judiciário

Nenhum Estado moderno pode ser considerado democrático e civilizado se não tiver um Poder Judiciário independente e imparcial, que tome por parâmetro máximo a Constituição e que tenha condições efetivas para impedir arbitrariedades e corrupção, assegurando, desse modo, os direitos consagrados nos dispositivos constitucionais.

Sem o respeito aos direitos e aos órgãos e instituições encarregados de protegê-los, o que resta é a lei do mais forte, do mais atrevido, do mais astucioso, do mais oportunista, do mais demagogo, do mais distanciado da ética.

Essas considerações, que apenas reproduzem e sintetizam o que tem sido afirmado e reafirmado por todos os teóricos do Estado democrático de Direito, são necessárias e oportunas em face da notícia de que o presidente da República, com afoiteza e imprudência muito estranhas, encaminhou ao Senado uma indicação para membro do Supremo Tribunal Federal, que pode ser considerada verdadeira declaração de guerra do Poder Executivo federal ao Poder Judiciário, ao Ministério Público, à Ordem dos Advogados do Brasil e a toda a comunidade jurídica.

Se essa indicação vier a ser aprovada pelo Senado, não há exagero em afirmar que estarão correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional. Por isso é necessário chamar a atenção para alguns fatos graves, a fim de que o povo e a imprensa fiquem vigilantes e exijam das autoridades o cumprimento rigoroso e honesto de suas atribuições constitucionais, com a firmeza e transparência indispensáveis num sistema democrático.

Segundo vem sendo divulgado por vários órgãos da imprensa, estaria sendo montada uma grande operação para anular o Supremo Tribunal Federal, tornando-o completamente submisso ao atual chefe do Executivo, mesmo depois do término de seu mandato. Um sinal dessa investida seria a indicação, agora concretizada, do atual advogado-geral da União, Gilmar Mendes, alto funcionário subordinado ao presidente da República, para a próxima vaga na Suprema Corte. Além da estranha afoiteza do presidente -pois a indicação foi noticiada antes que se formalizasse a abertura da vaga-, o nome indicado está longe de preencher os requisitos necessários para que alguém seja membro da mais alta corte do país.

É oportuno lembrar que o STF dá a última palavra sobre a constitucionalidade das leis e dos atos das autoridades públicas e terá papel fundamental na promoção da responsabilidade do presidente da República pela prática de ilegalidades e corrupção.
É importante assinalar que aquele alto funcionário do Executivo especializou-se em "inventar" soluções jurídicas no interesse do governo. Ele foi assessor muito próximo do ex-presidente Collor, que nunca se notabilizou pelo respeito ao direito. Já no governo Fernando Henrique, o mesmo dr. Gilmar Mendes, que pertence ao Ministério Público da União, aparece assessorando o ministro da Justiça Nelson Jobim, na tentativa de anular a demarcação de áreas indígenas. Alegando inconstitucionalidade, duas vezes negada pelo STF, "inventaram" uma tese jurídica, que serviu de base para um decreto do presidente Fernando Henrique revogando o decreto em que se baseavam as demarcações. Mais recentemente, o advogado-geral da União, derrotado no Judiciário em outro caso, recomendou aos órgãos da administração que não cumprissem decisões judiciais.

Medidas desse tipo, propostas e adotadas por sugestão do advogado-geral da União, muitas vezes eram claramente inconstitucionais e deram fundamento para a concessão de liminares e decisões de juízes e tribunais, contra atos de autoridades federais.

Indignado com essas derrotas judiciais, o dr. Gilmar Mendes fez inúmeros pronunciamentos pela imprensa, agredindo grosseiramente juízes e tribunais, o que culminou com sua afirmação textual de que o sistema judiciário brasileiro é um "manicômio judiciário".

Obviamente isso ofendeu gravemente a todos os juízes brasileiros ciosos de sua dignidade, o que ficou claramente expresso em artigo publicado no "Informe", veículo de divulgação do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (edição 107, dezembro de 2001). Num texto sereno e objetivo, significativamente intitulado "Manicômio Judiciário" e assinado pelo presidente daquele tribunal, observa-se que "não são decisões injustas que causam a irritação, a iracúndia, a irritabilidade do advogado-geral da União, mas as decisões contrárias às medidas do Poder Executivo".

E não faltaram injúrias aos advogados, pois, na opinião do dr. Gilmar Mendes, toda liminar concedida contra ato do governo federal é produto de conluio corrupto entre advogados e juízes, sócios na "indústria de liminares".

A par desse desrespeito pelas instituições jurídicas, existe mais um problema ético. Revelou a revista "Época" (22/4/ 02, pág. 40) que a chefia da Advocacia Geral da União, isso é, o dr. Gilmar Mendes, pagou R$ 32.400 ao Instituto Brasiliense de Direito Público -do qual o mesmo dr. Gilmar Mendes é um dos proprietários- para que seus subordinados lá fizessem cursos. Isso é contrário à ética e à probidade administrativa, estando muito longe de se enquadrar na "reputação ilibada", exigida pelo artigo 101 da Constituição, para que alguém integre o Supremo.

A comunidade jurídica sabe quem é o indicado e não pode assistir calada e submissa à consumação dessa escolha notoriamente inadequada, contribuindo, com sua omissão, para que a arguição pública do candidato pelo Senado, prevista no artigo 52 da Constituição, seja apenas uma simulação ou "ação entre amigos". É assim que se degradam as instituições e se corrompem os fundamentos da ordem constitucional democrática."


Dalmo de Abreu Dallari, 70, advogado, é professor da Faculdade de Direito da USP. Foi secretário de Negócios do município de São Paulo (administração Luiza Erundina).

Fonte: FOLHA DE SÃO PAULO, 08.05.2002

sábado, 12 de julho de 2008

A FALTA DE JUSTIÇA, A FONTE DE TODO O NOSSO DESCRÉDITO(Rui Barbosa)

Não é nada fácil evitar uma reação emocional ao último escarnio da figura menor que ocupa a vaga que deveria estar reservada, apenas, aos grandes juristas. Indignar-se, mais uma vez, ... confesso que já estou ficou cansado , mas resignar-se, ah! isto nunca. Paciência, paciência, é necessário, já que o problema é antigo, como atesta o texto abaixo, do Rui Barbosa, de 17.12.1914.


"A FALTA DE JUSTIÇA, A FONTE DE TODO O NOSSO DESCRÉDITO

O SR. RUI BARBOSA – A falta de justiça, Srs. Senadores, é o grande mal da nossa
terra, o mal dos males, a origem de todas as nossas infelicidades, a fonte de todo nosso
descrédito, é a miséria suprema desta pobre nação.

A sua grande vergonha diante o estrangeiro, é aquilo que nos afasta os homens,
os auxílios, os capitais.

A injustiça, Senhores, desanima o trabalho, a honestidade, o bem; cresta em flor
os espíritos dos moços, semeia no coração das gerações que vem nascendo a semente da
podridão, habitua os homens a não acreditar senão na estrela, na fortuna, no acaso, na
loteria da sorte, promove a desonestidade, promove a venalidade...

O SR. ALFREDO ELLIS – Promove a relaxação.

O SR. RUI BARBOSA – ...promove a relaxação, insufla a cortesania, a baixeza,
sob todas as suas formas. (Muito bem).

De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver
crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o
homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto...
(Muito bem).

Essa foi a obra da República nos últimos anos.

No outro regímen, o homem que tinha certa nódoa em sua vida era um homem
perdido para todo o sempre – as carreiras políticas lhe estavam fechadas. Havia uma
sentinela vigilante, de cuja severidade todos se temiam e que, acesa no alto, guardava a
redondeza, como um farol que não se apaga, em proveito da honra, da justiça e da
moralidade gerais. (Muito bem).

Na República os tarados são os tarudos. Na República todos os grupos se
alhearam do movimento dos partidos, da ação dos Governos, da prática das instituições.
Contentamo-nos hoje com as fórmulas e aparência, porque estas mesmo vão se
dissipando pouco a pouco, delas quase nada nos restando.

Apenas temos os nomes, apenas temos a reminiscência, apenas temos a
fantasmagoria de uma coisa que existiu, de uma coisa que se deseja ver reerguida, mas
que, na realidade, se foi inteiramente. (Muito bem).

E nessa destruição geral das nossas instituições, a maior de todas as ruínas,
Senhores, é a ruína da justiça, colaborada pela ação dos homens públicos, pelo interesse
dos nossos partidos, pela influência constante dos nossos Governos. E nesse
esboroamento da justiça, a mais grave de todas as ruínas é a falta de penalidade aos
criminosos confessos, é a falta de punição quando se aponta um crime que envolva um
nome poderoso, apontado, indicado, que todos conhecem, mas que ninguém tem
coragem e apontá-lo à opinião pública, de modo que a justiça possa exercer a sua ação
saneadora e benfazeja.

Mas, Sr. Presidente, nesta eliminação monstruosa do sentimento jurídico e da
ação judicial nesse desenvolvimento rapidamente crescente do princípio de
irresponsabilidade, dominando o princípio da responsabilidade – que é o princípio
fundamental das instituições republicanas – porque a República é o governo dos
homens sujeitos à lei, debaixo de uma responsabilidade inevitável, por seus atos;"

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Cai o pano...

Privatização, corrupção e poder crescente dos oligarcas. Estes são temas recorrentes no debate político na atual Rússia e finalmente, aparentemente, retomam o seu devido lugar na agenda política brasileira. Este é um lado da privatização que todos preferem esquecer, mas presente nas privatizações de vários países, inclusive aqueles com uma solida base institucional. Naturalmente, em países, em que a institucionalidade é frágil, o cenário é mais desolador e a infecção mais disseminada.

Pode-se, naturalmente, argumentar que o “affair” que ocupa o noticiário político e policial não esta diretamente relacionado às privatizações do governo pretérito. Esta linha de argumentação equivale a acreditar na existência de fadas e do papai noel. Mas, nestes trístes trópicos, o cinismo não parece ter algum limite. Dai tudo é possível...

O “affair” tem um aspecto positivo e didático ao mostrar que nem todos recebem o mesmo tratamento nesta nossa republica de bacharéis, do você sabe com quem esta falando?

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Se

Se és capaz de manter a tua calma quando
Todo o mundo ao teu redor já a perdeu e te culpa;
De crer em ti quando estão todos duvidando,
E para esses no entanto achar uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer bom demais, nem pretensioso;
Se és capaz de pensar — sem que a isso só te atires;
Se encontrando a desgraça e o triunfo conseguires
Tratar da mesma forma a esses dois impostores;
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
Em armadilhas as verdades que disseste,
E as coisas, por que deste a vida, estraçalhadas,
E refazê-las com o bem pouco que te reste;
Se és capaz de arriscar numa única parada
Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida,
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
Resignado, tornar ao ponto de partida;
De forçar coração, nervos, músculos, tudo
A dar seja o que for que neles ainda existe,
E a persistir assim quando, exaustos, contudo
Resta a vontade em ti que ainda ordena: "Persiste!";
Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes
E, entre reis, não perder a naturalidade,
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
Se a todos podes ser de alguma utilidade,
E se és capaz de dar, segundo por segundo,
Ao mínimo fatal todo o valor e brilho,
Tua é a terra com tudo o que existe no mundo
E o que mais — tu serás um homem, ó meu filho!


Poema de Rudyard Kipling
Tradução de Guilherme de Almeida

quarta-feira, 9 de julho de 2008

9 de Julho de 1932

“ Na minha infância e adolescência, a Revolução Constitucionalista de 1932 era algo muito presente. Eu conhecia pessoas e tinha professores que haviam apoiado o movimento e até participado dos combates. No colégio estadual em que estudava, eram feitos trabalhos e exposições. A bandeira paulista era hasteada com orgulho. Até competições esportivas aconteciam, como a Volta Ciclística 9 de Julho, quando dezenas de ciclistas percorriam o Estado durante quase um mês.”( José Serra, FSP, 09.07.08, p.A3).

Este é o primeiro paragrafo do bonito artigo do Serra, publicado na Folha de hoje. Não pertenço a geração dele, mas na minha infância e no curso primário em um escola rural do interior de São Paulo, nos anos 60, 1932 ainda não era um evento desconhecido. Havia trabalhos escolares sobre o tema, conhecíamos os nomes da sigla MMDC e tínhamos orgulho do que eles fizeram.

Não sei, se como Serra sugere, é correto atribuir somente a ditadura pós 1964 esse “apagamento histórico”, a tradição intelectual que torna-se hegemônica a partir dos anos 60, me parece ser um candidato melhor. É verdade que a força desta tradição deve-se muito ao clima pós 64, mas como ela ainda mantem a hegemonia na formação dos professores de historia, devemos buscar outra explicação para esta dificuldade em relação a comemoração de eventos importantes da história nacional. Ela esta presente, também, na leitura maniqueista e pobre de figuras importantes da nossa história, cujo melhor exemplo, é o filme “Carlota Joaquina, princesa do Brasil” .

É difícil não concordar que “enganam-se os que imaginam que recordar 1932 é simplesmente remexer no velho baú da história. É muito mais que isso: é uma bela data da história do Brasil e de São Paulo. Seus sinônimos são a liberdade, o voto secreto, a eleição livre, a independência dos três Poderes, a Constituição.”(José Serra, FSP, 09.07.08, p.A3)

terça-feira, 8 de julho de 2008

Piadas sobre Economistas e Economia VIII

— Quantos economistas são necessários para trocar uma lâmpada?
— Isto é irrelevante. As preferências da lâmpara são dadas.

*

Não é fácil ser um economista. Como você gostaria de passar toda sua vida fingindo que sabe tudo o que significa o M1 ?

*

Ao fazer a lista de convidados de uma festa, não se esqueça que convidar mais de 25% em economistas pode acabar com as conversas.

*
Economia é a dolorosa elaboração do óbvio.

*

— Qual a diferença entre um economista e um velhinho desorganizado e com Alzheimer ?
— O economista é aquele que está com a calculadora.

*

Economista é aquele que não sabe do que está falando e convence que a culpa é sua por não entender o que está dizendo.

*

Uma definição de "desperdício": um ônibus cheio de economistas mergulhando num precípio com três lugares vagos.

*

Dois economistas estavam viajando de volta para casa, saindo de uma reunião. Os dois sentaram em bancos próximos, mas separados. Depois de discutir todo o tempo, após o serviço de bordo, o sujeito que estava sentado entre eles disse para trocar de lugar com ele, pois devido a conversa não estava conseguindo dormir. Depois de trocar os lugares, um economista comentou para outro: "Esta foi a primeira discussão econômica que conseguiu manter alguém acordado!"

*

Qual a diferença entre economistas e empresários ? O primeiro nunca está com seus pés no chão e o segundo está sempre com seus quatro pés no chão.

*

Um economista é alguém que sabe o preço de tudo e não sabe o valor de nada.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Edmar Bacha

Ele é de longe o melhor economista brasileiro. Há quem, naturalmente, prefira o Bacha do passado( do período da ditadura, do livro sobre macroeconomia kaleckiana, etc) e acuse o atual de ser um neo-liberal, porta-voz dos banqueiros. Tolices ditas pela turma de Barão Geraldo e alhures que não devem ser levadas em consideração.

Na entrevista desta segunda-feira , publicada na FSP, ele discute tópicos importantes sobre o atual cenário macroeconômico. Otimista, quando ao risco do retorno da indexação( nosso vacina ainda estaria dentro do prazo de validade), defensor de um mix de políticas monetária, de crédito e fiscal para resolver o problema do aquecimento da demanda interna;muito preocupado com o impacto do cambio sobre o equilíbrio das contas internas e, principalmente com o risco de uma grande apreciação ser seguida por uma grande depreciação; cético quanto a superioridade do investimento subsidiado em relação ao consumo, a entrevista é leitura obrigatória para aqueles interessados em política econômica e cansados do bla, bla, bla, costumeiro, da turma acima mencionada.

domingo, 6 de julho de 2008

Entrevista com Tracey Rowland

Interessante artigo/entrevista sobre/com Tracey Rowland, autora de um livro muito elogiado sobre o pensamento do Papa Benedito XVI.

Admirers of Tracey Rowland say that the Australian professor of political philosophy and continental theology is "on the side of the angels" and even her detractors who do not like the substance of her arguments begrudgingly admit her academic ability. Her most recent book, Ratzinger's Faith: The Theology of Pope Benedict XVI, geared at educated but non-academic readers, was an enthusiastic exploration of Pope Benedict's thought through the prism of the Second Vatican Council and 20th-century strands of Thomist thought. With Sydney's Cardinal George Pell, who wrote a glowing introduction to the book, she is one of the strongest Catholic voices coming from Down Under.

The dean of the John Paul II Institute for Marriage and Family in Melbourne, Dr Rowland is also on the editorial board of the north American edition of Communio, the academic journal founded by Hans Urs von Balthasar, Henri de Lubac and Joseph Ratzinger, and a member of the Centre of Philosophy and Theology at the University of Nottingham. Her academic credentials, which include a doctorate from the Faculty of Divinity of Cambridge University, form a long string of letters after her name. Impressive too, though she plays it down, is her success in an academic world still dominated by men.

Carefully dressed in a pea-green cardigan and summery skirt, a strand of hair from her auburn bob clipped to the side with a pretty flowery pin, Dr Rowland gives the impression of a shy but friendly neighbour coming over to introduce herself. In person, during a 24-hour stopover in London on her way to Rome, she is very different from the picture of the impressive-looking begowned academic on the John Paul II Institute website. Through the din of the Waterstone's cafe in Piccadilly she first comes across as quietly spoken, but as the interview progresses it becomes clear she doesn't need to raise her voice to be heard. She is eloquent, firm and speaks with the conviction that years of study have lent her.

Dr Rowland did not begin her academic career as a theologian, but came to it through her study of political science. She enrolled in a joint Arts and Law Bachelors degree at the University of Queensland although she knew that she did not want to be a lawyer. At the time it was considered the "done" course for promising young undergraduates, and although it wasn't Dr Rowland's chosen subject, the law, she says, helped sharpen her analytical skills.

At Queensland she came under the tutelage of Dr Vendulka Kubalkova, a Czechoslovakian émigré in exile after the Prague Spring. Dr Kubalkova, despite her strong opposition to the Communist regimes, taught Marxist political philosophy, a course which Dr Rowland describes as "Marxist catechism class". It was here that Dr Rowland developed an interest in central European political philosophy and in 1989 she found herself in Poland. She was gathering material for her Masters dissertation on the political and philosophical ideas of the anti-Communist intelligentsia in Poland and Czechoslovakia, and soon found that she needed an extensive knowledge of Catholic theology and social teaching in order to understand many of the anti-Communist movements in Poland and Czechoslovakia.

"The people who most interested me were those people who said that after they got rid of the Communist state, they didn't want western-style liberalism, they wanted some kind of Christian democratic system. So they wanted Christian democracy rather than liberal democracy. In that context I also studied the thoughts of Pope John Paul II as someone who was representative of the central European Catholic intellectual," she says.

After receiving her Masters from the University of Melbourne in 1992 she went to Cambridge to begin a doctorate in Political Philosophy, focusing on Alasdair Macintyre's critique of modernity and his concept of tradition-dependent rationality, but found little sympathy for her academic interests in the intensely secularist ethos of the Faculty of Political and Social Sciences. "They were really stuck in the 18th century," says Dr Rowland, relating how Professor John Dunn took her aside and told her that he didn't believe in God and he didn't know anyone in Cambridge who believed in God, although he had heard that this phenomenon was common in certain parts of the United States. A day later Dr Dunn suffered a massive, though non-fatal, stroke and Dr Rowland transferred to the Divinity School.

Here she studied under John Milbank among others. He, with Catherine Pickstock, is one of the main minds behind the Radical Orthodoxy movement, which developed Anglo-Catholic constructive theology. She also encountered the leading English Dominican scholars Fr Allan White and Fr Aidan Nichols.

Both Marxism and Anglicanism have been recurring themes in Dr Rowland's life. She is technically a convert to Catholicism. Her father was a Marxist atheist, her mother a practising high-church Anglican. When her father wanted to send his daughter to a state school for ideological reasons her mother settled on a compromise and the young Tracey Rowland was sent to a Catholic convent school which was deemed acceptable to her father as he did not consider it part of the establishment. Taught mainly by nuns, Dr Rowland converted to Catholicism in primary school, where she discovered her love of liturgy, something which is not an academic field she has pursued, but the mainstay of her spiritual life.

Although she tends to take a "pluralistic view of liturgy"- she prefers the Missal of Paul VI done well over the 1962 Missal but defends those who prefer the extraordinary form of the Roman Rite - nothing upsets her more than "appalling 1970s liturgy". It was her profound sense of the importance of liturgy that first attracted her to Joseph Ratzinger. Dr Rowland says that she thinks that last year's Motu Proprio Summorum Pontificum, which liberalised the use of the 1962 Missal, served as a jolt to many priests "who had to confront the fact that they had been presuming for a couple of decades that what lay people want is a kind of populist liturgy - a kind of pop culture liturgy".

"I think they've had to confront the sociological reality that this is not actually the case," she says. "There are some people who will still want it but there is a huge number of Catholics who do not, and for a couple of decades they were completely marginalised. The main criticism levelled against them was that they hadn't accepted the teaching of the Council."

Pope Benedict, she says, has made it clear that being critical of bad liturgy does not signal opposition to the Second Vatican Council. Dr Rowland is herself a defender of the Council even if she is wary of the some of the ways in which it has been interpreted and has played out in the life of the Church in the last 40 years.

"I think we are at a stage in the life of the Church when my generation and your generation need to do a great deal of synthetic work, picking up the pieces of the puzzle and putting them back together again but in a way that was better than was the case before the Council," she says.

"I envy your generation because I think you are coming of age at a time when things are really healing in the Church and the trauma of the Council is starting to bear fruit whereas I belong to the generation of intermission."

After completing her doctorate in 2002 she was recruited by Cardinal Pell to help with the newly established John Paul II Institute for Marriage and Family in Melbourne. The school is one of 11 worldwide which were founded by Pope John Paul II to focus on the importance of marriage and family. Dr Rowland was awarded her Licentiate in Sacred Theology in 2007, for which she did a correspondence course in 2007 and is currently working on a doctorate in Sacred Theology (STD). What has it been like being a woman in a world that is still predominately male? She smiles and says that she has had an overwhelmingly positive experience. In Rome she is treated with the greatest respect and addressed as professoressa, she says.

"Pope Benedict XVI and John Paul II were highly intellectual men who had mixed with highly educated women and there was an understanding that there were absolutely no barriers to women engaging in the administrative and intellectual life of the Church," she says before she launches into a defense of the male priesthood.

"It is only when it comes to priesthood that there are barriers and that's because they don't see priesthood as something that requires certain skills, but is an anthropological issue about the nature of the priest who stands in the place of Christ. Pope Benedict also says of all the tribes of the Middle East in the biblical era, most had priestesses, but not the Jews, and he thinks there is a theological significance in this as well."

Before the interview we had been talking about Hans Küng's recent visit to London. The controversial Swiss theologian is seen in certain circles as the "leader of the opposition" to the Pope. What does she make, I ask, of the criticism that Pope Benedict's pontificate is making the Church smaller?

"I think that people who leave the Church are not leaving the Church because they are rejecting the teachings of John Paul II or Pope Benedict," she answers. "Most of them who leave do so because they go to Catholic schools and they think that the kind of warm secular humanism with Christian gloss that they get in Catholic schools is in fact the Catholic faith and it hasn't captured their imagination, their love or their intellect so they are walking away from something that they do not know. It's not like a love affair where you reject a person you have learnt to love and know. They've never been in love with the Church. They've never known it."

Fonte: Anna Arco no The Catholic Herald.

sábado, 5 de julho de 2008

O Napoleão de Hospício

O Napoleão de Hospício ataca de novo e culpa os heterodoxos pela hiperinflação brasileira. É, naturalmente, um exagero, afinal nem todo economista heterodoxo, por definição, é igual. Alem do mais, nunca é demais lembrar os professores do nosso Napoleão foram colegas de Governo da turma que ele culpa pela hiperinflação. A pouca atenção a questão fiscal, naquele período, não era exclusividade de Barão Geraldo e alhures. Ela também não era campeã de audiência na Gávea.

Para um historiador econômico, de algum talento, diga-se de passagem, ele não mostrou muita habilidade ou criatividade ao escrever a história do período. Contudo, ele tem razão ao criticar a turma do IPEA e alhures, assim como o Governo por não dar a devida atenção a política fiscal.

Aprender com erros é uma virtude que esta turma não possui. Não é por outra razão que eles ainda continuam no time B e não conseguem alterar e nem influenciar a agenda da política econômica brasileira. Isto. naturalmente, não implica afirmar que a política econômica da turma da Gávea seja la grande coisa, somente que ela é menos danosa ...

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Apagão

Apagões acontecem e nem sempre é culpa da empresa e o bom senso recomenda esperar a devida investigação do ocorrido ontem. Contudo, o mesmo não é valido em relação ao comportamento da empresa em relação aos consumidores: ela não alterou a mensagem de voz, que ao longo do dia prometia uma solução do problema em apenas uma hora,mesmo sabendo não ser provável, já que não conhecia a origem do problema. Este comportamento arrogante é inaceitável e somente é explicado pelo quase poder de monopólio da empresa.

Quem sabe com o apagão a sociedade finalmente acorde para a importância do serviço de transporte de dados em alta velocidade e passe a considerá-lo como um serviço de telecomunicações. Este é um serviço muito importante e requer um sistema de regulamentação adequado. Aparentemente este detalhe não faz parte das preocupações dos responsáveis pelo setor.

O pior é ler as tolices de antigos gestores do setor. Como um amigo, especialista em regulamentação, sempre diz: este é o preço que pagamos por deixarmos macroeconomistas tomarem decisões relativas a esfera microeconômica.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Pied Beauty

Glory be to God for dappled things--
For skies of couple-colour as a brinded cow;
For rose-moles all in stipple upon trout that swim;
Fresh-firecoal chestnut-falls; finches' wings;
Landscape plotted and pieced--fold, fallow, and plough;
And all trades, their gear and tackle and trim.

All things counter, original, spare, strange;
Whatever is fickle, freckled (who knows how?)
With swift, slow; sweet, sour; adazzle, dim;
He fathers-forth whose beauty is past change:
Praise Him.


Gerard Manley Hopkins

quarta-feira, 2 de julho de 2008

A pedra filosofal

A ciência econômica , como outras áreas do conhecimento no passado, não está imune a tentação da busca da pedra filosofal. No caso da economia um modelo de política econômica que consiga domar a virulência do ciclo econômico e se possível, melhor ainda, eliminá-lo de vez. Vários modelos foram testados ao longo das últimas décadas, com resultados bastante satisfatórios na domesticação/administração, mas não na eliminação do ciclo.

Para as várias correntes marxistas, tal busca é inútil, já que seria impossível a regulação do capitalismo. Para os austríacos a tentativa simplesmente posterga no tempo o inevitável com o agravante de torná-lo ainda mais penoso: a purgação é parte da dinâmica do capitalismo . A visão otimista fica relegada aos keynesianos que se negam a adotar a atitude fatalista das correntes acima mencionadas.

A posição dos marxistas é confortável, já que não estão preocupados com administração do capitalismo, mas com a superação e construção de um outro sistema econômico. Contudo, quando chamados a assumir o fardo da gestão da política econômica, recorrem a um mix de keynesianismo e monetarismo com resultados sofriveis. Já os austríacos, nunca tiveram, me parece, a oportunidade de gerir a política econômica, o que demonstra certa coerência, mas, também, não deixa de ser uma posição fácil.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Religious Life in the Age of Facebook

A realidade é outra, mas não o problema. Vale a pena ler o artigo completo, abaixo públicamos apenas um trecho.

"Why aren’t young men and women entering religious life today? A long list of answers has been floating for years among vocation recruiters, novitiate staffs and religious communities. Among them: young adults today are commitment-phobic; a “spiritual but not religious” stance makes religious life too constricting; families are smaller and less likely to support someone choosing to enter religious life; the average age in most communities has risen to a point where a young person is actually entering a retirement home, not a novitiate; the church after the Second Vatican Council has failed to inculcate in young adult Catholics a sense of commitment to the institutional church; young women (and some young men) are alienated by the patriarchal and/or hierarchical nature of priesthood and the church; celibacy is incomprehensible in our overly sexualized age; the horrific and pervasive evidence of sexual and financial scandals in the church makes the young look elsewhere as they choose professions and careers; there are deep intellectual and cultural confusions over the meaning(s) of God, Jesus, church, salvation and priesthood.

The list could go on, but the facts remain: in 1965 there were 45.6 million Catholics and 48,992 seminarians in the United States studying for the priesthood, while in 2006 there were 69.1 million Catholics and only 5,642 seminarians. Similar or more severe declines have been registered in the number of people becoming men or women religious.

After 15 years of interacting with college students (the past five years living in a student dormitory), I can identify certain cultural currents running through the lives of young adults. Like riptides, hidden but strong, these pull persons in their 20s far from the shores of religious life. Such cultural phenomena are off the radar of men and women religious today, mostly because the cultural world of the young people we would hope to attract to our communities differs so much from our own. As a cultural anthropologist, I was taught that good fieldwork reveals what everyone knows but no one in the host culture talks about. What follows are several truths that many young adults know but seldom express to their elders. Some of these cultural currents are not readily apparent to them, though when I have run these ideas by young adults, I have met with wide agreement.

1. One’s culture consists of what one knows. Today’s young adults do not know very much about Jesus, the church, the faith or religious life. In fact, young adults do not know many things that used to be common knowledge among Catholics, and they often know more about other faiths than they do about their own religious tradition. When one excited young woman ran up to me and exclaimed, “I’m going to study Buddhism. It’s so cool!” I said, “Wow. Did you ever think of studying the religion that teaches that God became what we are so we could become what God is”? “Ooh, that sounds cool. What one’s that?” she asked. “Catholicism,” I answered, the faith in which she had been baptized and confirmed.

Culturally, we are the stories we tell. Too easily we assume that young adult Catholics know who St. Francis or St. Ignatius was, but we assume such at our peril. Today’s young adults know Harry and Hermione better than Jesus, Mary and Joseph. One student I spoke to last year thought Vatican II was the name of a pope!

Also problematic are the general intellectual abilities of today’s young adults. Most college students today would balk at the workload the Jesuits threw at high school students in the 1970s. In our first year we read the Documents of Vatican II; in sophomore year, the Dutch catechism. Today’s reading lists for Theology 101 at most universities are decidedly lighter fare. Students will not or cannot plow through Rahner.

This makes the act of intellectually synthesizing the various modes of truth present in Catholic tradition quite difficult for the average student. To argue that analogous conceptions of truth are not equivocal, but in fact more meaningful than univocal truths, stuns young adults, if they can follow the reasoning. To grasp that the Gospel infancy narratives may be true, even though the stories themselves are not historically or scientifically accurate, is a real task for those educated in a culture that leaves little room for nuance. Young adults have intellectual difficulty coming to terms with the intricacies of our faith tradition. In the 1950s and 1960s, older teens and young adults knew what the beatific vision was, and many yearned to see God face to face (1 Cor 13:12); today all we have given them (or all they have paid attention to) is Facebook.com."

Para ler o artigo completo do Richard G Malloy:
http://www.americamagazine.org/content/current-issue.cfm

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Piadas sobre Economistas e Economia VII

Economistas são pessoas muito espertas para cuidar de seus próprios bens e não espertas o suficiente para cuidar dos bens dos outros.

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— Por quê Deus criou os economistas ?
— Para os meteorólogistas parecerem competentes.

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— O que faz um economista ?
— Muito no curto prazo, que somando, não dá nada no longo prazo.

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Dois economistas se encontram na rua e um pergunta a outro: "Como vai sua mulher ?". O outro responde: "Relativo a quê ?"

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Para um economista, a vida real é um caso específico..

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Pedi a uma economista o número de seu telefone...e ela me deu uma estimativa.

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Os economistas preveram nove das últimas cinco recessões.

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Um econometricista e um astrólogo discutem. O astrólogo diz, "a Astrologia é mais científica que a Econometria. Acerto metade de minhas previsões. As suas não conseguem nem chegar a esta proporção.". O econometricista responde, "Isto é por causa de choques externos. As estrelas não têm estas coisas."

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O que seria a Economia sem as hipóteses? Contabilidade.

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— Por que inventaram a Astrologia ?
— Para a Economia ser considerada uma ciência.

domingo, 29 de junho de 2008

Rosselini

Apesar de gostar muito de cinema, conheço muito pouco da obra cinematográfica do Rossellini. Minha paixão pelo cinema era e continua sendo muito democrática,mas naturalmente tenho alguns diretores prediletos: os clássicos que todos gostamos não é preciso mencionar os nomes, mas entre os contemporâneos, aquele que eu não perdia um lançamento é, a bem da verdade, não um, mas dois:Truffaut e Herzog. Ainda continuo revendo a obra deles, mas confesso que os últimos trabalhos do Herzog ficam muito aquém dos seus primeiros filmes.

Mas, estava falando do Rosselini. Dois dos seus filmes feitos para a televisão foram lançados no Brasil: Santo Agostinho(de Hipona) e Socrates. Filmes magníficos sobre dois filósofos notáveis: simplicidade, dialógos de uma qualidade rara no cinema do período( e mais rara ainda no cinema atual), são ambos filmes políticos no bom sentido do termo e, principalmente, uma declaração de amor ao cinema e a busca da verdade que guiava a vida destes dois grandes pensadores, figuras chaves da cultura ocidental.

Em um mundo em que a leitura dos clássicos da cultura ocidental é relegada aos especialistas e substituída pela mambo jambo pós-modernista; estes dois filmes podem ser um ótimo instrumento para reconectar a atual geração com a tão criticada tradição que define a nossa identidade ocidental.

sábado, 28 de junho de 2008

Ipea: ame-o ou deixe-o?

Pochmann tem razão: “o pais precisa de instituições que pensem o longo prazo”. A longa convivência com a inflação criou no país uma cultura de curto prazo que, devido a absurda influência dos “ falsos mercadistas” no debate macroeconômico, ainda persiste e mostra-se resistente à discussões sobre o longo prazo. É verdade que o longo prazo, para a turma de Barão Geraldo e alhures, é um eufemismo para a velha intervenção direta do Estado na economia. Contudo, é possível discutir o longo prazo sem cair na armadilha desta turma.

Confesso, contudo que não entendi o que ele quer dizer quando afirma que “ a mudança sinaliza que agora, quando o Ipea projeta, é porque tem muita certeza”. Estaria ele e seu colega post-keynesiano, Sicsú, abandonando o barco furado da “economia pop”? Afinal o futuro deixou, “ de repente, não mais que de repente”, de ser incerto? A incerteza não probabilística,não é mais o fetiche, a palavra de ordem dos nossos aguerridos post-keynesianos?

Há, naturalmente, uma segunda explicação para esta mudança de política. A incapacidade desta turma em formular propostas próprias viáveis de política econômica. Quando forçados, pelas contingências, sempre recorrem a velha ortodoxia, e como não possuem o devido pedigree ou reputação, acabam sendo obrigados a serem mais realistas do que o rei. Dai não ser um exagero afirmar que nada pior que um economista pop no poder. Como não estão, felizmente, fazendo política econômica, mas em um instituto de pesquisa, a única saída, para encobrir a incompetência, é transferir o foco de atuação do curto para o longo prazo. Logo estaremos ouvindo a velha lenga, lenga: o futuro incerto, fatores políticos e institucionais, hegemonia do império, perda de autonomia do estados nacionais, etc, para explicar os mirabolantes planos desta turma, que não por acaso tem como mentor um reputado filosofo e líder de um importante movimento no direito, mas que de economia nada entende.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Believer with a faith in reason

Reportagem/entrevista relativamente antiga(24.02.06) sobre/com John Haldane filosofo católico e lider do "tomismo analitico", movimento que procura combinar o pensamento de Santo Tomas de Aquino com a moderna filosofia analítica.

John Haldane is the first known practising Roman Catholic to be a professor of philosophy in Scotland since the Reformation.

The St Andrews University academic explicitly describes himself as a Catholic philosopher - a fact not wasted on Pope Benedict XVI, who recently appointed him a consultor to the Pontifical Council for Culture.

The appointment would undoubtedly have appalled Professor Haldane's paternal grandfather, who was staunchly Presbyterian. "He was virulently anti-Catholic. I remember him telling me that the reason the Pope wore long dresses was to cover his cloven hooves."

Professor Haldane's father, who married a Catholic, never dared tell his own father when he subsequently converted, but Professor Haldane enjoyed his grandfather's companionship. He says he has always been comfortable with people of other denominations. He confounds prejudices and stereotypes. Although formidably well-educated, Professor Haldane is good-humoured and approachable. He is as likely to write a readable article for a newspaper as he is a scholarly essay because he believes it is important to share his research not only with fellow academics but also with the general public.

"I think that's a very Scottish thing, the idea of a public intellectual.

Your thinking isn't just for yourself. The intellectual environment depends on this two-way movement. People puzzle about ideas they don't understand, and they've got a right to ask people who are competent to think about these things what they think."

As director of St Andrews' Centre for Ethics, Philosophy and Public Affairs for almost two decades, Professor Haldane has been encouraging people in public affairs to think about the philosophical and ethical foundation of what they are doing, and encouraging academic philosophers to tackle issues of broad public interest.

As a boy, he attended St Aloysius College in Glasgow, where all the Jesuit teachers had degrees in theology and in philosophy. He went on to gain two outstanding first-class honours degrees before taking a PhD. The first of his degrees was from the Wimbledon School of Art, where he was caught up in the buzz of the new British conceptual art movement that spawned Gilbert and George. The flat he shared in the Fulham Road became a magnet for inventive young artists: one flatmate was future Turner prizewinner Tony Cragg.

Professor Haldane retains a keen interest in art. He is currently working on a limited edition book with the leading artist David Tremlett. And at first, it seemed he would follow a career in art education. At the age of 22, he was appointed head of the art department in a convent school near Woolwich, southeast London, where he was the only male teacher.

"Often people in universities have no experience of teaching, and they're really not very good at it. To hold the attention of 30 14-year-old girls for an hour is not a trivial matter. If you can do that, a body of (university) students isn't going to be a problem."

But he simultaneously embarked on a part-time degree in philosophy at Birkbeck, University of London, having become intrigued by philosophy during his Jesuit schooldays. London at this time was a leading international centre, home to philosophy superstars such as David Wiggins, David Hamlyn, Dorothy Edgington and Roger Scruton.

"My education was straight-down-the-line analytical philosophy, which just wasn't interested in religion. I suppose if you had stirred it, it would have been hostile."

Professor Haldane's own interest was sparked when he decided to tackle intentionality, how it is possible to think about something. "If I think about the cat back home, how do I do that? I'm here, the cat's there.

Somebody said: 'Oh, the medievals had a lot to say about that'."

There were no relevant resources in the University of London, but he discovered a wealth of material in the Catholic central library. This led him to write his PhD on the nature of thought, inspired by the theories of the 13th-century Catholic philosopher St Thomas Aquinas.

His research won him a lectureship at St Andrews, and a title he thought up for a series of lectures is now the recognised term for an international philosophical movement. Trying to describe his approach, which synthesised analytical philosophy and the work of Aquinas, he came up with "analytical Thomism", which now has exponents across Europe and North America.

He is occasionally asked how, as a Catholic, he can be a philosopher. He responds that Catholicism is the most philosophical Christian denomination.

"Philosophy has been deployed in the formation of Catholic ideas from the first major councils of the Church. All the stuff of the formation of the creeds, three persons in one God, two natures in one person, all of that is philosophy," he says. "If you're a Catholic, some things are foreclosed intellectually. It seems to me it isn't open to me to work on the assumption that there might not be a God or that killing innocent people might be all right if it produces enough benefit somewhere else. But it's not a case of subordinating my reason to my faith. I think it's a very modern view that sees faith and reason standing in that opposition."

If he went around expounding what he believed as a Catholic, that would be not only eccentric but irrelevant, Professor Haldane said. "People want to know why it should be believed, not that you believe it." The Pontifical Council, which fosters the church's links with the cultural world as well as promoting research into religious indifference, may be about to promote a debate on people's underlying values and understanding of who they are, whether they are believers or not. There are widespread fears that growing secularism is throwing out the baby with the bath water, detaching Europe not only from its religious inheritance but also its foundations in Greek philosophy and Roman law. But while the Pope has been reported as seeking to "re-evangelise" Western civilisation, Professor Haldane firmly abjures the role of evangelist.

"I have quite enough to do trying to bring up four children. You won't see me in the street handing out religious pictures," he says.

"I'm nobody's spiritual counsellor, but I'm happy to be associated with a broad cultural effort to try to encourage people to re-engage with central defining notions: the universe is not a pointless place, there is a meaning to it all, and you exist for a purpose.

"But I wouldn't dream of going to any of my colleagues here and saying: 'Have you thought about your relationship with Jesus?' They would rightly think I had lost my marbles."

Fonte: Olga Wojtas, The Times Higher Education Supplement.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Metaphors of a Magnifico

Twenty men crossing a bridge,
Into a village,
Are twenty men crossing twenty bridges,
Into twenty villages,
Or one man
Crossing a single bridge into a village.

This is old song
That will not declare itself . . .

Twenty men crossing a bridge,
Into a village,
Are
Twenty men crossing a bridge
Into a village.

That will not declare itself
Yet is certain as meaning . . .

The boots of the men clump
On the boards of the bridge.
The first white wall of the village
Rises through fruit-trees.
Of what was it I was thinking?
So the meaning escapes.

The first white wall of the village . . .
The fruit-trees . . .


Wallace Stevens

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Clodovis Boff e a Teologia da Libertação

Inesperado e um choque para todos, principalmente para o que resta da turma da Teologia da Libertação, o texto do Clodovis Boff tem tudo para ser um divisor de águas. Para um leigo, como é o meu caso, o argumento central do texto não é novo e a surpresa maior é em relação ao longo período necessário para que alguem importante finalmente reconhecesse o que já era obvio no inicio dos anos 80. Abaixo reproduzimos alguns trechos do documento que pode ser lido no seguinte endereço:
http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=33508. No adital é possível acessar algumas respostas ao texto do Clodovis Boff.

“Ora, quando o pobre adquire o estatuto de primum epistemológico, o que acontece com a fé e sua doutrina no nível da teologia e também da pastoral? Acontece a instrumentalização da fé em função do pobre. Cai-se no utilitarismo ou funcionalismo em relação à Palavra de Deus e à teologia em geral.”
(...)
Se grave é, pois, a questão e graves seus equívocos, graves são também seus resultados. Pois o princípio informa todo um discurso. Quando se começa uma caminhada na direção errada, quanto mais se avança, mais se distancia do destino. E assim também os frutos da TdL, que são reconhecidamente notáveis, acabam "pegando broca" e com o tempo se deteriorando.
O resultado geral da inversão prática de princípio (de Deus para o pobre) é enfraquecer e mesmo esvaziar a identidade cristã, e isso em vários planos:
1. No plano teológico. A teologia vai perdendo seu caráter próprio, para adotar um tom mais sociológico e pólítico, agora de tipo religioso‐pastoral. Perde também fecundidade teórica, suas produções reduzindo‐se cada vez mais a serem meras "variações sobre o mesmo tema". Pior, as grandes intuições da TdL viram chavões repetidos ad nauseam, sobretudo na "vulgata militante" da TdL.
2. No plano eclesial. A "pastoral da libertação" se torna um braço a mais do "movimento popular". A Igreja se "onguiza". Então se esvazia mesmo fisicamente: perde agentes, militantes e fiéis. Os "de fora", à exclusão dos militantes, sentem escassa atração por uma "igreja de libertação". Pois, para o compromisso, dispõem das ongs, mas para a experiência religiosa precisam mais que de simples libertação social. Ademais, por não perceber a extensão e relevância social da atual inquietação espiritual, a TdL se mostra culturalmente míope e historicamente anacrônica, ou seja "alienada" de seu tempo.
3. No plano da própria fé. Reduzida a ideologia mobilizadora, a fé vai perdendo cada vez mais substância, até se esvaziar totalmente. O que sobra é uma "hermenêutica cristã da existência humana", tal como se exprime de modo modelar na vulgata teológica chamada "rahnerismo", que subjaz à TdL e que aqui não é possível discutir. Em suma, a substância da fé acaba em mero discurso, portanto, em qualquer coisa de irrelevante. Pois, como se ouve nos meios "liberacionistas", o que importa não é tanto a Igreja ou Cristo, quanto o Reino.
(...)
o "urgentismo histórico" levou a investir o quanto pode, do conteúdo da fé, no que foi tido como o opus maius: a libertação histórica dos oprimidos. Daí também a tentação de "qualqueirismo epistemológico" à la Feyerabend: anything goes em teologia, desde que os pobres tirem disso vantagem.
(...)
Efetivamente, a metodologia de Aparecida é uma metodologia originária e principal, enquanto a outra só pode ser derivada e subalterna. Por isso também a primeira é mais ampla. Pois, se Bento XVI foi teologicamente certeiro quando, abrindo a V Celam, declarou: "a opção pelos pobres está implícita na fé cristológica", então fica claro que o princípio-Cristo inclui sempre o pobre, sem que o princípio‐pobre inclua necessariamente Cristo. Por outras palavras: para ser cristão é preciso absolutamente se comprometer com o pobre: agora, para se comprometer com o pobre, não é, em absoluto, necessário ser sempre cristão."

terça-feira, 24 de junho de 2008

Piadas sobre Economistas e Economia VI

Prefiro ser vago e correto do que preciso e errado. (Keynes)

Por que os economistas fazem estimativas de inflação com uma casa depois da vírgula ?
Para provar que tem senso de humor.

Estatísticas econômicas são como um biquini. Revelam partes importantes e escondem as vitais.

Sete hábitos que contribuem para a produzir mercados eficientes (e nada mais além disso):
1.Pense sempre no curto prazo;
2. Seja avarento;
3. Acredite na existência do grande otário;
4. Corra com a boiada;
5. Supergeneralize;
6. Seja tendencioso;
7.Jogue com o dinheiro de outras pessoas.(Krugman)

Copiar a idéia de um único autor é plágio. Copiar de vários é pesquisa.

Todos os modelos são errados, mas alguns são úteis. (G.Box)

No longo prazo há apenas outro curto prazo. (A. Lerner)

Duas coisas são melhores de não ver enquanto se as estão fazendo: linguiça e estimativas econométricas.

Dois economistas sentam para jogar xadrez. Eles estudam o tabuleiro por 24 horas e declaram xeque-mate.

O Péssimo de Dostoievski ( oposto ao ótimo de Pareto): quando está todo mundo na pior condição possível de maneira que ninguém pode estar em condição pior sem melhorar a condição de outro.